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Em primeiro lugar, quero lembrar que nós vivemos em um Estado Democrático de Direito e laico. Para quem não sabe o que isso quer dizer, “Estado laico”, esclareço: O Estado, além de separado da Igreja (de qualquer igreja), não tem paixão religiosa, não se pauta nem deve se pautar por dogmas religiosos nem por interpretações fundamentalistas de textos religiosos (quaisquer textos religiosos). Num Estado Laico e Democrático de Direito, a lei maior é a Constituição Federal (e não a Bíblia, ou o Corão, ou a Torá).

Logo, eu, como representante eleito deste Estado Laico e Democrático de Direito, não me pauto pelo que diz A Carta de Paulo aos Romanos, mas sim pela Carta Magna, ou seja, pelo que está na Constituição Federal. E esta deixa claro, já no Artigo 1º, que um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é a dignidade da pessoa humana e em seu artigo 3º coloca como objetivos fundamentais a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. A república Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos princípios da prevalência dos Direitos Humanos e repúdio ao terrorismo e ao racismo.

Sendo a defesa da Dignidade Humana um princípio soberano da Constituição Federal e norte de todo ordenamento jurídico Brasileiro, ela deve ser tutelada pelo Estado e servir de limite à liberdade de expressão. Ou seja, o limite da liberdade de expressão de quem quer que seja é a dignidade da pessoa humana do outro. O que fanáticos e fundamentalistas religiosos mais têm feito nos últimos anos é violar a dignidade humana de homossexuais.

Seus discursos de ódio têm servido de pano de fundo para brutais assassinatos de homossexuais, numa proporção assustadora de 200 por ano, segundo dados levantados pelo Grupo Gay da Bahia e da Anistia Internacional. Incitar o ódio contra os homossexuais faz, do incitador, um cúmplice dos brutais assassinatos de gays e lésbicas, como o que ocorreu recentemente em Goiânia, em que a adolescente Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, que, segundo a mídia, foi brutalmente assassinada por parentes de sua namorada pelo fato de ser lésbica. Ou como o que ocorreu no Rio de Janeiro, em que o adolescente Alexandre Ivo, que foi enforcado, torturado e morto aos 14 anos por ser afeminado.

O PLC 122 , apesar de toda campanha para deturpá-lo junto à opinião pública, é um projeto que busca assegurar para os homossexuais os direitos à dignidade humana e à vida. O PLC 122 não atenta contra a liberdade de expressão de quem quer que seja, apenas assegura a dignidade da pessoa humana de homossexuais, o que necessariamente põe limite aos abusos de liberdade de expressão que fanáticos e fundamentalistas vêm praticando em sua cruzada contra LGBTs.

Assim como o trecho da Carta de Paulo aos Romanos que diz que o “homossexualismo é uma aberração” [sic] são os trechos da Bíblia em apologia à escravidão e à venda de pessoas (Levítico 25:44-46 – “E, quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das gentes que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas…”), e apedrejamento de mulheres adúlteras (Levítico 20:27 – “O homem ou mulher que consultar os mortos ou for feiticeiro, certamente será morto. Serão apedrejados, e o seu sangue será sobre eles…”) e violência em geral (Deuteronômio 20:13:14 – “E o SENHOR, teu Deus, a dará na tua mão; e todo varão que houver nela passarás ao fio da espada, salvo as mulheres, e as crianças, e os animais; e tudo o que houver na cidade, todo o seu despojo, tomarás para ti; e comerás o despojo dos teus inimigos, que te deu o SENHOR, teu Deus…”).

A leitura da Bíblia deve ensejar uma religiosidade sadia e tolerante, livre de fundamentalismos. Ou seja, se não pratica a escravidão e o assassinato de adúlteras como recomenda a Bíblia, então não tem por que perseguir e ofender os homossexuais só por que há nela um trecho que os fundamentalistas interpretam como aval para sua homofobia odiosa.

Não declarei guerra aos cristãos. Declarei meu amor à vida dos injustiçados e oprimidos e ao outro. Se essa postura é interpretada como declaração de guerra aos cristãos, eu já não sei mais o que é o cristianismo. O cristianismo no qual fui formado – e do qual minha mãe, irmãos e muitos amigos fazem parte – valoriza a vida humana, prega o respeito aos diferentes e se dedica à proteção dos fracos e oprimidos. “Eu vim para que TODOS tenham vida; que TODOS tenham vida plenamente”, disse Jesus de Nazaré.

