Só me faltava essa agora!

Em resposta ao que você havia publicado recentemente em seu site, escrevi um texto enorme. Sim,  reconheço que nele havia impropérios tremendos, mas fui me dando conta de que tudo aquilo que escrevi não merecia ser publicado, não por você ser quem é, mas pelo fato de que todas aquelas palavras poderiam “sujar” meu blog.

Pois bem, durante estes dias, desde que você publicou o texto, venho refletindo e conversando muito com Deus até que ontem à noite, no banho – nas águas purificadoras – ocorreu-me uma coisa: para que darei munição ao inimigo?

Deleta tudo!

Não vou mais dissecar item por item de seu texto no qual se gaba por ser autor do neologismo (WAWW!!!) Homodiafonia. Acho que vou lançar alguns também: cristãocafonia, talvez cristãobabaquice ou ainda, o melhor,  CristãoDuCapeta.

Bom, brincadeiras à parte, o papo é o seguinte: de nada adianta você, outros pastores e tantos outros autodenominados “cristãos” ficarem berrando em seus templos ou publicando textos lixos como esse na web. Incluem aqui também os livros e panfletinhos estúpidos feitos por vocês que só servem para doentese isso, nós gays, definitivamente não somos.

Esta igreja sabe de todo o calvário a que fui submetido por longos três anos, tentando “me curar”, tentando tratar como doença o que para mim hoje é virtude do coração, do corpo e da alma, uma forma de amar e desejar que me realiza como homem e como ser humano. Uma dimensão erótico-afetiva da sexualidade – a forma como naturalmente minha sexualidade se realiza erótica e afetivamente – dentre tantas formas que todo e qualquer ser humano vivencia seja hetero, homo, bi, pansexual ou tomatesexual.

Em vão tive que enfrentar um “deserto” no qual fui lançado e lá, no final das contas, numa experiência que tenho certeza que poucos cristãos já tiveram, Deus veio ao meu encontro, tomou a minha mão para me libertar exatamente do lugar onde vocês tinham me mandado para me curar: um encontro da Exodus. Não vou entrar em detalhes pois até imagino como você vai interpretar demoniacamente esta manifestação tão marcante de Deus em minha vida: por seu olhar obscurecido e coração empedernido certamente vai afirmar que não foi Deus, foi o capeta; você entendeu errado, Ele estava te provando e você entendeu errado; e por aí vai. Não vale a pena ouvir tudo isso de novo.

O que quero dizer, pastor, é que hoje vivo plenamente em paz com Deus. Uma paz profunda, revigoradora, revitalizante. Mantenho hoje uma relação com Deus, imensa e profunda, que não consegui atingir enquanto estava sendo policiado dentro da igreja.

Hoje posso dizer conscientemente que sim: eu tenho uma relação sólida, íntima, fiel e leal com Deus.

Outra coisa pastor, é que eu não fui convertido pela palavra distorcida dos pastores. Quem me acompanhou de perto reconhece que fui quebrantado, convertido pelo louvor. Louvor este que carrego até hoje e certamente carregarei por toda a eternidade em meu coração. É a chama que arde em meu peito, é a forma que me aproximo d’Ele, que converso com Ele diariamente.

Por isso pastor, o que eu quero dizer é que se você pensa que atinge a qualquer um de nós – gays – , que já passaram ou não por algum tipo de terapia diabólica de falsa cura, lamento informar: você está perdendo seu tempo, aliás, tempo que deveria ser melhor dedicado para ser instrumento, neste mundo, da Misericórdia e do Amor d’Aquele que nos amou até o fim, do Amor que se derrama infinitamente em nosso coração. É uma perda de tempo especialmente para nós que já trilhamos o caminho da palavra falada e hoje conseguimos nos regozijar na Palavra VIVA, PURA – aquela que vem diretamente d’Ele nos momentos de oração e louvor pessoal. E é perda de tempo pois esse tipo de atitude apenas afasta mais ainda de Jesus aqueles que se sentem rejeitados por Ele por causa de discursos preconceituosos de  pessoas como você.

A única coisa que tantos como você conseguem com isso, pastor, é atingir aqueles que não tem culpa alguma. Mas vocês, em sua ira insana na sodomização do mundo fora da igreja, não percebem que ferem profundamente aqueles a quem vocês dizem proteger: o rebanho da igreja.

Meus pais são uma prova disso. Carregam uma culpa imensa imposta e reafirmada constantemente por vocês, como se eles fossem os culpados por eu ser homossexual. Apesar de convivermos pacificamente e eles se sentirem confortáveis na minha casa que divido com meu companheiro há cerca de oito anos (sim, é um lar cheio de amor, respeito e carinho), percebo de vez em quando certa instabilidade nessa relação. E, sempre que isso vem à tona, aparece alguma coisa que você – ou alguém da igreja – falou em algum culto, reunião ou conversa formal ou informal. Vocês semeiam a cizânia! Quando penso que eles estão bem, lá vem você e seu rebanho nefasto com o rodo traiçoeiro “em nome de Deus”.

