Tag Archive: gay


Vale também compartilhar aqui os votos dos Ministros.

Não estão todos disponíveis, mas vou completando o post à medida em que forem sendo liberados.

– Voto do relator Ministro Carlos Ayres Britto

– Voto da Ministra Carmem Lúcia

– Voto do Ministro Marco Aurelio Mello

– Voto do Ministro Ricardo Lewandowski

– Voto do ministro Luiz Fux

– Voto do Ministro Joaquim Barbosa

– Voto do Ministro Gilmar Mendes

– Voto da Ministra Ellen Gracie

– Voto do Ministro Celso Mello

– Voto do ministro Cezar Peluso

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Ex-Gay?

É meus amigos, papo mais que sério agora.

É possível uma pessoa tornar-se um “ex-gay”? Querem a minha humilde opinião? Não sei responder a isso.

Leiam o texto a seguir e assistam ao vídeo. Comento no próximo post ok?

Depoimento do Fundador da EXODUS Michael Bussee

Meu nome é Michael Bussee. Eu quero agradecer a você por esta oportunidade de contar minha história. Trinta anos atrás, eu ajudei a criar a EXODUS International. Hoje, eu estou aqui para me desculpar; Hoje eu sou um terapeuta conjugal e familiar, um pai, um cristão evangélico, nascido de novo — e orgulhoso de ser gay. Mas trinta anos atrás, eu não era tão orgulhoso.

De fato, eu cresci odiando meus sentimentos gays. Eu passei por xingamentos, bullying e surras. Por que motivo as outras crianças pareciam odiar-me tanto? Eu não escolhi ter esses sentimentos e queria me livrar deles. Eu queria mais do que tudo ser “normal,” adequar-me — apaixonar-me, assentar-me, ter filhos. Eu queria desesperadamente ser heterossexual. Mas como?

Com aproximadamente 12 anos, eu comecei uma busca pessoal por uma “cura” para homossexualidade. Eu tomei a decisão de embarcar no meu próprio êxodo privado — para encontrar a saída para a homossexualidade. Minha busca levou-me a Deus. Como estudante do ensino médio, eu aceitei Jesus como meu Senhor e Salvador pessoal. Essa decisão mudou a minha vida pra sempre e eu continuo sendo um evangélico comprometido até hoje.

Então, em 1974, eu encontrei o Centro Cristão Melodyland (Melodyland Christian Center) em Anaheim e comecei a trabalhar como um de seus conselheiros voluntários via telefone. De começo, eu não disse a nada sobre meus sentimentos gays a ninguém. Afinal, eu tinha que me “purificar.” Eu disse ao diretor do aconselhamento telefônico que eu era um “cristão homossexual.” Ele me disse que “não havia tal coisa.” Ele disse que se eu era um cristão de fato, então “já não era mais gay aos olhos de Deus,”

Eu precisava acreditar que era heterossexual agora – e “determinar isso.” Deus faria o milagre com o tempo. “Continue orando” – diziam eles. Se eu tivesse fé suficiente, eu finalmente “ficaria livre.” Eu queria isso mais do que tudo e sinceramente acreditei que isso se tornaria verdade.

Naquele tempo, não havia ministério para gays em nossa mega igreja, então meu amigo Jim Kaspar e eu decidimos inventar um. Em 1975, nós criamos a EXIT – em inglês a palavra significa saída, mas aqui era uma sigla para “EX-gay Intervention Team,” ou seja, Equipe de Intervenção Ex-Gay (uma espécie de Caça-Fantasmas – só que gay!) Começamos oferecendo sessões de aconselhamento individual, grupos de apoio semanal, estudos bíblicos, e reuniões de oração. Apesar de não termos nenhum treinamento formal, e só termos nos intitulado “ex-gays” havia poucos meses, tornamo-nos, de repente, “especialistas.”

Pastores e terapeutas começaram a enviar clientes para nós. Escrevíamos materiais sobre “Como Ajudar o Homossexual” e dávamos “testemunhos de nossa mudança” em conferências da igreja e em talk shows no rádio e na TV – incluindo o Club 700 do Pat Robertson. Robertson insistia em perguntar se nós achávamos que havíamos tido “demônios gays” algum dia. Ele pareceu desapontado quando respondemos que “não.”