Não, eu não persigo cristãos. Essa é a injúria mais odiosa que se pode fazer em relação à minha atuação parlamentar. Mas os fundamentalistas e fanáticos cristãos vêm perseguindo sistematicamente os adeptos da Umbanda e do Candomblé, inclusive com invasões de terreiros e violências físicas contra lalorixás e babalorixás como denunciaram várias matérias de jornais: é o caso do ataque, por quatro integrantes de uma igreja evangélica, a um centro de Umbanda no Catete, no Rio de Janeiro; ou o de Bernadete Souza Ferreira dos Santos, Ialorixá e líder comunitária, que foi alvo de tortura, em Ilhéus, ao ser arrastada pelo cabelo e colocada em cima de um formigueiro por policiais evangélicos que pretendiam “exorcizá-la” do “demônio”.

O que se tem a dizer? Ou será que a liberdade de crença é um direito só dos cristãos?

Talvez não se saiba, mas quem garantiu, na Constituição Federal, o direito à liberdade de crença foi um ateu Obá de Xangô do Ilê Axé Opô Aforjá, Jorge Amado. Entretanto, fundamentalistas cristãos querem fazer uso dessa liberdade para perseguir religiões minoritárias e ateus.

Repito: eu não declarei guerra aos cristãos. Coloco-me contra o fanatismo e o fundamentalismo religioso – fanatismo que está presente inclusive na carta deixada pelo assassino das 13 crianças em Realengo, no Rio de Janeiro.

Reitero que não vou deixar que inimigos do Estado Democrático de Direito tente destruir minha imagem com injúrias como as que fazem parte da matéria enviada para o Jornal do Brasil. Trata-se de uma ação orquestrada para me impedir de contribuir para uma sociedade justa e solidária. Reitero que injúria e difamação são crimes previstos no Código Penal. Eu declaro amor à vida, ao bem de todos sem preconceito de cor, raça, sexo, idade e quaisquer outras formas de preconceito. Essa é a minha missão.

Jean Wyllys (Deputado Federal pelo PSOL Rio de Janeiro)

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Porque?

É muito fácil perceber como as pessoas são hipócritas.

A ilustração acima representa um casal homossexual masculino. É uma imagem utilizada no mundo todo representando a união homoafetiva masculina. Assim como ela, existe a outra representando a união homoafetiva feminina, a heterossexual e a… bem, nunca vi uma que representasse a bissexual… Talvez porque a maioria não se assuma bissexual, sei lá… que seja.

Observem agora a imagem abaixo:

Pois bem.

Eu corto meu saco se algum machista de plantão pedir a exclusão deste blog para o WordPress sem antes bater umas boas punhetas imaginando-se ali, no meio das duas gostosas e tesudas, devassas – afinal se elas se beijam, se acariciam e se tocam, são putas e só estão com falta de macho – mas vale a punha e a gozada.

Também corto meu saco se algum destes o fizer sem antes salvar esta foto para futuros momentos de prazer solitário com as mesmas imagens/filmes passando por suas mentes e olhos, para que seu IP nao fique gravado no leiômetro deste blog e o hipócrita possa ser descoberto em quantas vezes voltou aqui atras de mais imagens prazeirozas.

É mais que comum vermos em filmes pornôs heterossexuais o fodão com duas mulheres. É, ele é macho o suficiente para dar conta das duas. E esse fetiche é disseminado e espalhado pela web, pelas locadoras e por revistas por qualquer canto indiscriminadamente. Porém ele, o machão, não se importa em ver – ou que seu filho adolescente veja – esse tipo de cena/imagem. Afinal, elas duas só estão precisando de um macho como ele ali no meio para dar conta. Que se dane se elas vão se beijar ou fazer o que for. Afinal elas não são lésbicas, sapatão, bolachas, sargentões ou o que for. São duas mulheres curtindo o prazer e, se ele estiver ali no meio, melhor ainda.

Pois é, apresento-lhes então caros machões, o que na minha época de jovem era conhecido por “Ladyes”. Chocados? Duvido.

Então, apresento-lhes um estilo de vida homossexual que não busca alterar em nada a sua feminilidade. Elas gostam de ser mulher, de viver e demonstrar a sua feminilidade, são vaidosas, maquiam-se, são perfumadas, usam jóias e acessórios, são delicadas em gestos, palavras e ações entre tantas outras coisas, assim como a sua esposa/noiva/namorada/filha que – certamente – não está aí ao seu lado agora já que você deve estar se punhetando olhando a foto das duas gatas acima e nem deve estar lendo este texto.

Pois é, assim como temos uma grande diversidade dentro da heterossexualidade também a temos dentro da homossexualidade.

É bastante comum encontrarmos heteros de todos os tipos e para todos os gostos não é mesmo? Então, no meio homossexual também existem.

Assim como existem as “Ladyes” existem também os “Entendidos”.

É! São os homens que também curtem viver em plenitude a sua masculinidade. Eles gostam de ser homens, agir, falar, comportar-se, vestir-se, viver como homens, e… gostam também de homens. Eu sou um desses!

