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Carta aberta de Católicas pelo Direito de Decidir à Presidenta Dilma Rousseff sobre a polêmica criada em torno do kit anti-homofobia


Presidenta Dilma,

Estamos estarrecidas! A polêmica criada em torno do kit anti-homofobia e o recuo do governo federal ante as pressões vindas de alguns dos setores mais conservadores e preconceituosos da sociedade nos deixou perplexas. E temerosas do que se anuncia para uma sociedade que convive com os maiores índices de violência e crimes de morte cometidos contra pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersex (LGBTTI) do mundo. Temos medo de um retorno às trevas, senhora Presidenta, e não sem motivos.

A vitoriosa pressão contra o kit anti-homofobia da bancada religiosa, majoritariamente composta por conservadores evangélicos e católicos, em um momento em que denúncias de corrupção atingem o governo, traz de volta ao cenário político a velha prática de se fazer uso de direitos civis como moeda de troca. Trocam-se, mais uma vez, votos preciosos e silêncio conivente pelo apoio ao preconceito homofóbico que retira de quase vinte milhões de brasileiros e brasileiras o direito a uma vida sem violência e sem ódio. A dignidade e a vida de pessoas LGBTTI estão valendo muito pouco nesse mercado escuso da política do toma-lá-dá-cá, senhora Presidenta! E o compromisso com a verdade parece que nada vale também.

Presidenta, convenhamos, a senhora sabe que o kit anti-homofobia é um material educativo, que não tem por finalidade induzir jovens a se tornarem homossexuais, até mesmo porque isso é impossível, como tod@s sabemos. Não se induz ninguém a sentir amor ou desejo por outrem. Mas respeito, sim. E ódio também, senhora Presidenta… ódio é possível ensinar! Poderíamos olhar para trás e ver o ódio que a propaganda nazista induziu contra judeus, ciganos, homossexuais. Porém, infelizmente, não precisamos ir tão atrás no tempo. Temos terríveis exemplos recentes de agressões covardes e aviltantes a pessoas LGBTTI e o enorme índice de violência contra as mulheres acontecendo aqui mesmo, em nosso próprio país.

Quando a senhora afirma, legitimando os conservadores homofóbicos, que é contra a propaganda da “opção” sexual, faz parecer que alguém pode, de fato, “optar” por sentir esse ou aquele desejo. Amor, desejo, afeto não são opcionais, ninguém escolhe por quem se apaixona, senhora Presidenta! Mas se escolhe ferir, matar, humilhar.

Quando a senhora diz que todo material do governo que se refira a “costumes” deve passar por uma consulta a “setores interessados” da sociedade antes de serem publicados ou divulgados, como estampam hoje os jornais, ficamos ainda mais perplexas. De que “costumes” estamos falando, senhora Presidenta? E de que “setores interessados”? Não se trata de “costumes”, mas de direitos de cidadania que estão sendo violados recorrentemente em nosso país e em nome de uma moral religiosa conservadora, patriarcal, misógina, racista e homofóbica. Trata-se de direitos humanos que são negados a milhões de pessoas em nosso país!

E “setores interessados”, nesse caso, deveria significar a população LGBTTI e todas as forças democráticas do nosso país que não querem ter um governo preso a alianças políticas duvidosas, ainda mais com setores “interessados” em retrocessos políticos quanto aos direitos humanos da população brasileira.

O país que a senhora governa ratificou resoluções da ONU tomadas em grandes conferências internacionais, em Cairo (1994) e em Beijing (1995), comprometendo-se a trabalhar para que os direitos sexuais e os direitos reprodutivos sejam reconhecidos como direitos humanos. No entanto, até hoje pessoas LGBTTI morrem por não terem seus direitos garantidos. Mulheres morrem pela criminalização do aborto e pela violência de gênero.

Comemoramos quando uma mulher foi eleita ao cargo máximo de nosso país. Ainda mais porque, como boa parcela da sociedade, levantamos nossa voz contra o aviltamento do Estado laico, ao termos um uso perverso da religião nas campanhas eleitorais de 2010 para desqualificar uma mulher competente e com compromisso com a dignidade humana. Antes ainda, levantamos nossa voz a favor do III PNDH, seguras de que deveria ser um instrumento de aprofundamento do respeito aos direitos humanos em nosso país. Agora não temos o que comemorar, senhora Presidenta! Parece que o medo está, de novo, vencendo a verdade. E a dignidade.

Infelizmente, temos de – mais uma vez! – vir a público exigir que os princípios do Estado laico sejam cumpridos. Como a senhora bem sabe, a laicidade é essencial à democracia e não se dá pela simples imposição da vontade da maioria, pois isso resulta em desrespeito aos direitos humanos das minorias, sejam elas religiosas, étnico-raciais, de gênero ou orientação sexual. Não existe democracia se não forem respeitados os direitos humanos de todas as pessoas. Impor a crença religiosa de uma parcela da população ao conjunto da sociedade coloca em risco a própria democracia, já que os direitos humanos de diversos segmentos sociais estão sendo violados. Portanto, senhora Presidenta, não seja conivente! Não permita que alguns setores da sociedade façam do Estado laico um conceito vazio, um ideal abstrato.