Em 1976, descobrimos que outros como nós estavam formando pequenos ministérios de “mudança” ou “libertação” em suas áreas. Em setembro de 1976, no Melodyland Christian Center em Anaheim, o EXIT recebeu a primeira confêrencia de “ex-gays” de todos os tempos. Um punhado de líderes de ministérios junto com aproximadamente 60 delegados votaram para formar uma coalisão de ministérios. Chamamos essa coalisão deEXODUS. Pensamos que, chamados como Moisés e dirigidos por Deus, nós poderíamos conduzir muitos gays e lésbicas para a “terra prometida” da heterossexualidade.

Preciso dizer que alguns tiveram uma experiência positiva de mudança de vida frequentando nossos estudos bíblicos e grupos de apoio. Eles experimentaram o amor de Deus e o acolhimento de outros que conheciam suas lutas. Houve algumas “mudanças” reais – mas nenhuma das centenas de pessoas que nós aconselhamos se tornou heterossexual.

Ao contrário, muitos dos nossos clientes começaram a se desestruturar – afundando em culpa, ansiedade e ódio contra si mesmo. Por que eles não estavam “mudando”? As respostas dos líderes da igreja tornavam a dor ainda maior: “Você pode não ser um cristão verdadeiro.” “Você não tem fé suficiente.” “Você não está orando e lendo a Bíblia o suficiente.” “Talvez você tenha um demônio.” A mensagem sempre parecia ser: “Você não é sincero o suficiente. Você não está se esforçando o suficiente. Você não tem fé suficiente.”

Alguns simplesmente caíram fora e nunca mais se ouviu falar deles. Eu acho que esses tiveram sorte. Outros se tornaram auto-destrutivos. Um jovem se embriagou e dirigiu contra uma árvore). Um dos líderes que trabalhavam comigo me disse que havia deixado a EXODUS e estava frequentado bares heterossexuais, procurando alguém que batesse nele. Ele disse que as surras o faziam sentir-se menos culpado, fazendo expiação pelo seu pecado. Um dos meus clientes mais dedicados, Mark, pegou uma lâmina e cortou suas genitais repetidamente, e depois colocou produto limpa-ralos sobre as feridas, porque depois de meses de celibato, ele havia tido uma “queda.”


No meio de tudo isso, minha própria fé no movimento EXODUS estava desmoronando. Ninguém estava realmente se tornando “ex-gay.” A quem estávamos enganando? Como um líder atual da EXODUS admitiu, éramos apenas “cristãos com tendências homossexuais que preferiam não ter aquelas tendências.” Ao nos denominarmos como “ex-gays,” nós estávamos mentindo pra nós mesmos e para os outros. Estávamos machucando pessoas.

Em 1979, um outro pioneiro da EXODUS (Gary Cooper) e eu decidimos deixar a EXODUS — e nossas esposas. Por anos, nós dois havíamos firmemente acreditado que o processo EXODUS nos tornaria heterossexuais. Ao invés disso, percebemos que havíamos nos apaixonado um pelo outro! Saímos do armário publicamente contra a EXODUS em 1991. Nossa história apareceu no documentário “One Nation Under God” (Uma Nação Sob Deus). Gary morreu de pouco antes do filme ser concluído.

Desde então, eu continuei a ser um dos mais persistentes críticos da EXODUS – não porque eu queira “negar esperança.” Pelo contrário, eu quero afirmar que Deus ama cada pessoa, e que o amor e o perdão de Deus realmente mudam vidas. Certamente mudaram a minha. Apenas nunca me fizeram heterossexual. Eu encontrei harmonia entre minha sexualidade e minha espiritualidade — e eu tenho esperança de que outros farão o mesmo. A jornada de cada um é diferente. Meu próprio êxodo tem sido uma jornada incrível.