É são muito mais machos na aparência e na atitude que muitos heterossexuais.

Não é questão, como já frisei, de não ter coragem de “sair do armário” ou qualquer coisa do tipo. É simplesmente questão comportamental, de gosto. Eu sempre digo que adoro meu corpo peludo, minha voz grave e brinco dizendo que uma saia ou meia fina jamais vai combinar com minhas pernas peludas e tampouco uma maquiagem conseguirá esconder a minha barba e minha cara de macho. Não vai “ornar” comigo, entende? Não faz parte de mim, não combina com a MINHA personalidade. E, como sou assim, também gosto de homens assim. ;-)

Opa, qual o problema agora?

Brochou porque?

Porque está indignado, surtado e já clicando para denunciar este blog como conteúdo inapropriado ou inadequado, inventando sandices como desculpa??

Ah ja sei, os dois machos da foto são mais machos que você visualmente não é? São tudo que você queria ser e nunca conseguiu…

Ou será que a péssima criação que você teve só te faz conseguir ver a homossexualidade como coisas bizarras, podres, aquelas caricaturas deploráveis que aparecem nos programas humorísticos ridículos que você consegue assistir e entender e ainda rir?

Será também que não tem a ver com a visão distorcida (tudo bem vá lá, existem heteros e homos promíscuose perversos) de que a homossexualidade é uma perversão, que vivem apenas em meio à promiscuidade, que são desumanos, os grandes pedófilos da humanidade, etc etc etc? Pois então te convido a ler este texto que apresenta uma visão real e irônica sobre a heterossexualidade que a maioria das pessoas preferem fazer de conta que não acontece em nosso dia a dia, na sociedade.

Será também que não tem aí um pouco de frustração e recalque também? Afinal, assim como eu, você também foi criado numa sociedade machista, dentro de uma família heterossexual, religiosa onde foi programado desde cedo a ser um reprodutor do modelo “padrão”: crescer, punhetar-se feito doido na adolescência, pegar um monte de menininhas na juventude, casar com uma mulher, procriar (afinal você não lê a sua bíblia corretamente: o sexo é somente para procriação ok? Por prazer é pecado!!) e repassar seus genes e forma de criação para suas gerações seguintes.

Não te culpo, como coloquei, eu também fui criado assim. Talvez, por ter sido mais macho que você, tive coragem de transgredir, confrontar, debater, questionar e libertar-me.

Porém, o que tem demais esta foto aqui neste blog?

Eu fui até a tua casa esfregar esta imagem na sua cara? Fui com meu companheiro na frente da tua casa dar um beijo nele para te escandalizar ou afrontar?

Tem algo de indecente nesta foto que possa equipara-la aos padrões das fotos das revistas que você esconde embaixo de seu colchão pra se punhetar quando está sozinho?

Tem alguma putaria, podridão ou indecência nessa foto que chegue perto das imagens dos filminhos que você fica assistindo e se lambuzando de baba e de porra enquanto a sua esposa está no supermercado ou cuidando de SEUS filhos?

NÃO!

Você é que veio à minha casa. Você é quem está aí doentemente buscando algo ou alguém para descontar as suas frustrações e raiva do mundo.

Portanto, se você chegou até aqui seja bem vindo.

Mas lembre-se de que você clicou e chegou aqui porque quis e consciente do que trata este blog ok?

Continuando…

Ah tá, você tem certeza absoluta que é hetero e tão somente hétero! Parabéns bobão.

Nessas horas lembro-me de minha irmazinha quando dizia que odiava strogonoff. Porém NUNCA tinha provado e sempre que minha mãe fazia esta delicia culinária ela saía de casa para nem mesmo “sentir o cheiro daquela coisa horrorosa”. Quando provou, gostou. Ou seja, transgrediu tudo o que ela supunha. Ela venceu, sem dor alguma ou dano algum ao seu caráter e à sua personalidade, um pré-conceito.

Faz assim então, assista os vídeos que estão no post sobre o documentário Outrage. Tem depoimentos de pessoas como você, que passaram pelas mesmas coisas que você, que tiveram a mesma criação que você e eu, que sofreram os mesmos conflitos que te afligem somente de pensar na possibilidade de quem sabe “posso ser” ou simplesmente “é, ele pode (e tem o direito de) ser assim que não me afeta em nada”.

Não estou dizendo aqui que TODO hetero é BI ou um HOMO recalcado ok? Estou apenas mostrando uma possibilidade que a maioria prefere nem pensar sobre.

Se quiser conversar comigo sobre isso fique a vontade. Desabafe, refute, opine, critique, apóie nos comentários abaixo.

Só não venha dar uma de ogro na minha casa ok?