Como Católicas pelo Direito de Decidir, repudiamos o uso das religiões neste contexto de manipulação política e afirmamos nosso compromisso com a laicidade do Estado, com a dignidade humana e nosso apoio ao uso do kit educativo pelo fim da homofobia nas escolas brasileiras.

Fonte: Católicas pelo direito de decidir.

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Encontrei este texto na web. Por ser maravilhosamente irônico, sensato, e realista resolvi compartilha-lo com vocês. Espero que o autor dê uma de homofóbico comigo ;-)

Por: Ruleandson do Carmo em http://www.eusoqueriaumcafe.com/2008/07/heterofobia.html

Pelo direito de ser diferente

Preciso confessar: sofro de heterofobia. Não consigo achar normal duas pessoas de sexos diferentes se amarem. Minha religião não permite! Como pode um homem dar prazer a alguém com um corpo tão diferente do dele? Ele nem sabe que prazer uma mulher sente de verdade ao ser tocada e vice-versa. Como um hétero pode ter certeza de que é heterossexual se ele nunca ficou com um ser do mesmo sexo? A heterossexualidade, na verdade, é apenas uma fase, vai passar um dia, após a adolescência.

Seu filho é hétero? Coitado! Mas, não se preocupe, é apenas modismo, ele quer ser hétero só porque viu aquele casal hétero na novela, bobo. Aliás que pouca vergonha se tornou a televisão e o cinema?! Exibem cenas de sexo hétero a todo momento. Isso devia ser proibido, pois pode obrigar as crianças a se tornarem heterossexuais. Mas a bem da verdade os heterossexuais são seres promíscuos. P-R-O-M-Í-S-C-U-O-S! Não podem ver um rabo-de-saia que já estão gritando “gostosa”, são pervertidos. Ou você já viu um grupo de pedreiros gays gritando “tesão” quando passa o vizinho sarado? E quando se reúnem vários héteros, então? É uma putaria sem fim. É só ter uma micareta, um festival de axé, que os héteros ficam se pegando feito animais no cio, e no dia seguinte a rua fica cheia de camisinhas usadas.

Isso sem falar na competência dos héteros. Por que uma empresa contrataria alguém tão conformado, sem criatividade e que vai dar em cima de todas as funcionárias, como um heterossexual? Não, não, héteros precisam de cartilhas a todo momento, para dizer o que é certo ou errado, não contrate-os. Fora isso, eles costumam sair à noite e ir a boates e ficam beijando na frente de pessoas que não estão acostumadas a ver isso, eles deviam se dividir em grupos, se afastar da sociedade e colocar na porta: “aviso: boate hétero”.

Onde está a moral hétero, hein? Olha o número de adolescentes grávidas no Brasil! Héteros não amam, eles só pensam em sexo! Dispensa comentar acerca das doenças sexualmente transmissíveis, né? Héteros são lotados delas! Afinal não há mais grupos de risco e sim comportamentos de risco e quem sofre cada vez mais com a AIDS são as mulheres casadas. Héteros são um problema de saúde pública, não sei por que não tratam a heterossexualidade como doença (e ainda querem me impedir de falar heterossexualismo, que frescura!).

Héteros não tem condições de criar uma família. Os homens héteros pensam apenas em futebol e cerveja, largam as esposas em casa para irem aos estádios de futebol, ou para se reunirem com os amigos no bar da esquina. As mulheres héteros só querem saber de cuidar do cabelo, fazer compras e até esquecem os bebês no carro para ir ao shopping. Existem registros de casais héteros, que geraram seus filhos biologicamente, e foram capazes de atirá-los pela janela e até na lagoa. Onde está o futuro de uma criança com um hétero?

Na verdade pode ser falta de espiritualidade. Héteros devem ser pessoas afastadas de Deus, que não sabem seguir as regras do Senhor. O inferno tá cheio de héteros, queimando por suas vidas impuras. E Deus, O ser superior que ama a todos, jamais perdoaria alguém que ama um sexo diferente. Devemos alertá-los para deixarem de ser héteros, antes que seja tarde demais para voltarem a uma vida normal!

E o que é pior é saber que ser hétero é uma opção, uma escolha. Ou você não se lembra? Lembra sim, safado! Quando a criança faz 12 anos, os pais apresentam um menu e perguntam: “Meu filho, você agora precisa decidir se vai gostar de homem ou de mulher. Você prefere ter uma ereção ao ver a Britney Spears ou o Ricky Martin ou ambos?”. É tudo escolha, nós exercemos total controle sobre nossos sentimentos e sexualidade desde o nascimento. Chega disso, chega de heterossexuais, de suportá-los infiltrados na sociedade! Se eu tiver um filho, eu quero que ele seja gay!

*Segundo pesquisa do GGB (Grupo Gay da Bahia) um homossexual é assassinado a cada três dias no Brasil por homofobia. Este texto é dedicado a todos homofóbicos que acham que a orientação sexual define o caráter de uma pessoa e aos militantes da Parada Gay de BH. A propósito: sim, eu acredito em Deus, afinal Ele, como todo bom pai, também acredita em mim e me ama, como eu sou.