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Sim, quem me conhece sabe exatamente o que este depoimento e esta história toda tem a ver com a minha vida. Sim. Eu já estive dentro da ÊXODUS BR. Os motivos que levam uma pessoa a isso vão além dos citados pelo Michael no texto dele. Apresento aqui alguns dos meus e fatos vividos dentro da igreja.

Como muitos eu também fui criado dentro de uma família religiosa com maioria evangélica. Vivia minha vida tranquilamente – apesar dos entraves familiares corriqueiros que vez ou outra aconteciam – até que, em 2001, vivenciei um final de um relacionamento de 11 anos bastante traumático que me desestabilizou por completo.

Motivo? Uma sogra satânica em minha vida.

Uma sogra que tinha na mente o seguinte: o filho dela não era viado. Ele só estava viado por causa da minha companhia. Enquanto ela não sabia de nada, eu era o melhor amigo e pessoa do mundo. Após descobrir, virei o demônio, o anti-cristo encarnado e ela, como boa defensora e protetora da moral cristã, da família e dos bons costumes, tinha o dever de acabar comigo. E foi o que fez.

Três anos enfiada dentro da nossa casa (minha e dele) de onde ela não saia nem para ir na esquina comprar o próprio cigarro. Tudo para estar sempre ao lado do filhinho para defendê-lo do diabão aqui (detalhe: o filhinho tinha mais de 40 anos na época). E assim foi indo dia a dia minando e destruindo algo lindo que existia entre eu e ele. E ele como bom filhinho da mamãe deixou que ela me destruísse sem falar um “a” sequer em minha defesa.

De amigos meus – que ela me humilhava perversamente na frente deles – passando por parentes que ela tocou de minha casa e fazia questão de telefonar e inventar fofocas maldosas – incluindo os meus pais e irmãs – até interferir em meus ambientes profissionais e de estudos, ela fez de tudo um pouco.

Nos separamos e já que ela tinha amaldiçoado tudo o que construímos, que engolisse a própria maldição e convivesse com ela. Abandonei tudo e fui recomeçar a minha vida.

Neste recomeçar, acabei frequentando bares e boates gays. Isso me fez reviver os sentimentos que tomaram conta de mim quando eu ainda era jovem: a frivolidade, falsidade, promiscuidade e jogos de interesses que imperam nos guetos gays, ou seja, tudo e todos são meros objetos descartáveis. Estas coisas me fizeram perceber que aquilo não era a minha praia. Não faz parte de mim esse tipo de vida.

Não consigo ver outra pessoa como um mero objeto sexual, um pedaço de carne exposta numa vitrina onde as pessoas passam, olham, apalpam, julgam a qualidade e decidem se querem levar pra casa ou nao. Também não consigo ver outras pessoas apenas pelo exterior. Dou muito mais valor ao interior que às etiquetas de roupas, idade, beleza externa, ou qualquer coisa que é valorizada no gueto gay. Adoro as marcas da maturidade – os cabelos grizalhando, as marcas de expressão… e por isso só ou por nao valorizar o que o gueto gay acha “normal”, por rejeitar educadamente cantadas de gays mais novos ou fora do biotipo e estilo que eu curto, era constantemente chamado de tia, velha, recalcada e outras coisas que vocês bem conhecem ou podem imaginar.

Óbvio que entrei numa séria crise chegando a ficar uma semana trancado dentro da casinha que eu tinha alugado, sem comer, sem atender telefone nem campainha, sem ligar TV ou a luz. Queria sim morrer. Essa vida não é para mim.

Até que um belo dia ouço a voz de meu pai me chamando na porta e minha mãe batendo na janela do meu quarto. Estavam desesperados pois nem mesmo meus vizinhos nem o único amigo que tinha sobrado tinha alguma noticia de mim. Estavam ha uma semana tentando falar comigo e não conseguiam pois eu tinha tirado o telefone da tomada.

Por estes e outros motivos, eu tinha rompido a minha relação com Deus. Para mim, naquele momento Ele era algo digno de historinhas infantis, criação de mentes perturbadas que viviam uma utopia para sanar ou amenizar suas mazelas e neuroses pessoais. Estava num ponto que Ele existindo ou não era totalmente indiferente para mim. Não agredia ninguém por causa de sua fé, mas que não ousassem vir me falar d’Ele.

Abri a porta e foi como se eu tivesse tirado o mundo de seus ombros. A expressão de alívio, alegria e amor deles tenho gravada até hoje em minha mente.

Mas, eles são evangélicos. Numa tentativa desesperada em me “salvar”, como não encontraram o pastor Elias em Curitiba, acabaram me levando á um templo da Igreja Universal. Lá, no meio da tarde, umas 50 pessoas ouvindo o sermão de um daqueles pastores “estudados”. Mal nos sentamos e ele começa com um papo tipo isso:

“Irmãos, Deus está me pedindo para provar a fé de vocês neste momento. Tenho aqui em mãos alguns CDs do músico de nossa igreja “Fulano de tal”. Se você crê realmente que tudo o que deres a Deus ele lhe dará em dobro, compre agora este CD por R$ 5.000,00.”

Olhei para meus pais com ar de desprezo mas isso foi interrompido por uma senhora que levantou-se, foi lá e preencheu um cheque e comprou o tal CD. Atônito assisti à cena mais bizarra que já presenciei dentro de uma igreja: ele foi negociando a fé daquelas pessoas, abaixando cada vez mais o valor do CD até que a última pessoa comprou-o por meros R$ 0,50. Olhei para meus pais e disse em alto e bom som:

“Se isto for Deus, quero que ele se foda!”

Nisso vieram alguns membros da igreja (diáconos) e perguntaram se precisávamos de oração. Antes que meus pais abrissem a boca lancei:

“Se ousarem orar ou encostar suas mãos imundas sobre mim ou meus pais, a porrada vai rolar aqui dentro.”

Levantei-me e puxei meus pais para fora e fomos embora.

Bom, acabei voltando para a cidade deles, para dentro da casa deles e com uma única condição: “Você vai voltar a frequentar a igreja e vai largar desta vida mundana”.

Amém! Como eu poderia rejeitar se eu estava literalmente fodido? Morando num casebre, passando fome, em depressão profunda, desempregado, com pensamentos suicidas, etc.

Comecei a frequentar a igreja, meio sem jeito pois na cidade pequena, pelo meu passado (a bichinha da escola e do clube), a maioria da congregação sabia que eu era “viado”. Sempre percebia os rabos de olho, o zumzumzum, as risadinhas e podem acreditar: não era mania de perseguição ok?

Claro que tive de conversar com o corpo pastoral da igreja e falar absolutamente tudo sobre minha vida. Um deles, ao me receber para os discipulados, sentava-se em sua cadeira e, enquanto conversavamos, ficava lá do outro lado da mesa patolando-se (quem não sabe o que é isso, é aquele ato de ficar pegando no cacete, juntando gostoso com as mãos, oferecendo-o a quem está observando). Sim, ele estava excitado em todas as vezes. Ele não estava apenas me testando, ele queria sim é entrar na putaria ou ter alguns momentos de putaria comigo ali dentro da sala dele com a porta devidamente trancada. Busquei então outro pastor.

Passei a ser discipulado por um pastor maravilhoso (D.) que assim como eu, tinha uma vida “mundana” pregressa (no caso dele, drogas). Mas infelizmente não percebi os toques sutis que ele tentava me dar. Ele foi mandado para outra igreja e me jogaram nas mãos de um outro pastor, fundamentalista de primeira grandeza.

Tudo o que o Michael coloca no texto dele, eu vivenciei por longos 3 anos. Nada de masturbação, nada de internet, nada de vida noturna ou social – a nao ser que estivesse junto com membros da igreja e apenas com estes. E dá-lhe rejeição, repressão, noites em claro chorando e perguntando a Deus o porque d’Ele nao me tirar a vida já que aquilo nao saía de mim? Que maldição era aquela? O que eu tinha feito de tão ruim para me sentir o pior ser humano da face desta terra? Desprezível? Porque ter de conviver com pais que falavam em alto e bom som que nao deixariam seus filhinhos no berçário porque o pederasta, sodomita estava lá ajudando o departamento infantil naquele dia, e ainda ter de perdoa-los silenciosamente, em oração?

Comecei a frequentar o Exodus por indicação de um membro da igreja pois eu já estava ficando agressivo com algumas pessoas, impaciente e, segundo ele, o ministério poderia me auxiliar.

Foi um encontro, depois outro, e mais outro e ainda muitos outros. Sempre aquela mesma pressão psicológica. Aproveitando as frases do depoimento do Michael para explicar esta fase, fui me afundando ainda mais em culpa, ansiedade e ódio contra mim mesmo. Uma profunda fase de auto-destruição que chegava a picos de auto flagelação quando me deparava diante do espelho do banheiro e me espancava. Só não cometi suicídio pois Deus me fez um homem covarde o suficiente para tal ato. Mas os pensamentos eram exatamente estes:

Eu tenho que me “purificar”. Não há cristão homossexual. Se eu era um cristão de fato, então já não era mais gay aos olhos de Deus. Determine isso em sua vida! Continue orando, pois você não está orando o suficiente e o pecado (inimigo, diabo, etc) está te vencendo. Se você não vencer isso não herdará o reino dos céus. Porque eu não estou mudando? Porque, mesmo depois disso tudo, o Senhor ainda não me apresentou o Espírito Santo? Ainda não bastou tanto sofrimento e angústia? Toma a tua cruz e carregue-a assim como Cristo carregou a dele.

E ainda tinha de ouvir diariamente de diversas pessoas dentro da igreja:

Você pode não ser um cristão verdadeiro. Você não tem fé suficiente. Você não está orando e lendo a Bíblia o suficiente. Talvez você tenha um demônio.Você não é sincero o suficiente. Você não está se esforçando o suficiente. Você não tem fé suficiente. Não caia! Estamos orando muito para que Deus te liberte disso e você encontre a verdadeira felicidade. Você não entregou a sua vida verdadeiramente a Cristo. A Bíblia diz em (…) que o homossexualismo é uma aberração aos olhos de Deus. Você quer ter o mesmo fim dos Sodomitas? Por mais que você mude, jamais será digno e puro como a minha família que nasceu dentro da igreja.

