É, nem sei dizer quantas vezes passei por este tipo de coisa na escola e sempre do mesmo jeito:

Um grupinho de machinhos escrotos e babacas que adoravam apavorar geral. Apanhei, fui humilhado dentro de fora da escola, tentaram me forçar a “dar o fiofó” entre várias outras coisas.

Eu sempre fui – e sou – pacífico. Me chamavam até de bundão, cagão e outras coisas por sempre fugir de brigas. Sempre preferi e defendi o diálogo à porrada. Mas para machistas, se você não se atarracar com outro macho (incoerente né?) você não é macho. Se não der porrada, não é macho. Se não humilhar o outro, não é macho.

Porém, quando consegui pegar um deles sozinho (o chefe da gangue) dei o que eles adoravam me dar: porrada. Quase fui expulso da escola por causa da violência e da gravidade dos ferimentos que provoquei no outro.

É aquela coisa: vao te ofendendo, agredindo, humilhando, acuando, etc. Numa escola evangélica, os professores preferem fazer de conta que não estão percebendo isso, afinal é um tabu este assunto para eles. Você se vê sozinho. Acaba que uma hora a coisa chega num ponto tão absurdo que explode e dá no que dá. Mandei o malaco pro hospital com, entre outras coisas, o nariz quebrado.

Ou seja, o machão da escola levou uma sova da “bichinha” durante uma aula de educação física, na frente de todo mundo.

Com isso aprendi que todo macho só é macho o suficiente quando está em sua matilha. Quando tem o seu grupinho, a sua panelinha, a sua gaguezinha para lhe dar cobertura e ajudar a espancar o outro se este começar a apanhar. Sozinho, é apenas mais um cagão, bundão, covarde e que pode ser humilhado, espancado, ofendido como qualquer outra pessoa.

Toda gangue é covarde. Fato!

Não defendo a violência e tampouco a estou defendendo aqui ao expor isso. Fica apenas para deixar registrado, por experiência própria, que as coisas podem sair do controle. Creio que todos já pasaram por momentos na vida em que o chão parece sumir e você acaba perdendo a noção do perigo, dos riscos e das consequências.

Isso tudo ocorreu comigo durante a minha adolescência e juventude. O caso citado da escola não foi a única vez que me vi obrigado a partir pra porrada diante da insistência das agressões sofridas.

Lembro que estou falando da década de 1980 quando isso era um mega tabu e não tínhamos absolutamente nada nem ninguém para nos apoiar, aconselhar, defender. Para a polícia não passávamos de viadinhos, baitolas. Amigos? Quando descobriam nos viravam a cara e se afastavam por medo de se “contaminar” ou acharem que só porque andavam ou conversavam conosco, também eram viadinhos ou sapatinhas. Enfim, a nossa realidade era bem diferente da que os gays de hoje encontram.

Bullying homofóbico hoje em dia, para quem, como eu, viveu os anos de 1990 para trás, é kisuco.

Os de hoje já conseguem contar com este tipo de atitude dos amigos retratada no vídeo acima. Sorte deles.