 Já fui demitido de dois empregos apenas por ser gay. E cinco anos atrás, eu sobrevivi a um violento e absurdo crime de ódio que quase levou minha vida. Eu fui espancado e esfaqueado nas costas por membros de uma gangue que gritavam “viado”, enquanto me atacavam. Meu melhor amigo, Jeffery Owens, não teve tanta sorte. Ele foi esfaqueado cinco vezes nas costas e sangrou até a morte na mesa de cirurgia.

Apesar de tudo isso, eu me considero um sobrevivente. Eu sou um homem gay cristão evangélico feliz; relativamente bem ajustado; tenho um relacionamento amoroso comprometido com um cara maravilhoso, meu parceiro Richard; e sirvo como ancião na minha igreja presbiteriana local. Eu amo a Deus e amo a vida.

E tenho esperança. Acredito que estamos abrindo caminho; grupos como a EXODUSvão encerrar suas atividades quando as pessoas não mais pensarem que precisam renegar quem realmente são para tentarem ser o que não são.

Até lá, àquelas pessoas maravilhosas (gays, ex-gays e ex-ex-gays) que têm abençoado minha vida e enriquecido minha jornada, sou sinceramente grato. E àqueles que eu possa ter ferido através do meu envolvimento com a EXODUS, peço sinceras desculpas.

Fonte: http://www.beyondexgay.com/article/busseeapology

Tradução: Sergio Viula para o blog Fora do Armário

Você pode ver um outro depoimento, do Sergio Viula, fundador do grupo MOSES (brasileiro), que também é um ex-ex-gay clicando aqui.

Este texto foi escrito parafraseando, por meio de contrapontos, o texto original de Luiz Mott entitulado “Meu Moleque Ideal” com o objetivo de mostrar que as afirmações e fantasias enunciadas não representam a totalidade do universo homossexual. O texto a que me refiro, a meu ver, acaba reforçando a falsa idéia de que todo (homem) homossexual nega sua identidade de gênero ou, pior, manifesta tendências ou desejos pedófilos municiando homofóbicos de plantão com material da pior espécie.

O texto que escrevo apresenta um caráter eminentemente homoerótico e mostra, para além da convivência homoafetiva diária, os desejos e práticas sexuais que dois homens orgulhosos de sua masculinidade compartilham. Se você sente-se ofendido com este tipo de leitura, interrompa sua leitura ao final desta introdução enunciada em vermelho.

Se você é um cara bem resolvido e vivencia, de forma intensa e saudável, sua sexualidade sem quaisquer tabus ou falsos pudores quanto a isso, delicie-se até o final.

Não podemos, enquanto homossexuais, sermos punidos ou obrigados a carregar um fardo de atribuições distorcidas que não fazem parte de nosso caráter, personalidade ou orientação homoafetiva e homoerótica de nossa sexualidade.

Boa leitura ou até a próxima!

Considero-me um cara dos mais feliz pois amo e sou amado por um homem maravilhoso que preenche plenamente minhas fantasias e desejos sexuais, afetivos e de companheirismo.

Na tentativa de analisar objetivamente as razões que levariam dois homens (ou duas mulheres, ou um homem e uma mulher) a se entregarem com exclusividade um ao outro, quando movidos por uma paixão afetiva e erótica, creio que esta fidelidade poderia ser explicada por uma motivação bastante simples: a lealdade de um para com outro. A lealdade (como vínculo de um para com outro com base na confiança mútua determinada pelo afeto) passível de ser compreendida, verbalizada e considerada, apresenta-se como universal. Qualquer posição que tenha por objetivo esvaziar este dado universal por conta de uma visão utilitarista e oportunista de relacionamento – do tipo “estou com esta pessoa por não ter outra que seja melhor no momento para substituí-la” – não passa de uma generalização falaciosa oriunda de projeções subjetivas, não apenas marcadas por frustrações pessoais acumuladas, mas sobretudo eivadas de promiscuidade. Sob o olhar promíscuo, tal posição assevera que qualquer relacionamento funda-se, mesmo sob a roupagem de amor ou paixão, na instrumentalização do outro como uma coisa a ser usada sexualmente até que seja descartada.