Sim, eles conseguem fazer você se sentir a pessoa mais imunda do mundo. E em momento algum pedem desculpas por isso.

Além disso tudo, arranjaram uma mulher para mim. V. é uma pessoa doce, amiga, cristã verdadeira, digna, ética, tranquila em sua fé. Mas ela me foi apresentada para que eu casasse afim de provar para a sociedade e para a igreja que eu tinha virado hétero. Provar a obra de Deus em minha vida. Porém ela tinha um filho ainda bebê. Perfeito não é mesmo? Caso eu falhasse sexualmente, já teria um filho para apresentar como meu.

Neste mesmo momento, comecei a ser treinado como lider para um futuro ministério de minha igreja de cura da homossexualidade. Tudo isso com acompanhamento e cobranças de um psicólogo evangélico, uma igreja inteira e a família.

V. foi a pessoa mais incrível que eu conheci neste período. Me acompanhou em diversos encontros da Exodus, foi a acampamentos, conversavamos por horas a fio sem nunca nos tocarmos além dos carinhos de amigos (abraços e beijos no rosto). Ela tinha plena consciência de todo o processo pelo qual eu estava passando, de minha vida anterior e respeitava isso. Percebeu que eu não estava “pronto” e soube respeitar. Vivenciou várias de minhas crises existenciais onde eu implorava a Deus para me tirar a vida pois eu nao estava mais suportando tudo aquilo tudo. O fardo que Ele tinha me dado, era grande e pesado demais e eu estava a ponto de arriar a qualquer momento.

A minha depressão de 3 anos atras não só estava latente ainda como tinha piorado muito mais. Só que eu tinha uma válvula de escape: o louvor, o coral da igreja. Era o único momento em que eu me sentia bem dentro da igreja. Digo com convicção que a minha conversão não foi pela Palavra e sim pelo louvor. Foi a música que me reaproximou de Deus. Eu literalmente ligava o fôda-se e me entregava completamente ao louvor e adoração. De mim para Ele, sem me importar com quem estivesse ao lado ou assistindo as apresentações do coral. Como 1° tenor (e dramático ainda), não tinha quem não ouvisse a voz do “eterno viado agora cantante” que buscava desesperadamente a sua salvação.

Finalizava isso, voltava a escuridão. Meu deserto – ou inferno como queiram chamar – se redesenhava à minha frente.

No último encontro da Exodus que participei V. estava comigo. Passei os 3 primeiros dias do encontro chorando copiosamente em alguns momentos e como uma estátua fria e dura em outros. Lembro-me de em determinado momento do sábado a tarde, durante uma das pregações pensar: é hoje.

À noite, um grupo foi para o culto na igreja e outro permaneceu na chácara para fazer uma vigília. Fiquei e fui pro meio da mata com o pessoal. Acendemos a fogueira, começaram o louvor e eu não abri a boca. Fiquei ali estático, sentado, olhando para as chamas da fogueira. Lembro-me que em determinado momento me levantar e começar a orar silenciosamente. Orar não, na verdade eu estava indo pelo mesmo caminho que me fez afastar de Deus no passado: estava em guerra declarada com Deus.

Comecei a questionar tudo aquilo, toda a minha vida pregressa, onde haveria um pecado tão grande que eu tivesse feito que merecesse pagar daquela forma? Se fosse maldição familiar, que diabos eu tinha a ver ou que contas eu tinha a acertar por uma coisa pela qual EU nao tenho culpa alguma? O que é que Ele queria de mim afinal? Ou Ele me libertava ali, naquele momento ou que se esquecesse de mim em definitivo pois eu nao suportava mais aquilo. E caí de joelhos num berreiro (choro) que acabei assustando a todos. Vieram correndo ver o que estava acontecendo comigo.

Nesse momento emudeci por alguns instantes. Quando “voltei” comecei a chorar novamente mas me falaram que era um choro diferente, era um choro de alegria, leve, puro.

Saí dali e fui tomar um banho pois eu estava ensopado de tanto suor e lágrimas e ainda fedendo fumaça por causa da fogueira. Foi um banho restaurador e de limpeza profunda. Conforme a água ia escorrendo por meu corpo fui sentindo todo aquele peso, desespero, agonia, depressão indo pelo ralo, literalmente. Quando saí do quarto os líderes vieram conversar em particular comigo para tentar entender o que tinha sido aquilo tudo. Minha resposta foi seca e direta:

“Vocês já estiveram face a face com Deus? Pois é, acabei de ter com Ele.”

“E o que Ele te falou?”, perguntaram.

“Vá em paz meu filho. Eu te coloquei no mundo para ser feliz. Eu te amo e te aceito exatamente como você é. Estarei sempre com você.”

V. estava ao meu lado, me abraçou, me deu um beijo em minha testa e disse: “Eu sempre soube disso mas você estava tão vendado pelo desespero de sua fé que eu não conseguia brecha para te avisar. Te acompanhei porque em minha orações Deus me falou para te amparar e apoiar. Fique tranquilo, pois eu nunca me iludi com relação a nós.”

Ali eu rompi em definitivo com a Exodus e com essa tentativa estúpida de “cura”.

Mas ainda continuei na Igreja por causa do Coral. Porém não frequentava os cultos com a mesma assiduidade e, quando ia, ficava do lado de fora da igreja conversando com amigos, cristãos verdadeiros. Mas isso não durou muito tempo, apenas mais uns 2 ou 3 meses.

De certo modo comecei a observar quantos homens e mulheres homossexuais tem lá dentro. Muitos mesmo. Vários casados, a familia perfeita aos olhos da igreja, porém, percebia-se em seus olhares o tesao recalcado. Em alguns homens que chegavam perto de mim para conversar sentia aquele cheiro delicioso masculino que o corpo exala nos momentos de tesao. Muitos jovens que eu percebia que só estavam ali por imposição dos pais entre tantas outras coisas.

Bom, durante todo este período conheci vários gays que estavam na mesma situação que a minha. Desesperados, desamparados, rejeitados pelas suas famílias, pela sociedade, sofrendo e passando pelas mesmas coisas que eu estava passando. Ouvi relatos e histórias de vidas pregressas que chocariam até o mais abusado e promíscuo ser humano.

Com tudo isso, chego à conclusão de que sim, Deus enviou um anjo (V.) para cuidar de mim, me amparar durante todo este processo. Depois me presenteou com um companheiro lindo. Um homem digno, íntegro, ético, religioso, carinhoso, atencioso. Depois de um deserto infernal em minha vida, voltei a gozar a plenitude do amor, a vida e claro, literalmente falando.

Muitos daqueles que conheci na ápoca da Exodus se afastaram e voltaram para a sua vida anterior – ou “caíram” como dizem na igreja. Alguns mantiveram a sua fé, a sua religiosidade. Outros, a negaram por completo em revolta por toda a opressão que sofreram enquanto fizeram parte dos seus ministérios.

Não posso tacar pedras na Exodus irresponsavelmente. Tem seus erros e abusos? Tem sim e estes merecem tais pedradas para serem desmascarados. Mas um detalhe eu respeito muito: a verdadeira reaproximação com Deus que ela promove – ao menos no meu caso.

Eu?

Vivo tendo de – tentar – explicar o inexplicável para aqueles que não passaram por isso tudo e por isso só, não conseguem entender: que eu sou sim um gay que professa uma fé protestante. Que vivo em plena paz comigo mesmo e, principalmente, tenho uma linda relação com Deus. Não oro (ou rezo) mais e tampouco frequento templos, mas sempre o louvo cantando, seja na alegria ou na dor.

Aos irmãos em Cristo só digo uma coisa: não orem nunca mais – para ninguém – por este tipo de cura. Orem sim para que Deus os faça pessoas felizes, realizadas e capaz de amar ao próximo assim como Jesus o fez. Orem para que Deus apazigue seus corações e mentes ao ponto em que consigam ouvir a voz d’Ele. Nada além disso.

Não permitam, jamais, que pastores – ou alguém – façam outras pessoas passar por tudo isso que passei.

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Ah que falta me faz uma igreja como essa aqui em Londrina…

Parabéns Betel, pelo verdadeiro Corpo de Cristo que testemunham ser diariamente!

 

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Por: Thiago Fiago

Quando o assunto é o PLC 122/2006, Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho, Júlio Severo, Magno Malta, Marcelo Crivella, e, sobretudo, o pr. Malafaia (e os pupilos e fiéis deles, perfeitos papagaios de pirata) adoram dar seus pitacos a respeito, mas não passam de palpiteiros e apenas isso (ou, no caso de Reinaldo Azevedo, um doxósofo, ou seja, “técnico-da-opinião-que-se-crê-cientista”).

Já cumpri essa missão desmascarando Reinaldo Azevedo, Júlio Severo, Olavo de Carvalho (nos comentários) também, agora parto para provavelmente o maior paladino anti-PLC122, o pastor Malafaia.

Dia 19 pela manhã no Twitter, além dos ridículos ataques me acusando de desconhecer a Constituição, fui desafiado por @J_Valadao a mostrar onde estavam os erros de Malafaia no vídeo de um debate de Malafaia com a deputada Iara Bernardi (parte 01 e parte 02).

Lamento que a dep. tenha se preparado tão mal, sem falar na falta desse dom da oratória para não ser ofuscada por Malafaia. Mais à frente explicarei o porquê. O pastor Malafaia, com toda sua oratória, saiu vencedor. Tanto é assim que foi marcado outro debate, onde, mais uma vez, o PLC 122 teve uma representante despreparada. Contudo, um olhar mais treinado, viu-se que a vitória foi pura retórica, não de argumentos e a seguir mostro as falácias e inverdades.