Ou seja: a igreja não quer um rebanho sadio, feliz e comungando de uma relação pura e plena com Deus. Tampouco com o verdadeiro Deus. Ela quer sim, é um bando de pessoas cada vez mais doentes, neuróticas, necessitadas e algemadas nas migalhas da redenção por causa de seus pecados ou pagando por coisas que não lhes dizem respeito – como é o caso aqui. Vocês vivenciam uma relação doente e suja com o próprio corpo e com a própria sexualidade e projetam esta doença e sujeira naqueles que buscam vivenciar o amor em todas suas formas no Amor de Deus.

É isso que você prega pastor? É nisso que você crê pastor? Precisa manter os membros de sua igreja numa eterna culpa, carregando uma cruz que não lhes diz respeito? Um rebanho de eternos doentes nas garras de um “deus” traiçoeiro? De um “deus” forjado à imagem e semelhança de suas próprias amarguras e preconceitos?

É este “deus” que você representa pastor?

Um “deus” opressor, intolerante, violento, preconceituoso, incapaz de amar? Um “deus” que só faz humilhar seus filhos? Um “deus” que entregou seu filho em vão, pois o diabo e suas artimanhas tem mais poder que o sangue vertido na cruz?

Um “deus” que só serve para alguns poucos nascidos dentro da igreja, e que lançará sua espada sobre os iniciados? (E não venha dizer que não há essa divisão pois a vivenciei diariamente por longos 3 anos).

Não pastor, não é nesse “seu deus” que eu creio.

O Deus que creio e conheci é o Deus de Amor. Que nos amou tanto que nos deu seu Filho.

Então pastor, faço um desafio a você – e a todos os outros pastores, padres e cristãos – que creio não ser tão difícil já que se arrogam como “legítimos mensageiros de Deus” aqui na terra:

Durante um ano, o desafio você a falar apenas sobre o Amor de Deus.

Mas terá de ser sobre o Amor Ágape: aquele amor puro, limpo, que não vê defeitos ou diferenças.

Aquele que não superestima a culpa, o pecado.

Aquele que não supervaloriza o poder do diabo menosprezando a dor, o sofrimento, o sangue derramado e a verdade que representa a cruz.

Aquele que estendeu a mão à prostituta não para convertê-la, mas sim por simplesmente amá-la e respeitá-la como era.

Assim pastor, a partir de hoje, em todas as reuniões, cultos e conversas que você participar, não poderá falar de outra forma. Nem mesmo com seus filhos ou com sua esposa.

Isso vale para pensamentos também. Incluindo as orações: quando perceber algum pensamento que vá contra este desafio, lance-os nas mãos de Deus e desvie o pensamento para outra coisa: cante, louve ao Senhor. “Não temas, crê somente” – diz a Palavra.

Se és mesmo um homem de Deus, isso não será difícil afinal, “O meu Deus, é o Deus do impossível” não é mesmo?

Se fraquejar diante do desafio cante com o Kleber Lucas:

“Ó Deus tu és o meu Deus forte
O Grande El-Shaddai
Todo poderoso, Adonai
Teu nome é Maravilhoso
Conselheiro, Príncipe da Paz
Yeshua Hamashia, Deus Emanuel

O Pastor de Israel, o Guarda de Sião
A Brilhante Estrela da Manhã
Jesus teu nome é precioso
Meu Senhor e Cristo
O nome sobre todos pelo qual existo

Jireh, o Deus da minha provisão
Shalom, o Senhor é a minha paz
Shamah, Deus presente sempre está
El-Elion, outro igual não há

Jeovah Rafa meu Senhor
Que cura toda dor
Tsidkenu Yaveh minha justiça é
Elohim, Elohim Deus
No controle está meu Deus
Tudo governa (2x)

O Pastor de Israel, o Guarda de Sião
A Brilhante Estrela da Manhã
Jesus teu nome é precioso
Meu Senhor e Cristo
O nome sobre todos pelo qual existo

Jireh, o Deus da minha provisão
Shalom, o Senhor é a minha paz
Shamar, Deus presente sempre está
El-elion, outro igual não há

Jeovah Rafa meu Senhor
Que cura toda dor
Tsekenu Yaveh minha justiça é
Elohim, Elohim Deus
No controle está meu Deus
Tudo governa (3x)”

Sim pastor, foi essa a música que me libertou das amarras, mordaças e vendas da igreja no ultimo encontro da Exodus que participei. Foi nesse louvor que senti o poder de Deus agindo sobre mim e tirando as travas de meus olhos, de minha mente e meu coração para a verdade pura d’Ele, me libertando de todo aquele inferno que eu estava vivendo, prestes a cometer suicídio por não suportar mais tamanha angústia, desespero e rejeição.

Então é isso pastor. Está lançado o desafio a você e a todos os outros que falam “in nomine Domini“.

Cumpra-o se o seu “deus” for realmente o Deus Vivo proclamado na Boa Nova que Jesus nos anuncia!

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