Entretanto podemos observar que, em geral, que as pessoas confundem a lealdade com a fidelidade, aqui considerada em relação a um pacto que duas pessoas  firmam entre si e que, por sua vez, constitui a base do relacionamento que se empenham em vivenciar.  A fidelidade não é um ato subjetivo que uma pessoa tem para com outra (isso é lealdade) mas, quando duas pessoas- movidas pelo amor e pelo desejo erótico – estabelecem e assumem livremente  um pacto seja qual for, nos moldes de um contrato, cada um assume formalmente o dever de respeitar todas suas cláusulas manifestas ou subentendidas por ambos. Em outras palavras, uma pessoa não é fiel a outra, mas fiel ao pacto que ambas livremente assumiram, mas tal pacto não se sustenta se não houver o vínculo de lealdade de uma pessoa para com outra.

Longe de conceber ou forjar padrões, cada casal deve se compreender livre, sem quaisquer constrangimentos, para estabelecer seu próprio pacto à partir dos valores e das expectativas recíprocas que compartilham. Assim, por exemplo, a exclusividade sexual pode ser ou não ser uma cláusula dentre tantas outras. Depende de como os pactuantes assim a entendem, se necessária ou não, ou como vão vivenciá-la no cotidiano. Deste modo, todo e qualquer relacionamento funda-se em um pacto e, portanto, exige dos pactuantes uma atitude de fidelidade que lhes é adequada, ao menos naquele momento em que o assumem. Neste aspecto, para longe de uma visão eivada de promiscuidade, resgata-se a lealdade que, por meio da confiança sincera de um para com outro, resguarda-se a estabilidade e a dinamicidade do relacionamento.

Claro que não se pretende aqui dissociar lealdade (dado subjetivo) e fidelidade (dado formal e objetivo). Contudo, é muito comum encontrarmos pessoas que reduzem a fidelidade a uma exclusividade sexual não se importando com todos outros aspectos (talvez mais significativos) que envolvem o pacto entre aqueles que se amam e se desejam e em relação aos quais deveriam ser fiéis. Entre ciumeiras hipócritas e puritanas ficam tão preocupados em controlar a “fidelidade” sexual a ponto de não levarem em conta as inúmeras infidelidades e deslealdades que, no convívio diário, vão corroendo o que é fundamental no relacionamento.  Este vai se tornando doentio à medida que se impõem tentativas sempre frustradas de castrar um do outro o imaginário sexual e erótico, tão natural, que deveriam compartilhar numa cumplicidade alegre e descontraída, sem quaisquer constrangimentos à individualidade de cada um. Isso pressupõe maturidade suficiente para romper com mitos que, sob a falsa compreensão de amor e paixão, entendem ingenuamente que o tesão de um se deixe enclausurar no outro.  Observe que, por esta consideração, não há qualquer defesa tácita de uma distorção promíscua do que se pode conceber acerca de um relacionamento.

De modo particular, considerando nossa condição homossexual masculina, devemos encarar que lá no fundo, todos nós, alimentamos, de um modo ou de outro, em nossa imaginação (e fantasias) um tipo ideal de homem que gostaríamos de amar e ter do lado: digamos, um mito do “príncipe” encantado. Este mito envolve um feixe de idealizações que muitas vezes nos surpreendem e que, até mesmo inconscientemente, projetamos. A maturidade, conquistada de forma equilibrada e saudável, permite perceber que este homem ideal nem sempre (ou quase nunca) assemelha-se àquele por quem estamos apaixonados e com quem convivemos .

Em nossas fantasias, o homem ideal pode ser alto e branco, o real, baixo e moreno. Porém, ao longo de nosso amadurecimento vamos encarando que este homem ideal não existe além de nossa imaginação e fantasias. Na maturidade compreendemos que ninguém, jamais, vai atender totalmente às idealizações das “especificações técnicas e de design” ou caber certinho dentro da forminha projetada para que o outro se encaixe. Isso aprendi pessoalmente com a vida. Cada um é cada um e, como tal, deve ser respeitado na sua individualidade. Relacionar-se acaba sendo uma aventura e um desafio no sentido de equacionar a cada momento o convívio, as expectativas, os desejos e a individualidade de cada um. Não é um apostar numa transitoriedade oportunista de relacionamento: é comprometimento que tem seu significado no amor em sua dimensão homoafetiva e homoerótica.