“A lei criminaliza a opinião”

Nenhuma novidade, já que calúnia, injúria e difamação (e os da Lei Anti-racismo) são crimes de opinião.

“Homofobia é uma pessoa doente na Psiquiatria que quer matar um homossexual”

Provavelmente, se baseou na “Psiquiatria” (mas ele é psicólogo) para dar um verniz mais científico a essa definição, mas homofobia não é isto. Homofobia é preconceito, antipatia, medo ou aversão irracional a LGBTs (não dá pra ser mais simples do que diz a Wikipedia – vejam-se as fontes da definição) e se manifesta por palavras, atos (agressões físicas) e até homicídios bárbaros. Em outras palavras, homofobia está para LGBTs como racismo para negros, machismo para mulheres, anti-semitismo para judeus.

“Lei do privilégio, não de homofobia.”

Não entendo essa crítica. O PLC 122 quando se refere a “orientação sexual”, inclui heterossexuais também. Ou será que o pastor acha apenas que é privilégio o tratamento dado aos grupos hoje previstos na lei anti-racismo, dentre eles os religiosos?

“Alguém na afetividade homossexual for impedido é 02 a 05 anos de cadeia (…) No pátio de uma igreja tem um casal heterossexual e um homossexual (…) e um casal tiver se agarrando e o pastor impedir é 02 a 05 anos de cadeia”

O PLC trata de garantir a LGBTs o direito de manifestar seus sentimentos (um selinho, um abraço, andar de mãos dadas, por ex.), da mesma maneira que hoje casais heteroafetivos o fazem. Nem mais nem menos. Se houver exagero, a punição deverá existir como também seria para um casal heteroafetivo que passe dos limites.

Bem, agora explico o porquê do despreparo de quem fez a defesa do PLC 122 e, ainda, como é incompetente o pastor Malafaia por posar de jurista e ignorar as atualizações desse projeto que, para ele, é tão perigoso. Os vídeos foram postados no dia 24/02/2010. Desde 17/11/2009, a sen. Fátima Cleide havia apresentado um Projeto Substitutivo, que alterou radicalmente a redação.

De minha parte, eu também via como inconstitucional o PLC 122 na redação original (em resumo: muita sede ao pote), mas o referido Projeto Substitutivo sanou esse erro e é plenamente constitucional (como concordam vários juristas de renome nacional e dois ministros do STF).

Assim, descabidas essas críticas, pois a previsão de pena de 02 a 05 anos não existe mais. Aos 4’03” ele cita o artigo que era, de fato, o mais absurdo (art. 20, § 5º), mas que não existe no Substitutivo. As críticas recaem num anacronismo ridículo.

Quanto à manobra na aprovação, foi um erro infeliz e não ofusca os méritos da proposta nem o debate democrático ao longo de toda a tramitação.

“Comparar homossexualismo (sic) com racismo é outra definição. Ninguém nasce homossexual. Homossexualismo é comportamental (…) Negro não pediu pra nascer negro, é negro, criança não pede pra ser criança, é criança, idoso não pede pra ser idoso, é idoso. Querer colocar, querer botar comportamento naquilo que uma pessoa nasce sem opção é uma vergonha. (…) Querer comparar comportamento com raça é o grande jogo deles. Por que se eles fazem uma lei só deles, já tava no lixo há muito tempo, mas eles querem misturar.”

Vergonha, pastor, muita vergonha alheia é o que eu sinto quando um jurista – aliás, um poser de jurista – ignora um conceito tão básico como o de “analogia”. Explico: analogia, segundo o dicionário Michaelis (1998), como “semelhança de propriedades”, “semelhança em algumas particularidades”. São semelhanças existentes entre coisas, seres de naturezas distintas (maiores detalhes aqui).

Já que o pastor não aceita a homossexualidade como fenômeno normal da sexualidade, eu quero lembrar que “religião”, hoje protegida na Lei Anti-racismo, também não é condição inata, foi incluída na lei porque religiosos foram, ao longo da história, um grupo discriminado e sistematicamente perseguido, tal qual negros, judeus. E é exatamente por ser um grupo social histórica e sistematicamente discriminado que LGBTs, assim como religiosos, devem ser incluídos na Lei Anti-racismo.

Esse argumento é uma sinuca de bico: se se fala em “escolha/opção sexual”, em “comportamento” de LGBTs e daí se conclui ser ilegítima inclusão desse grupo na Lei Anti-racismo, automaticamente se reconhece que “religião” e “procedência nacional” também não deveriam estar na lei porque são prática/conduta e escolha (ainda que dos pais), respectivamente; contudo, se se alega que “religião” e “procedência nacional” devem sim ficar na lei porque indicam grupos histórica e sistematicamente discriminados, forçosamente se reconhecerá o argumento justificando inclusão dos LGBT’s. Não há meio-termo.

Não é apenas o Movimento LGBT brasileiro que faz essa comparação, o Parlamento Europeu considera homofobia equiparável a racismo, xenofobia, anti-semitismo, sexismo; a ONU igualmente.

“Eu provo na Ciência, não existe ordem cromossômica homossexual, ordem cromossômica é macho e fêmea. ”

Para Malafaia homossexualidade é prática, conduta. Religião também, já que não se tem notícia de que se nasça hinduísta, evangélico… Ou há uma ordem cromossômica para religiosos? Para negros (cuja diferença é apenas mais melanina na pele)? As comparações de Malafaia só são feitas quando convém, por mais falaciosas que sejam.

“Eu vou provar pra deputada que a lei criminaliza e ela é contra a Constituição, o art. 5º, inc. IV. (…) Os grupos de homossexuais me denunciaram no MJ tentando tirar meu programa do ar porque eu preguei com a Bíblia a questão da homossexualidade. Eles tentarão me incriminar no CFP, eu como pastor antes da lei ser aprovada.”

Difícil opinar se não se sabe o conteúdo das declarações – e a julgar quem as faz é de se ter receio –, mas pra que o uso do “incriminar”? No máximo poderia ter o registro profissional cassado caso dissesse que homosexualidade é doença ou adotasse, na sua atividade de psicólogo, um “tratamento para cura” (conforme art. 3º da Resolução 01/1999 do Conselho Federal de Psicologia).

“Os grupos homossexuais não suportam o debate crítico. E a democracia (…) a marca da democracia é a livre expressão de opinião.”

Uma estúpida generalização fácil de desmentir: foram realizadas diversas audiências públicas na Câmara e no Senado.

“Tomara que essa lei seja aprovada porque ela não tem em lugar nenhum do mundo…”

Existem leis que punem a homofobia no Canadá, África do Sul, México, EUA, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Argentina, Bolívia, Colômbia (aqui, está na própria Constituição!), Equador, Guiana Francesa, Peru, Uruguai, Venezuela, Isael, Nepal, dentre outros. O Brasil faz parte do grupo de países que não tem uma lei desse tipo e cujos índices de desenvolvimento, respeito aos Direitos Humanos são baixíssimos.

Pra finalizar, diz que o “verdadeiro descriminado do Brasil é o pobre, os jovens assassinados é número ínfimo e LGBTS não são grupo de risco”.

Ignorar episódios homofóbicos como o da av. Paulista, o assassinato de inocentes como o menino Alexandre Ivo, de apenas 14 anos, não faz menos verdadeira e cruel a realidade cotidiana da homofobia vivida pelos LGBTs do Brasil, aliás crimes de ódio homofóbico crescem no mundo inteiro, segundo alerta da ONU no último dia 17, dia mundial do combate à homofobia.

Pastor Malafaia, estou à disposição para um debate na TV, na rádio, em um jornal, nas redes sociais da internet, onde for. Desmascarei aqui suas falácias e faria de novo em qualquer outra oportunidade.

Só restou, de todo o debate, apenas a retórica de Malafaia. Ainda hoje ele fala em “mordaça gay”. Os seguidores o aplaudem e parabenizam pela aguerrida luta anti-PLC 122… Já eu, que não me deixo impressionar por esses posers de plantão penso:

Como! Um grande homem? Não vejo nada além de um comediante do próprio ideal. (Nietzsche)

Carta aberta de Católicas pelo Direito de Decidir à Presidenta Dilma Rousseff sobre a polêmica criada em torno do kit anti-homofobia


Presidenta Dilma,

Estamos estarrecidas! A polêmica criada em torno do kit anti-homofobia e o recuo do governo federal ante as pressões vindas de alguns dos setores mais conservadores e preconceituosos da sociedade nos deixou perplexas. E temerosas do que se anuncia para uma sociedade que convive com os maiores índices de violência e crimes de morte cometidos contra pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersex (LGBTTI) do mundo. Temos medo de um retorno às trevas, senhora Presidenta, e não sem motivos.

A vitoriosa pressão contra o kit anti-homofobia da bancada religiosa, majoritariamente composta por conservadores evangélicos e católicos, em um momento em que denúncias de corrupção atingem o governo, traz de volta ao cenário político a velha prática de se fazer uso de direitos civis como moeda de troca. Trocam-se, mais uma vez, votos preciosos e silêncio conivente pelo apoio ao preconceito homofóbico que retira de quase vinte milhões de brasileiros e brasileiras o direito a uma vida sem violência e sem ódio. A dignidade e a vida de pessoas LGBTTI estão valendo muito pouco nesse mercado escuso da política do toma-lá-dá-cá, senhora Presidenta! E o compromisso com a verdade parece que nada vale também.

Presidenta, convenhamos, a senhora sabe que o kit anti-homofobia é um material educativo, que não tem por finalidade induzir jovens a se tornarem homossexuais, até mesmo porque isso é impossível, como tod@s sabemos. Não se induz ninguém a sentir amor ou desejo por outrem. Mas respeito, sim. E ódio também, senhora Presidenta… ódio é possível ensinar! Poderíamos olhar para trás e ver o ódio que a propaganda nazista induziu contra judeus, ciganos, homossexuais. Porém, infelizmente, não precisamos ir tão atrás no tempo. Temos terríveis exemplos recentes de agressões covardes e aviltantes a pessoas LGBTTI e o enorme índice de violência contra as mulheres acontecendo aqui mesmo, em nosso próprio país.