Continuando a parafrasear por meio de contrapontos aquele texto que acima me referi, digo o seguinte: meu caso, para ser sincero, tomando como hipótese  o fato de que o imaginário erótico (e suas idealizações e fantasias) pudesse se realizar concretamente e que, portanto, permitiria a mim escolher livremente as características biotípicas e eróticas de meu parceiro , este seria um homem “macho”do tipo daqueles representados pela arte da Grécia antiga: belos, adultos, másculos, viris, além de maduros e parrudos que, certamente para mim seria a coisa mais tesuda e delirante para se amar e foder.


Neste sentido hipotético, se as forças do universo me ajudassem, adoraria encontrar um macho acima dos 40 anos, já com os pentelhos do saco totalmente desenvolvidos, o cacete parrudo e cheio de veias grossas, não me importava a cor: adoraria se fosse negro e parrudaço de boca carnuda  como o ator Terry Crews que participou do elenco do filme “As Branquelas” (Original: “White Chicks”, 2004);gostaria também que fosse um macho branco do tipo Kevin Spacey, com ou sem barba, do tipo “cafo”, safado, meio calvo ou carecão. Queria mesmo um macho na plenitude de sua maioridade, saradão, com a voz grave e já definida, que goste de seu corpo peludo e viva assumidamente e com orgulho sua masculinidade inclusive com as marcas físicas da vida sem, contudo, ser relaxado, mas um largadão é tudo de bom. De preferência experiente de sexo, melhor ainda se fosse um macho-puto na cama. Pode ser também um que descobrisse, nos meus braços, o gosto inebriante do mergulho homoerótico de macho para macho. Sonho é sonho, e qual é o problema de fantasiar demais?!

Para além das idealizações quanto ao biótipo, se porventura eu estivesse solteiro, adoraria que esse meu macho “encantado” fosse apaixonado pela vida, interessado em compartilhar tudo o que de melhor aprendemos nesses mais de 40 anos de caminhada. Que gostasse de conversar, que se interessasse pela manutenção e bem-estar de nosso lar (desde fazer pudim de leite, construir uma estante de madeira, a cuidar do jardim, navegar na internet, brincar, cuidar e passear com nossos cachorros), aprender para auxiliar o outro em todas suas limitações. Que acordasse de manhã com um sorriso ainda sonado, me dizendo “bom dia meu macho” com sua voz ainda rouca e relaxada. Que me fizesse uma gostosa massagem quando eu estiver estressado e que certamente seria retribuída.

Honesto, carinhoso, bem-humorado, já bem resolvido financeira, emocional e profissionalmente, amigo e companheiro. Que pudéssemos viver a plenitude do amor e do tesão entre dois machos, contentes de sermos um a cara metade do outro (outro mito fantasioso, na realidade cada um é inteiro e não uma metade a ser completada). Que não busque me moldar ao seu gosto ou transformar-me em algo que não sou, me respeitando pelo que sou e como sou. Que também tenha a consciência de que a minha segurança e saúde está nas mãos dele assim como a dele está nas minhas.

Nas minhas idealizações eróticas, quero um homem-macho fogoso, que fique logo com o cacete em riste e latejando ao menor toque de minha mão. Que se contorça todo de prazer, urrando como um urso bravo quando caio de boca em seu caralho, com tesão, da cabeça até o saco. Que fique com o cuzinho peludo piscando, fisgando, quando o massageio com minha língua ou meus dedos. Higiênico, cuzinho bem limpo. Piscando na ponta do dedo molhado com cuspe, é das sensações mais sacanas que um homem pode sentir: o meu macho querendo o seu macho, se abrindo, excitado para engolir o cacete todo. Gostosura assim, só dois homens-machos podem sentir!

Assim é como imagino meu homem-macho ideal.

Pode ser meio ogro, parrudo, metido a machão. Pode ser educado, elegante, cheiroso. Só não pode ser viado, bichona, puta de rua, promíscuo, que curta banheirões e fuleira. Eu gosto é de homem! Tendo postura, caráter, dignidade, sendo respeitoso, leal, honesto é o que basta.