Quando a senhora afirma, legitimando os conservadores homofóbicos, que é contra a propaganda da “opção” sexual, faz parecer que alguém pode, de fato, “optar” por sentir esse ou aquele desejo. Amor, desejo, afeto não são opcionais, ninguém escolhe por quem se apaixona, senhora Presidenta! Mas se escolhe ferir, matar, humilhar.

Quando a senhora diz que todo material do governo que se refira a “costumes” deve passar por uma consulta a “setores interessados” da sociedade antes de serem publicados ou divulgados, como estampam hoje os jornais, ficamos ainda mais perplexas. De que “costumes” estamos falando, senhora Presidenta? E de que “setores interessados”? Não se trata de “costumes”, mas de direitos de cidadania que estão sendo violados recorrentemente em nosso país e em nome de uma moral religiosa conservadora, patriarcal, misógina, racista e homofóbica. Trata-se de direitos humanos que são negados a milhões de pessoas em nosso país!

E “setores interessados”, nesse caso, deveria significar a população LGBTTI e todas as forças democráticas do nosso país que não querem ter um governo preso a alianças políticas duvidosas, ainda mais com setores “interessados” em retrocessos políticos quanto aos direitos humanos da população brasileira.

O país que a senhora governa ratificou resoluções da ONU tomadas em grandes conferências internacionais, em Cairo (1994) e em Beijing (1995), comprometendo-se a trabalhar para que os direitos sexuais e os direitos reprodutivos sejam reconhecidos como direitos humanos. No entanto, até hoje pessoas LGBTTI morrem por não terem seus direitos garantidos. Mulheres morrem pela criminalização do aborto e pela violência de gênero.

Comemoramos quando uma mulher foi eleita ao cargo máximo de nosso país. Ainda mais porque, como boa parcela da sociedade, levantamos nossa voz contra o aviltamento do Estado laico, ao termos um uso perverso da religião nas campanhas eleitorais de 2010 para desqualificar uma mulher competente e com compromisso com a dignidade humana. Antes ainda, levantamos nossa voz a favor do III PNDH, seguras de que deveria ser um instrumento de aprofundamento do respeito aos direitos humanos em nosso país. Agora não temos o que comemorar, senhora Presidenta! Parece que o medo está, de novo, vencendo a verdade. E a dignidade.

Infelizmente, temos de – mais uma vez! – vir a público exigir que os princípios do Estado laico sejam cumpridos. Como a senhora bem sabe, a laicidade é essencial à democracia e não se dá pela simples imposição da vontade da maioria, pois isso resulta em desrespeito aos direitos humanos das minorias, sejam elas religiosas, étnico-raciais, de gênero ou orientação sexual. Não existe democracia se não forem respeitados os direitos humanos de todas as pessoas. Impor a crença religiosa de uma parcela da população ao conjunto da sociedade coloca em risco a própria democracia, já que os direitos humanos de diversos segmentos sociais estão sendo violados. Portanto, senhora Presidenta, não seja conivente! Não permita que alguns setores da sociedade façam do Estado laico um conceito vazio, um ideal abstrato.

Como Católicas pelo Direito de Decidir, repudiamos o uso das religiões neste contexto de manipulação política e afirmamos nosso compromisso com a laicidade do Estado, com a dignidade humana e nosso apoio ao uso do kit educativo pelo fim da homofobia nas escolas brasileiras.

Fonte: Católicas pelo direito de decidir.

Por: Luis Eduardo de M. Teixeira*

1.Breve história sobre intolerância à minorias

O fim de tudo reside na inversão dos fatores: minha híbris (terrível ira grega) é um problema deles. Essa híbris baseia seus argumentos nas pulsões incontroláveis: é mais forte que eu! Uma estratégia racional da irracionalidade, “detenha-me ou farei algo de ruim!”. E alguém mudaria detendo-o?

Pessoas que não se preocupam com a morte dos outros, nem com a sua própria, ativam um dispositivo apocalíptico diante de nossos olhos como mensagem de um futuro abominável. Não se deve fugir ou ignorar essas imagens. Atentados a escolas, guerras sem razão, sequestros de aviões, xenofobia, homofobia, etc…

Grupos pequenos, como os chechenos na Rússia, tal como negros, judeus, homossexuais no nazismo ou atualmente nesse século no Ocidente, a “nova cruzada religiosa neopentecostal cristã” e o “catolicismo ortodoxo” contra LGBTs e os direitos humanos inatos, todos esses grupos do passado ou atuais, são acusados de crimes, de desvios, de imoralidades. Grupos historicamente massacrados transformados em culpados, criminosos, “impróprios”. O mimetismo odioso de algo que já foi no passado das primeira e segunda guerras para o presente cria uma espiral diabólica: o terrorismo de Estado já visto para um terrorismo de minúsculos grupos políticos ou religiosos funcionando como espelhos um do outro.

Dado o comando niilista desses grupos, as “forças de ordem” ao ou danificarem, ou matarem, tornam-se “libertação do mal”. Não precisa uma decisão explicíta para atacar: a faísca para o estopim será atribuída a um “acaso”. Nesses casos, negociar com tais grupos é sinônimo ou confissão de fraqueza, e a força deve permanecer no poder.

2. O mundo do “tudo posso naquilo que creio” e o princípio da destruição

Há uma vontade de viver sem respeitar regras e proibições: niilistas!

Vamos considerar três versões desse niilismo doentio instalado na raiz da sociedade Ocidental:

1. O niilismo derradeiro e absoluto – consiste no assassino suicidário que se transforma em refém do próprio projeto de destruição que arquitetou;

2. O niilismo ativo – acreditam que tudo é permitido e não distinguem mentira e verdade;

3. O niilismo passivo – o mais grave, exercido por todos nós que assistimos, negando o princípio da realidade, fechando os olhos e permitindo tudo a quem se permitiu ou denominou todo o poder de executar seus projetos.

Muito mais euforicamente afirmado agora, Nietzsche já havia identificado os três estados do consentimento da crueldade, para em seguida, decifrar sua triunfante decisão:

“Depois do camelo – que suporta – vem o leão – que transgride e aniquila – e, enfim, a criança, “inocência e esquecimento”, eterno retorno que se permite TUDO, pois ignora a existência da morte.”

O princípio da destruição reside em nós, quer saibamos disso ou não, martelam os autores trágicos. O ódio se espalha, como uma desregulação essencialmente mental que toma conta do corpo, das mentes e da coletividade. Imre Kertész, sobrevivente do Auschwitz e depois do comunismo repressor, prêmio nobel da Hungria, escreveu:

“Um dia deveríamos analisar o volume de ressentimentos que induz a inteligência contemporânea a desprezar a razão; deveríamos empreender uma história intelectual do ódio no intelecto”.

Racismos, chauvinismos, fanatismos… os aparentes renascimentos de uma agressividade que acreditávamos extinta nos espanta. Mas não seria o caso de se espantar com esse espanto? A roda desses “fatos corriqueiros”, bastante cotidianos, indica a grande quantidade de chispas de fogo ocultas sob nossa frágil paz civil. É bastante desonesto a escolha de dormir tranquilamente a qualquer preço, desprezando qualquer tipo de reflexão, qualquer tipo de argumento, em um comportamento obstinado de rejeição aos duros apelos infligidos pela atualidade.

3. Uma análise da construção de um fundamentalista religioso

Um caldeirão de elementos em conflito formulam a base de um fundamentalista religioso. Enumera-se:

1. Conflito fé x verdade: a base do cristianismo está na fuga da realidade. São abordagens imaginárias de causas e efeitos (“Deus”, “alma”, “eu”, “espírito”, “livre-arbítrio”, “pecado”, “salvação”, “graça”, “castigo”, “perdão dos pecados”);

2. Relação de ser e ciência “natural” (Deus e antropocentrismo, sem conceito absoluto de causas naturais);

3. Uma psicologia ligada à teologia (arrependimento, remorso, culpa, tentação do diabo, demoníaco, presença divina, arrebatamento, reino divino, juízo final, vida eterna);

4. É um mundo fictício que falseia, despreza e/ou nega a realidade vivida;

Contrapuseram o conceito de natureza com o conceito de Deus: natural equivale-se a desprezível. Fundamentalizam um ódio pela e contra a realidade! Sofrer pela realidade e fugir dela significa falir a realidade, vivendo em um mundo de ilusões e fechado em si mesmo. Deus então, nesse caso, é um “Deus dos fracos”, que deturpam conceito de fraqueza e covardia à “escolha” : “bons e escolhidos por Deus”.

Os instintos dos submissos e dos oprimidos colocam-se em primeiro termo: os mais baixos procuram uma salvação. E nessa salvação desenrolam um remédio contra suas angústias (fuga da realidade), assimilando uma casuística do pecado, da crítica de si, a inquisição da consciência, tudo para delirantemente manter-se conectado ao um afeto com um “Deus”: o mais elevado no plano imanente que um ser humano poderia exercer fica inacessível aos homens, atribuindo a perfeição à Deus. A fraqueza é a fórmula para o triunfo do cristianismo fundamentalista: dominar “feras”, deixando-as doentes psicologicamente e instintivamente, enquanto seres humanos que possuem vigor, vivência, estímulos, motivações, percepções, concepções, sonhos…. Da fraqueza, viria o amansamento da civilização: o fundamentalismo adoece uma população!

Desse adoecer, para que a pessoa “se cure”, é preciso que se sinta culpada. Pronto: agora há aptidão para a “felicidade”, tais como quando nos curamos de uma febre e nos alegramos pelo fim do estado febril,. O cristão bruto sequer guarda para si o mérito da saúde, atribuindo à Deus. Será que não houve troca de estado febril para renuncia de si?