Mas não nego que um bom caralho me faz delirar: grossa ou fina, grande ou pequena, torta ou reta, que me banhe com fartos jatos de porra ou que me deixe sedento até a próxima pela escassez dela, tanto faz, desde que saiba usá-la e não me veja apenas como um depósito de porra, um troféu para exibir aos seus amigos ou mais um nome na sua listinha de “feitos”.  Um macho que não tenha pitis infantis quando me flertam ou paqueram na rua e sim, sinta-se orgulhoso ao perceber que eu, o seu macho, é desejado por outros e tenha consciência e a segurança de que outros podem olhar e desejar, mas só ele pode tocar.

Se tiver cheiro de macho-peão-de-obra ou ser for deliciosamente cheiroso e perfumado, uma delícia, não importa qual dos dois!

Que não tinha melindres na cama e permita-se vivenciar a sexualidade em sua plenitude, que tenha pegada de macho, forte, intensa, que me agarre com a força de um abraço de tamanduá em seus braços fortes e musculosos, que curta dar e levar umas mordidas tesudas e que urre forte enquanto fodemos.

Que seja capaz de separar namoro de foda permitindo-se ser puto na hora da foda, mas um lord carinhoso e romântico na hora do namoro, sem ser “fresco”.

Que não encare a nossa relação homoafetiva como uma cópia, uma caricatura e bizarra cópia, de um modelo de casal heterossexual tentando fazer-nos viver uma coisa que não somos e jamais seremos: marido e esposa. Que não fique me cobrando que eu diga a todo momento que o amo ou que morro de tesão por ele mas sim, que seja capaz de perceber isso através de meu olhar, gestos, ações, pelo cheiro teso que exala de meu corpo quando ele me pega e também pelas esguichadas de porra na hora do gozo. Se no começo da transa quiser chupar meu furico, melhor ainda. Sem pudor, sem tabu.

Não quero nem um pai e muito menos um filho. Nesse ponto já sou mais que bem resolvido e completo.

Tenho meu pai verdadeiro que é um homem que amo demais e não necessito de nenhum outro para substituí-lo. Também não carrego carências ou ausências paternas de minha infância que necessitam ser supridas numa relação, digamos, incestuosa.

Filho? Deixo-o para aqueles que têm paciência e uma boa conta bancária para sustentá-los também dentro de uma relação incestuosa. Já tenho minhas duas cachorras que me trazem alegria, preocupações e bagunça o suficiente para o meu dia a dia. Ah, antes que pensem,  ou que as malditas destilem seus venenos, elas não são brinquedinhos sexuais ok?

Nas minhas idealizações busco um homem completo. Um companheiro.

Ah, meu macho tesudo! Se você existir, se você algum dia me aparecer, que seja logo, pois quero estar ainda com tudo em cima e dar conta do recado, pois do jeito que quero te amar e que vamos foder, vamos precisar de muito mocotó ou viagra para dar conta do rojão!

Ao final das contas, sem se tornar refém das idealizações vindas de minhas fantasias, o que importa para mim é constatar que com meu companheiro me realizo como homem no homem que ele é, que na fidelidade ao pacto que assumimos e na lealdade que vivenciamos no dia a dia, ele é meu companheiro, meu homem, meu macho e que ele me tem da mesma forma, que juntos buscamos aproximar nossos desejos e fantasias que compartilhamos, sem quaisquer constrangimentos, no diálogo franco, transparente e honesto. E que por este modo, neste relacionamento homoafetivo, buscamos que um e outro se realize afetiva e eroticamente na sua individualidade, sem que um use o outro  para uma mera satisfação transitória e egoísta de suas idealizações. Não importa o quanto dure, importa tão somente que a cada dia possamos compartilhar e atualizar aquele pacto inicial que vai se reinventando à medida que amadurecemos juntos.