Alcança-se a felicidade através de uma coisa chamada de “fé”, que nada mais é o descrédito na razão e na realidade, no conhecimento, na investigação da verdade, de forma incontestável, sem diálogo, sem ouvidos. Será isso fé mesmo?

Seja o que for, essa “fé” é uma força motriz que os colocam em movimento. Paradoxalmente, o enfraquecido ao regojizar-se de um fenômeno “divino e especial”, onde “poucos são escolhidos e os que não são, exilados”, desperta em si o mais obscuro do homem, que seria um ódio sem tamanho mascarado de “fé”, contra os que lhes são diferente e são felizes, sem sentirem-se culpados pelo que são! Ser cristão bruto é ser cruel consigo e com outrem: há ódio aos que pensam de outra maneira, vivem a realidade, e uma vontade de perseguir, censurando-lhes. Justificam-se em uma lógica do “melhor do que a mim, só Deus”, restando ao outro, o pior dos homens, que um dia foi conhecido ou vivenciado ao cristão bruto. É ódio contra sentidos, espíritos livres. É ódio contra a liberdade de pensar diferente do mecanismo de vitimização de si. É ódio contra a diversidade. Viraram verdadeiras “bombas humanas”.

Uma bomba humana funciona movida a ódio. Essa fantástica energia destrutiva arranca pessoas das normas e as lança num jogo dinâmico da destruição do outro que incita sacrificar-se. Essa forma de suicídio é pontualmente classificada como alienação mental, uma parte dos arquivos de alienações mentais.

Somente um paranoico, um esquizofrênico, um psicótico pode pretender acabar com o mundo e consigo mesmo. Uma vítima infeliz da falta de boas referências, ele se insere em um bando de alienados irresponsáveis e age menos por si mesmo e mais pelos outros. Tem “acessos delirantes produzidos por overdoses de fé”.

Mas nem todos os miseráveis, humilhados, ofendidos, incultos, débeis, párias, drogados doentios do planeta se fazem determinados a explodirem pessoas inocentes até o seu suicídio! Todas as justificativas, generalizadas e generalizantes, nunca levam em conta a iniciativa individual, a determinação, a racionalidade irracional de quem tem conhecimento de causa, que ateia o fogo em sua auto explosão contra os “injuriosos”. E bem se sabe, a transgressão atrai a transgressão. O contágio do ódio ultrapassa as normas, dá o exemplo a outros e engrenam a roda. Freud fala da pulsão de morte: a partir de Eros – o – desejo, um subterrâneo poder de destruição caminha simultaneamente. Essa pulsão intuída por Freud reveste essa cultura, mesmo se ela se apavora diante desta força destruidora, mesmo se ela a recalca.

Fujam dos ideólogos, dos religiosos que ocultam a bomba humana com justificativas, motivações, pretextos e falsos brilhantismos teóricos ou sentimentais prontos a encobrir a violência crua com um véu de pudor.

4. O ódio se espalha

O ódio é colonialista. O ódio é racista. O ódio insufla o ódio. Enquanto alguns afirmam que o terrorismo é filho da guerra, outros afirmam que a opressão que as minorias causam aos que são maioria e não conseguem conviver com uma diversidade, com uma pluralidade, é a causa do terrorismo e que libertar o mundo desses grupos é dever da paz. Contradição: ninguém ignora dever cívico e morte homicida de alguns milhares de grupos minoritários como justificativas para ” forças de paz”!

A cólera é como uma rocha no caminho. A cólera, para Sêneca (tragediógrafo grego especialista no lado obscuro do homem), é um “vício voluntário da alma”. Voluntário é leve demais! Ela pressupõe o assentimento. É uma paixão lógica: um discurso implícito a organiza. A cólera apodera-se dos discursos e conquista espaço e tempo. Irascibilidade e mau conselho navegam junto.

Cito a cólera para afirmar que o ódio é a arte de conservar, nutrir, ampliar uma cólera, narrando histórias que jogam num abismo onde tudo desaparece. E perdidos por perdidos, onde tudo desaparece, o colérico se prefere “ninguém”: não é mais nada, é o NADA.

Quanto mais se afasta do mundo real e dos outros, quanto mais se descobre alienado, sem passado nem família, mais acumula energia explosiva para transformar dor em furor; sua própria dor em furor.

Furores devastadores costumam tentar evitar uma autoria. O silêncio cumpre um papel importante, devastador, que abre um vazio e um estupor de perguntas sem respostas: quem foi o autor? O que motivou? Por quê?

Nada!!! Só o silêncio… que desencadeiam imaginários e imaginações, desde os racionalizados aos mais enlouquecidos!

O que se pretende com isso, ao desvendarmos pelo menos o fundo da questão não respondida, é construírem uma máscara rasgada aqui e agora: desejam atribuir a um destino funesto, natural, anônimo e fatal, mas que possui uma coerência oculta e estratégica em cada ato arquitetado, em cada mente arquitetônica.

O resultado do egoísmo colérico é uma explicação e exposição da dor individual atingindo a todos no mundo. A cólera que o homem cruel dirige primeiro a si, recai sobre tantos outros, impondo-se ao mundo: o vazio interior que ele imaginou tanto ser acaba sendo em terra, ao vivo, a própria encarnação, cabendo aos outros apenas suportar o seu capricho de destruir o que quiser.

E o furor não se contenta em ordenar transgressões, colocar tudo em ordem, pois desde que toma as rédeas do jogo, normas são eliminadas, abolidas, ignoradas, dissipadas. Cessados os bons sentimentos, os bons costumes, a boa convivência, uma ternura aparente leva ao crime, o ódio passa a comandar, passa a falar ao ódio e dialogar em si mesmo, somente a ele –a- ele: torna-se medida de todas as coisas. O ódio assume o lugar do amor, a desonestidade o da honestidade, a injustiça da justiça.

O evangelho do ódio revela o segredo da fúria do vencedor. Enquanto se desvencilha de todos os laços, aprisiona seus múltiplos adversários na rede de condutas sociais corretas e dos sentimentos edificantes. Nesse momento, que é certo, ele habilmente age contra seus prisioneiros. Os furores, considerados erroneamente como cegos, aproveitam-se da boa vontade daqueles que pretendem destruir.

Os furiosos colocam seus prisioneiros diante de uma imposição paradoxal da qual eles não tem a menor idéia: se você me escuta, está atado a mim pés e mãos; se não, se expõe a remorsos de sua consciência e minha vingança. Nos dois casos, você está derrotado. Eis aí os outros aprisionados num duplo vínculo, como teorizaram psicólogos de Palo Alto, Califónia. A religião fundamentalista, enquanto movimento de massas, estendendo-se para o campo político através da exploração da fé, utiliza-se do duplo vínculo para a recuperação de prestígio político, explicando como muitos pastores são eleitos, e como corruptos antes desacreditados da população, tornam-se verdadeiros “santos”.

O furioso não é totalmente um louco, mas transforma em loucos todos aqueles que não enfrentam seu olhar, temerosos de contemplar o impensável, esse bloco de ódio absoluto que se transformou.

O furor não conhece deus, nem senhor : obriga a um mortal a romper com passado e com tudo que o cerca para investi-lo em uma total ausência de ética . Não se deixa dialetizar, nem conversar. As ruínas que espalha não anunciam um futuro radioso, novo e melhor. A inquietude que propaga não é, de modo algum, uma astúcia de razão ou do “bom Deus”. Para ele, não existe possibilidade de chegar à virtude passando pelos caminhos tortuosos do vício. A alquimia do ódio é transformar um nada em um nada mais vasto ainda. E só!

Luis Eduardo de M. Teixeira , 29 anos, filósofo, poeta, contista , ciberativista

Por: Rev. Márcio Retamero

Olhe bem pra esse cartaz. Leia com atenção e tente responder: a atitude que este cartaz ilustra é liberdade de expressão, um dos mais caros valores de um Estado Democrático de Direito ou é “outra coisa”, como a injúria, por exemplo?


Presta atenção: o senhor da foto está “exercendo sua liberdade de expressão e religiosa” próximo ao posto policial do Largo da Carioca! Ele não faz questão de esconder. Ele tem plena convicção de que está certo. O “deus” dele soletra “sexo gay” como AIDS!

Eis ai o exemplo de um religioso fundamentalista. Ele advoga este tipo de “liberdade de expressão”. Ele se acha no direito de usar a bíblia para atacar pessoas, para injuriá-las. Note as citações bíblicas no cartaz, todas tiradas fora do contexto para legitimar o pensamento dele que diz: Deus abomina homossexuais.

Este porta um cartaz. Silas Malafaia, o líder dessa gente, em palestras que dá pelo Brasil a fora, compara gays e lésbicas com a escória da sociedade humana, nivelando-nos abaixo do chão. Magno Malta, outro líder fundamentalista, mas de outro tipo, do tipo raposa política, que qual vampiro suga o resultado do trabalho do discurso fundamentalista na cabeça de um crente, que minando mais e mais seu senso crítico, faz declarações do mesmo tipo desde a tribuna do Congresso Nacional.

Para essa gente, “liberdade de expressão” é o direito à difamação e à injúria. Eles levam para mais longe, pelo discurso, a linha tênue que demarca tais espaços numa sociedade democrática. Chamam de liberdade, de direito, o discurso maléfico que, tal qual a Mão Invisível do Adam Smith, move a mão que mata gays e lésbicas.

Gays e lésbicas são as saídas dessa gente – as únicas atualmente, as últimas que restaram – para levantarem a nuvem de fumaça ao redor de suas obras más, de seus intentos nada nobres, de suas ações que a luz não pode iluminar, pois então revelariam o quão hipócritas são. Gays e lésbicas são hoje o que no passado foram os judeus, os negros, os “pagãos” das Américas: gente que deveria ser extirpada da face da Terra ou usada como objeto para satisfazer o ventre dos poderosos e sua sede de enriquecimento.

Gays e lésbicas são a última “Geni”, boa pra cuspir, boa pra apanhar, boa pra atirar pedras que restou numa sociedade que busca a cada dia avançar nos direitos civis e humanos de seus povos, garantindo-lhes cidadania plena. Gays e lésbicas são o último jugo a ser quebrado.