Fonte: Texto: William De Lucca Martinez – www.peganomeu.wordpress.com Salvador, 23/04/2010

Entre a extensa lista de citações do filósofo grego Aristóteles, uma é essencial para que todo este texto faça sentido: “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”. Ser gay não é o único motivo que me faz acreditar que o projeto de lei substitutivo 122, de 2006, adiciona a discriminação aos homossexuais a lista de crimes da lei º 7.716 seja benéfico para toda a sociedade. O que me faz acreditar neste projeto é seu texto, claro, conciso e objetivo.

Ao contrário do que vociferam pastores evangélicos Brasil afora, como Silas Malafaia e o senador Magno Malta (PR/ES), a PL122 não torna os gays uma ‘categoria intocável’. A discriminação por orientação sexual (homo/bi/trans e hetero) passa a incorporar o texto de uma lei já existente, que pune o preconceito por raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero e sexo. Aprovada a modificação, a lei ganha o texto ‘orientação sexual e identidade de gênero’ como complemento.

A lei, que já cita uma extensa lista de crimes contra estas fatias da sociedade, adiciona ainda impedir ou proibir o acesso a qualquer estabelecimento, negar ou impedir o acesso ao sistema educacional, recusar ou impedir a compra ou aluguel de imóveis ou impedir participação em processos seletivos ou promoções profissionais para as pessoas negras, brancas, evangélicas, budistas, mulheres, nordestinos, gaúchos, índios, homens heterossexuais, mulheres homossexuais, travestis, transexuais… pra TODO MUNDO! Ou seja, a lei não cria artifícios para beneficiar apenas os gays, mas para dar mais garantias de defesa de seus direitos para toda a sociedade, da qual a comunidade gay está inserida.

O único artigo que cita diretamente novos direitos constituídos a homossexuais é o oitavo, que torna crime “proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãos”, deixando claro que os direitos são de TODOS, e não apenas de um grupo seleto de pessoas.

Mas e a liberdade de expressão?

O ponto mais criticado por evangélicos, especificamente, é a perda da liberdade de expressão. Ora, onde um deputado em sã consciência faria um projeto desta magnitude e não estudaria a fundo a constituição para evitar incompatibilidades? O PL122 apenas torna crime atos VIOLENTOS contra a moral e honra de homossexuais, o que não muda em nada o comportamento das igrejas neo-pentecostais em relação a crítica. Uma igreja pode dizer que ser gay é pecado? Pode. Assim como pode dizer que ser prostituta é pecado, ser promiscuo é pecado, ser qualquer coisa é pecado. A igreja pode dizer que gays podem deixar o comportamento homossexual de lado e entrar para a vida em comunhão com Jesus Cristo? Pode, claro! Tudo isso é permitido, se há homossexuais descontentes com sua orientação sexual, eles devem procurar um jeito de ser felizes, ou aceitando sua sexualidade ou tentando outro caminho, como a igreja, por exemplo.

Agora, uma igreja pode falar que negros são sujos, são uma sub-raça e que merecem voltar a condição de escravos? Pode dizer que mulheres são seres inferiores, que não podem trabalhar e estudar, e que devem ser propriedade dos maridos? Pode dizer que pessoas com deficiência física são incapazes e por isto devem ser afastadas do convívio social por não serem ‘normais’? Não, não podem. Da mesma forma, que igrejas não poderão dizer (mesmo porque é mentira) que ser gay é uma doença mental, que tem tratamento, que uma pessoa gay nunca poderá ser feliz e que tem de se ‘regenerar’. Isto é uma violência contra a moral e a honra dos homossexuais, e este tipo de conduta ofensiva será passiva de punição assim que a lei for aprovada.

O que a PL 122 faz é incluir. Ela não cria um ‘império Gay’, como quer inadvertidamente propagar um ou outro parlapatão no Senado. A PL 122 não deixa os homossexuais nem acima, nem abaixo da lei. Deixa dentro da lei. Quem prega contra a lei tem medo de perder o direito de ofender, de humilhar, de destruir seu objeto de ódio. Quem prega contra a PL 122 quer disseminar a intolerância. E tudo que nossa sociedade precisa hoje é aprender respeito e tolerância, e descobrir de uma vez por todas que é a pluralidade que torna nossas breves existências em algo tão extraordinário.