Pra que falar da altíssima arrecadação de dízimos e ofertas que permitem a aquisição de jatinhos e andar pra cima e pra baixo de limousine? Pra que ser transparente nas receitas e nas despesas se dízimos e ofertas não são “taxados”? Pra que dar conta do que se arrecada e do que se gasta e como gasta e em que gasta se a legislação permite que se registre de jatinhos e outros bens no nome da “entidade sem fins lucrativos” que presidem?

Pra que pregar o único Evangelho se o herói desta saga paga com a vida numa cruz, depois de ser torturado e ridicularizado? Imagine que eles querem o único Evangelho! Não querem morrer! Querem é gozar a vida e do melhor que ela tem a oferecer em termos de bens materiais!

Pra que se olhar, sondar o coração e examinar a consciência se eles têm o “outro”, a “Geni” para nela se projetar?

O outro sempre é a saída pra gente que sabe que faz o que não deveria fazer; pra quem tem consciência da maldade dos seus atos e da perfídia de seus pensamentos que condicionam seus atos. Esqueça tudo o que a Bíblia ensina sobre o pecado, a honestidade, o direito do excluído, sobre o amor incondicional e sobre a vida honesta e simples que o que professa o Nome de Jesus deve ter. Esqueça, pois isso não dá dinheiro, não traz prosperidade, não permite a compra de jatinhos, apartamentos e limousines! Esqueça, pois pregar sobre o direito, a justiça e o amor, faz pensar, faz nascer o senso crítico e isso não dá voto na urna eletrônica em dia de eleição!

Eu não conheço o homem que fica no Largo da Carioca com o cartaz injurioso. Certamente em seu coração e em sua mente, por mais horrível que isso seja, pensa que está fazendo o certo e “pregando a Palavra de Deus”. Ele foi inoculado com o veneno chamado “fundamentalismo religioso”. Ele é algoz e vítima ao mesmo tempo. Ele é o fruto da pregação de Silas Malafaia e Magno Malta e sua laia fundamentalista que, quais cobras najas, hipnotizam suas presas. Ele é a mão visível operada pela mão invisível do fundamentalismo religioso.

Óbvio que isso tudo não o desculpa! Óbvio que ele é agente, consciente ou inconsciente, da disseminação da homofobia e por isso deveria responder judicialmente pelos seus atos. Acontece que homofobia no Brasil não é crime – ainda! A pergunta que não se cala é: este homem pode ser processado judicialmente pelo ato que, dia após dia, comete numa das praças mais movimentadas de uma metrópole como o Rio de Janeiro?

Seu cartaz é salvaguardado pelo direito garantido na Carta Magna de liberdade de expressão e liberdade religiosa?

Com a palavra a Superintendência de Direitos Humanos, Coletivos e Difusos da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do governo do estado do Rio de Janeiro e a Coordenadoria da Diversidade Sexual (CEDS-Rio), bem como o movimento social organizado LGBT do RJ.

Nós da Igreja Inclusiva entendemos que o que este homem faz com seu cartaz injurioso aos gays deste país não é, nunca foi e jamais será aquilo que a Carta Magna do Brasil reza como liberdade de expressão e liberdade religiosa. Entendemos que, no âmbito do Estado Democrático de Direito, o que este homem faz deve ser punido, pois é criminoso. Entendemos que liberdade de expressão e religiosa, no âmbito do Estado Democrático de Direito, não é carta branca para a injúria, a difamação, a exclusão, o preconceito, e, por isso, denunciamos aqui, esta injuriosa ação, conclamando que os órgãos de Direitos Humanos e o movimento social organizado LGBT nos ajude no combate concreto ao fundamentalismo religioso em nossa nação, a mão invisível por trás de cada assassinato de pessoas LGBT em nosso solo.

BASTA!

Cláudio Nascimento, Carlos Tufvesson, Toni Reis, e demais líderes do movimento social LGBT: ação já!

Por um Rio de Janeiro sem homofobia! Pelos Direitos da Pessoa Humana,

Rev. Márcio Retamero

Igreja da Comunidade Metropolitana do Brasil – Comunidade Betel RJ.

via: Fora do Armário

Por: Frei betto

É no mínimo surpreendente constatar as pressões sobre o Senado para evitar a lei que criminaliza a homofobia. Sofrem de amnésia os que insistem em segregar, discriminar, satanizar e condenar os casais homoafetivos. No tempo de Jesus, os segregados eram os pagãos, os doentes, os que exerciam determinadas atividades profissionais, como açougueiros e fiscais de renda. Com todos esses Jesus teve uma atitude inclusiva. Mais tarde, vitimizaram indígenas, negros, hereges e judeus. Hoje, homossexuais, muçulmanos e migrantes pobres (incluídas as “pessoas diferenciadas”…).

Relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são ilegais em mais de 80 nações. Em alguns países islâmicos elas são punidas com castigos físicos ou pena de morte (Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Nigéria etc). No 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 2008, 27 países-membros da União Europeia assinaram resolução à ONU pela “despenalização universal da homossexualidade”.

A Igreja Católica deu um pequeno passo adiante ao incluir no seu catecismo a exigência de se evitar qualquer discriminação a homossexuais. No entanto, silenciam as autoridades eclesiásticas quando se trata de se pronunciar contra a homofobia. E, no entanto, se escutou sua discordância à decisão do STF ao aprovar o direito de união civil dos homoafetivos.

Ninguém escolhe ser homo ou heterossexual. A pessoa nasce assim. E, à luz do Evangelho, a Igreja não tem o direito de encarar ninguém como homo ou hetero, e sim como filho de Deus, chamado à comunhão com Ele e com o próximo, destinatário da graça divina.

São alarmantes os índices de agressões e assassinatos de homossexuais no Brasil. A urgência de uma lei contra a violência simbólica, que instaura procedimento social e fomenta a cultura da satanização.

A Igreja Católica já não condena homossexuais, mas impede que eles manifestem o seu amor por pessoas do mesmo sexo. Ora, todo amor não decorre de Deus? Não diz a Carta de João (I,7) que “quem ama conhece a Deus” (observe que João não diz que quem conhece a Deus ama…).

Por que fingir ignorar que o amor exige união e querer que essa união permaneça à margem da lei? No matrimônio são os noivos os verdadeiros ministros. E não o padre, como muitos imaginam. Pode a teologia negar a essencial sacramentalidade da união de duas pessoas que se amam, ainda que do mesmo sexo?

Ora, direis, ouvir a Bíblia! Sim, no contexto patriarcal em que foi escrita seria estranho aprovar o homossexualismo. Mas muitas passagens o subtendem, como o amor entre Davi por Jônatas (I Samuel 18), o centurião romano interessado na cura de seu servo (Lucas 7) e os “eunucos de nascença” (Mateus 19). E a tomar a Bíblia literalmente, teríamos que passar ao fio da espada todos que professam crenças diferentes da nossa e odiar pai e mãe para verdadeiramente seguir a Jesus.

Há que passar da hermenêutica singularizadora para a hermenêutica pluralizadora. Ontem, a Igreja Católica acusava os judeus de assassinos de Jesus; condenava ao limbo crianças mortas sem batismo; considerava legítima a escravidão;e censurava o empréstimo a juros. Por que excluir casais homoafetivos de direitos civis e religiosos?

Pecado é aceitar os mecanismos de exclusão e selecionar seres humanos por fatores biológicos, raciais, étnicos ou sexuais. Todos são filhos amados por Deus. Todos têm como vocação essencial amar e ser amados. A lei é feita para a pessoa, insiste Jesus, e não a pessoa para a lei.

FREI BETTO é escritor.

Via: Conteúdo Livre

Só me faltava essa agora!

Em resposta ao que você havia publicado recentemente em seu site, escrevi um texto enorme. Sim,  reconheço que nele havia impropérios tremendos, mas fui me dando conta de que tudo aquilo que escrevi não merecia ser publicado, não por você ser quem é, mas pelo fato de que todas aquelas palavras poderiam “sujar” meu blog.

Pois bem, durante estes dias, desde que você publicou o texto, venho refletindo e conversando muito com Deus até que ontem à noite, no banho – nas águas purificadoras – ocorreu-me uma coisa: para que darei munição ao inimigo?

Deleta tudo!

Não vou mais dissecar item por item de seu texto no qual se gaba por ser autor do neologismo (WAWW!!!) Homodiafonia. Acho que vou lançar alguns também: cristãocafonia, talvez cristãobabaquice ou ainda, o melhor,  CristãoDuCapeta.

Bom, brincadeiras à parte, o papo é o seguinte: de nada adianta você, outros pastores e tantos outros autodenominados “cristãos” ficarem berrando em seus templos ou publicando textos lixos como esse na web. Incluem aqui também os livros e panfletinhos estúpidos feitos por vocês que só servem para doentese isso, nós gays, definitivamente não somos.

Esta igreja sabe de todo o calvário a que fui submetido por longos três anos, tentando “me curar”, tentando tratar como doença o que para mim hoje é virtude do coração, do corpo e da alma, uma forma de amar e desejar que me realiza como homem e como ser humano. Uma dimensão erótico-afetiva da sexualidade – a forma como naturalmente minha sexualidade se realiza erótica e afetivamente – dentre tantas formas que todo e qualquer ser humano vivencia seja hetero, homo, bi, pansexual ou tomatesexual.

Em vão tive que enfrentar um “deserto” no qual fui lançado e lá, no final das contas, numa experiência que tenho certeza que poucos cristãos já tiveram, Deus veio ao meu encontro, tomou a minha mão para me libertar exatamente do lugar onde vocês tinham me mandado para me curar: um encontro da Exodus. Não vou entrar em detalhes pois até imagino como você vai interpretar demoniacamente esta manifestação tão marcante de Deus em minha vida: por seu olhar obscurecido e coração empedernido certamente vai afirmar que não foi Deus, foi o capeta; você entendeu errado, Ele estava te provando e você entendeu errado; e por aí vai. Não vale a pena ouvir tudo isso de novo.

O que quero dizer, pastor, é que hoje vivo plenamente em paz com Deus. Uma paz profunda, revigoradora, revitalizante. Mantenho hoje uma relação com Deus, imensa e profunda, que não consegui atingir enquanto estava sendo policiado dentro da igreja.

Hoje posso dizer conscientemente que sim: eu tenho uma relação sólida, íntima, fiel e leal com Deus.

Outra coisa pastor, é que eu não fui convertido pela palavra distorcida dos pastores. Quem me acompanhou de perto reconhece que fui quebrantado, convertido pelo louvor. Louvor este que carrego até hoje e certamente carregarei por toda a eternidade em meu coração. É a chama que arde em meu peito, é a forma que me aproximo d’Ele, que converso com Ele diariamente.

Por isso pastor, o que eu quero dizer é que se você pensa que atinge a qualquer um de nós – gays – , que já passaram ou não por algum tipo de terapia diabólica de falsa cura, lamento informar: você está perdendo seu tempo, aliás, tempo que deveria ser melhor dedicado para ser instrumento, neste mundo, da Misericórdia e do Amor d’Aquele que nos amou até o fim, do Amor que se derrama infinitamente em nosso coração. É uma perda de tempo especialmente para nós que já trilhamos o caminho da palavra falada e hoje conseguimos nos regozijar na Palavra VIVA, PURA – aquela que vem diretamente d’Ele nos momentos de oração e louvor pessoal. E é perda de tempo pois esse tipo de atitude apenas afasta mais ainda de Jesus aqueles que se sentem rejeitados por Ele por causa de discursos preconceituosos de  pessoas como você.

A única coisa que tantos como você conseguem com isso, pastor, é atingir aqueles que não tem culpa alguma. Mas vocês, em sua ira insana na sodomização do mundo fora da igreja, não percebem que ferem profundamente aqueles a quem vocês dizem proteger: o rebanho da igreja.

Meus pais são uma prova disso. Carregam uma culpa imensa imposta e reafirmada constantemente por vocês, como se eles fossem os culpados por eu ser homossexual. Apesar de convivermos pacificamente e eles se sentirem confortáveis na minha casa que divido com meu companheiro há cerca de oito anos (sim, é um lar cheio de amor, respeito e carinho), percebo de vez em quando certa instabilidade nessa relação. E, sempre que isso vem à tona, aparece alguma coisa que você – ou alguém da igreja – falou em algum culto, reunião ou conversa formal ou informal. Vocês semeiam a cizânia! Quando penso que eles estão bem, lá vem você e seu rebanho nefasto com o rodo traiçoeiro “em nome de Deus”.

Ou seja: a igreja não quer um rebanho sadio, feliz e comungando de uma relação pura e plena com Deus. Tampouco com o verdadeiro Deus. Ela quer sim, é um bando de pessoas cada vez mais doentes, neuróticas, necessitadas e algemadas nas migalhas da redenção por causa de seus pecados ou pagando por coisas que não lhes dizem respeito – como é o caso aqui. Vocês vivenciam uma relação doente e suja com o próprio corpo e com a própria sexualidade e projetam esta doença e sujeira naqueles que buscam vivenciar o amor em todas suas formas no Amor de Deus.

É isso que você prega pastor? É nisso que você crê pastor? Precisa manter os membros de sua igreja numa eterna culpa, carregando uma cruz que não lhes diz respeito? Um rebanho de eternos doentes nas garras de um “deus” traiçoeiro? De um “deus” forjado à imagem e semelhança de suas próprias amarguras e preconceitos?

É este “deus” que você representa pastor?

Um “deus” opressor, intolerante, violento, preconceituoso, incapaz de amar? Um “deus” que só faz humilhar seus filhos? Um “deus” que entregou seu filho em vão, pois o diabo e suas artimanhas tem mais poder que o sangue vertido na cruz?

Um “deus” que só serve para alguns poucos nascidos dentro da igreja, e que lançará sua espada sobre os iniciados? (E não venha dizer que não há essa divisão pois a vivenciei diariamente por longos 3 anos).

Não pastor, não é nesse “seu deus” que eu creio.

O Deus que creio e conheci é o Deus de Amor. Que nos amou tanto que nos deu seu Filho.

Então pastor, faço um desafio a você – e a todos os outros pastores, padres e cristãos – que creio não ser tão difícil já que se arrogam como “legítimos mensageiros de Deus” aqui na terra:

Durante um ano, o desafio você a falar apenas sobre o Amor de Deus.

Mas terá de ser sobre o Amor Ágape: aquele amor puro, limpo, que não vê defeitos ou diferenças.

Aquele que não superestima a culpa, o pecado.

Aquele que não supervaloriza o poder do diabo menosprezando a dor, o sofrimento, o sangue derramado e a verdade que representa a cruz.

Aquele que estendeu a mão à prostituta não para convertê-la, mas sim por simplesmente amá-la e respeitá-la como era.

Assim pastor, a partir de hoje, em todas as reuniões, cultos e conversas que você participar, não poderá falar de outra forma. Nem mesmo com seus filhos ou com sua esposa.

Isso vale para pensamentos também. Incluindo as orações: quando perceber algum pensamento que vá contra este desafio, lance-os nas mãos de Deus e desvie o pensamento para outra coisa: cante, louve ao Senhor. “Não temas, crê somente” – diz a Palavra.

Se és mesmo um homem de Deus, isso não será difícil afinal, “O meu Deus, é o Deus do impossível” não é mesmo?

Se fraquejar diante do desafio cante com o Kleber Lucas:

“Ó Deus tu és o meu Deus forte
O Grande El-Shaddai
Todo poderoso, Adonai
Teu nome é Maravilhoso
Conselheiro, Príncipe da Paz
Yeshua Hamashia, Deus Emanuel

O Pastor de Israel, o Guarda de Sião
A Brilhante Estrela da Manhã
Jesus teu nome é precioso
Meu Senhor e Cristo
O nome sobre todos pelo qual existo

Jireh, o Deus da minha provisão
Shalom, o Senhor é a minha paz
Shamah, Deus presente sempre está
El-Elion, outro igual não há

Jeovah Rafa meu Senhor
Que cura toda dor
Tsidkenu Yaveh minha justiça é
Elohim, Elohim Deus
No controle está meu Deus
Tudo governa (2x)

O Pastor de Israel, o Guarda de Sião
A Brilhante Estrela da Manhã
Jesus teu nome é precioso
Meu Senhor e Cristo
O nome sobre todos pelo qual existo

Jireh, o Deus da minha provisão
Shalom, o Senhor é a minha paz
Shamar, Deus presente sempre está
El-elion, outro igual não há

Jeovah Rafa meu Senhor
Que cura toda dor
Tsekenu Yaveh minha justiça é
Elohim, Elohim Deus
No controle está meu Deus
Tudo governa (3x)”

Sim pastor, foi essa a música que me libertou das amarras, mordaças e vendas da igreja no ultimo encontro da Exodus que participei. Foi nesse louvor que senti o poder de Deus agindo sobre mim e tirando as travas de meus olhos, de minha mente e meu coração para a verdade pura d’Ele, me libertando de todo aquele inferno que eu estava vivendo, prestes a cometer suicídio por não suportar mais tamanha angústia, desespero e rejeição.

Então é isso pastor. Está lançado o desafio a você e a todos os outros que falam “in nomine Domini“.

Cumpra-o se o seu “deus” for realmente o Deus Vivo proclamado na Boa Nova que Jesus nos anuncia!

Por Márcio Retamero*
fonte: Revista A Capa
28/04/2011 às 14h03

Não é possível escolher, da obra de Machado de Assis, o melhor romance. Certamente um dos mais lidos é “Quincas Borba”. A trama central da bela obra é a adesão de Pedro Rubião ao “Humanitismo”, cujo filósofo Quincas Borba é o pai deste sistema de pensamento. Além de herdeiro de Quincas, Rubião torna-se o guardião-mor desta filosofia.

O “Humanitismo” de Quincas, na verdade, é uma crítica mordaz do Bruxo do Cosme Velho ao positivismo, cientificismo e ao evolucionismo. É célebre o trecho que dá título a este texto. Neste trecho é desvendada ao leitor a síntese do pensamento “humanitista”: duas tribos famintas e um campo de batatas; a única chance de sobrevivência de uma das tribos, pois tal campo não dá conta de alimentar ambas. Se dividissem o campo de batatas, ambas as tribos morreriam de inanição, por isso, “A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.”

O ser humano como objeto do ser humano ou a “coisificação” do ser humano é, no fundo, o que Machado de Assis quer criticar e ferir de morte.

Lembrei-me do romance Quincas Borba quando soube pela internet, no último dia 7 de abril do corrente ano, da alteração no texto do PLC 122, promovida pela sua relatora atual, a senadora Marta Suplicy. O texto que altera o PLC 122 diz: “O disposto no capítulo deste artigo não se aplica à manifestação pacífica de pensamento fundada na liberdade de consciência e de crença de que trata o inciso 6° do artigo 5° (da Constituição)”.

Neste parágrafo temos a carta branca do Estado para que as igrejas fundamentalistas continuem de seus púlpitos a demonizar a homossexualidade. Para muitos, esta é a única saída para que a muralha da bancada evangélica fundamentalista no Congresso Nacional seja convencida de que o PLC 122 não é “mordaça”, como os tais apelidaram o PLC 122 desde seu início.

É pública minha admiração pela família Suplicy e pelos serviços prestados ao Brasil por esta família, principalmente no campo político. A senadora Marta é, sem sombra de dúvidas, uma grande aliada do Movimento LGBT. Contudo, creio que a alteração do texto do PLC 122 pelo parágrafo proposto pela atual relatora do PLC 122 é um retrocesso e uma cicatriz profunda no Projeto de Lei. É um lamentável equívoco!

A senadora Marta e os que apoiam a alteração do texto da PLC 122 por este parágrafo necessitam urgentemente de reflexão: quem deu a luz ainda nutre e faz crescer a homofobia (misoginia e outros preconceitos também!) no Brasil? Alguém duvida que é a ala fundamentalista do cristianismo, majoritária no nosso país? Salvaguardar o direito desta gente de continuar dando luz, nutrindo e fazendo crescer a homofobia no Brasil é erro crasso!

É claro que vozes do contra se levantarão e dirão que a Constituição garante a liberdade religiosa e a liberdade de expressão. Ok! Ok! Mas esta liberdade religiosa e de expressão é um vale tudo? Esta liberdade não é “limitada” pela responsabilidade civil e criminal?

Posso citar inúmeras fontes de sermões eclesiásticos do passado, quando ainda era permitida a escravidão, quando a mulher ainda não tinha lei que a amparasse e quando os judeus ainda eram considerados os assassinos de Cristo. Em todos esses sermões, os negros eram humilhados e vítimas do enorme preconceito racial por parte da Igreja, bem como as mulheres eram consideradas as maiores pecadoras (as “Filhas de Eva”) e os judeus eram postos abaixo do chão pelos que liam a Bíblia de maneira deturpada.

O preconceito racial, a misoginia e o antissemitismo ainda é bem presente nas culturas onde a religião cristã faz sentir sua influência. Leis que garantissem a proteção aos negros, mulheres e judeus foram elaboradas e aprovadas e hoje estão em voga para enquadrar as pessoas que são racistas, misóginas e antissemitas.

A ala fundamentalista do cristianismo ainda mantém bem escondida, o racismo, a misoginia e o antissemitismo, só não assumem tais posturas abertamente, pois a Lei protege essas pessoas. As provas disso são abundantes, ainda que veladas, basta ouvir os testemunhos de negros, mulheres e judeus e do quanto ainda são vítimas do fundamentalismo religioso. A coisa toda só não é pior por conta da força da Lei.

Não é preciso muito estudo para pesquisar sobre o mau uso da Bíblia na História da nossa civilização e de quanta dor gerou e dos rios de sangue que foram derramados ao chão. Acontece que dores ainda são geradas e sangue humano continua sendo derramado ao chão por conta da pregação religiosa homofóbica da ala fundamentalista do cristianismo. Porque não podem falar abertamente sobre negros, mulheres e judeus, os LGBT são a “Geni” dos religiosos fundamentalistas, a última que lhes restou, por isso se agarram tanto no assunto. Se forem proibidos de lançarem anátemas aos LGBT desde seus púlpitos, nada e ninguém mais sobrarão para que seja seu “Judas”.

A ala fundamentalista do cristianismo não tem o direito de semear a homofobia que destrói famílias, que ceifa vidas e que gera tanta dor e morte no nosso país. Se o Estado tem o dever de garantir a proteção de seus cidadãos e cidadãs, ao conceder o direito aos fundamentalistas religiosos de continuar a pregar as coisas que pregam contra a homossexualidade, está descumprindo seu papel e negando um direito básico, que é o direito de existir e de não ser alvo de preconceitos. Não, não vale tudo quando a matéria é liberdade religiosa e liberdade de expressão!

Ontem me chegou por e-mail um link enviado pelo Prof. Dr. Luiz Mott. O link abria um site, cujo nome é “Comando 190”. A matéria exposta era sobre o assassinato da travesti Bibi em Ji-Paraná: sete facadas ceifaram-lhe a vida. Nos comentários dos leitores do site, lemos coisas como: “O fim daqueles que não aceita glorificar a Deus – como a Bíblia nos diz o Salário do Pecado é a morte. Deus o amava, mas reprovava o que ele fazia. ele teve livre escolha e escolheu este fim. o futuro de cada um depende de uma escolha. que Deus conforte a Família.” Também está lá: “Creio eu que o fiz dos tempos esta próximo!!! Em Sodoma e Gomorra era assim, homem tendo relação sexual com homem mulher com mulher, pai estuprando filha e muito mais, hoje em dia tudo esta se repetindo , só que agora no mundo todo.” E ainda: “Infelizmente é assim, somos livres para escolhermos qual caminho queremos seguir. Deus deu ao Homem o “Livre Arbítrio”, isso para que; O Homem” não seja forçado a a fazer ou deixar de fazer algo. Existe dois caminhos: “A vida e a Morte”. A verdadeira vida, vc encontra somente em Deus através de Cristo Jesus, e a morte é o próprio mundo com suas astutas ciladas para levar o homem ao abismo. “Em resumo” Falta o Amor….E o amor verdadeiro, Somente Deus pode ensinar o Homem a amar.”

O que vemos aqui? A culpabilização da vítima! Bibi foi morta a sete facadas porque era pecadora, escolheu o caminho da morte, viveu como os de Sodoma e Gomorra, escolheu ser travesti, escolheu o pecado, e porque o “salário do pecado é a morte”, seu fim foi isto: a morte.

Temos aqui apenas uma amostra do que os “cristãos” fundamentalistas escrevem nos sites de notícias quando a vítima de assassinato é LGBT. Façam uma pesquisa superficial e vocês encontrarão coisas bem piores, escritas por eles. Onde eles aprendem isso? Dos púlpitos de suas igrejas.

Lamento profundamente a decisão da senadora Marta de alterar com este parágrafo infame o PLC 122 visando a aprovação da Frente Parlamentar Evangélica! Eles não a aprovarão mesmo assim, bem como nada no futuro que garantirá direitos aos LGBT. Por princípio, são contra! E outra: não vale tudo para aprovar de qualquer jeito um Projeto de Lei como o 122. De concessão a concessão, tal PLC já está quase sem sentido!

Não se enganem! Temos aqui um campo de batatas que nos garante o direito à vida e duas tribos lutam por ele. Apenas uma das tribos vencerá. Qual será? Ao vencedor, as batatas.

* Márcio Retamero, 37 anos, é teólogo e historiador, mestre em História Moderna pela UFF/Niterói. É pastor da Comunidade Betel/ICM RJ e da Igreja Presbiteriana da Praia de Botafogo. É autor de “O Banquete dos Excluídos” e “Pode a Bíblia Incluir?”, ambos publicados pela Editora Metanoia. E-mail: marcio.retamero@gmail.com.

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Nota deste blogueiro:

Muita gente acha ruim quando eu sento o porrete do PT. Já ouvi de tudo um pouco mas os comentários mais risíveis vem da comunidade LGBTxyz como por exemplo essa pérola:

Você é minoria e deveria apoiar o PT e a esquerda que são quem nos defendem.

Não, não apoio e tampouco defendo. Na verdade não apoio nenhum partido. Defendo sim pessoas. Para mim, o PT é o esculacho politiqueiro de nosso país.

Rapidamente lanço um alerta para a comunidade LGBTxyz: na campanha para reeleição do Lula eu frequentava comunidades de debates políticos no Orkut. Nunca houve um único esquerdista ou PTista que conseguisse me vencer em debates. Sempre perdiam os argumentos e partiam para a baixaria.

Um dia sou surpreendido ao entrar no Orkut e ver a minha vida íntima, privada, exposta em todas as comunidades que eu frequentava. TODAS! Nas de política, nas profissionais, nas sociais. Além disso, como se não bastasse, entraram em contato com “amigos” e familiares que constavam em meu perfil e expuseram a minha vida de forma covarde e vil.

Quer dizer então que o gay só é aceito pelo PT quando a pessoa está ali, em meio ao rebanho berrando A-MÉ-É-É-É-É-É-MMMMM. Se ousar discordar de qualquer coisa, o FATO de você ser GAY vira munição para a sua desmoralização, descrédito.

E não venham me falar que é coisa de militantes aloprados, pois nesse grupo que me atacou existiam pessoas ligadas ao comando do partido, da campanha.

Portanto fiquem atentos MiliTONTOS: a próxima vítima podem ser vocês mesmos.

Marta pode dar a cara para bater na frente dos holofotes, mas na prática – quando prefeita de SP – nos bastidores e longe das câmeras deixou bem claro que curvou-se às oligarquias conservadoras ao não implementar absolutamente nada na cidade. Serra fez muito mais pela causa LGBTxyz que ela.

E, mais uma vez aí está a prova cabal de que o PT atende apenas aos interesses do ParTido. Se ela não alterasse esse dispositivo, certamente o PT perderia o apoio da bancada “cristã” no Congresso nacional.

Não se esqueçam também que a Senadora Gleisy colocou-se publicamente contra o PLC122.

É sim, um tiro no coração do movimento LGBTSxyz.

Nesse sentido, deixo aqui registrado o meu respeito ao deputado Jean Wyllys. Ponderado, ético, sensato e, acima de tudo, justo e correto com seus ideais e a causa que defende.

Assistam à entrevista dele disponivel no blog do Sergio Viula.

Agora sim posso dizer com orgulho que me sinto representado por alguém na questão LGBTSxyz: Jean Wyllys.

É dizer e desejar que você seja sempre você mesmo, assim como é.

Viva a sua vida e todas as cores que ela permitir.

Ele te fez assim, te aceita e te ama exatamente como você é.

True Colors
Cyndi Lauper

You with the sad eyes
Don’t be discouraged
Oh I realize
It’s hard to take courage
In a world full of people
You can lose sight of it all
And the darkness inside you
Can make you feel so small

But I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that’s why I love you
So don’t be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow

Show me a smile then,
Don’t be unhappy, can’t remember
When I last saw you laughing
If this world makes you crazy
And you’ve taken all you can bear
You call me up
Because you know I’ll be there

And I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that’s why I love you
So don’t be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow

I can’t remember
When I last saw you laughing
If this world makes you crazy
And you’ve taken all you can bear
You call me up
Because you know I’ll be there

And I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that’s why I love you
So don’t be afraid to let them show
Your true colors, true colors
True colors are shining through
I see your true colors
And that’s why I love you
So don’t be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow