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Entrevista muito sensata, lúcida e transparente que o Deputado Jean Wyllys concedeu à Marília Gabriela em seu programa no canal GNT (15/05/2011).

Ele mostra o que é verdade e o que é mentira sobre o PLC122. Mostra o quanto os Bolsamalas da vida estão deturpando o assunto e misturando coisas com a unica intenção: confundir a opinião da sociedade.

Vale a pena assistir.

Parabéns mais uma vez Jean!

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Hoje à tarde enquanto estava no Twitter uma tuitada de alguém  na tag #HomofobiaNao me chamou a atenção por causa do texto. Cliquei no link e fui ver do que se tratava.

Não, não adianta pedirem o link pois eu me recuso a dar ibope para ele.

Até aceito que é um texto muito bem escrito porém, a confusão de idéias e conceitos – descontando ainda o desconhecimento histórico do movimento LGBTSxyz – o cara acabou pisando feio na bola.

Ele vem publicamente exigir respeito da sociedade num texto onde ataca, deliberadamente, a sociedade, inclusive outros gays.

Tudo bem que ele goste e se sinta bem usando maquiagem, roupas fashion, dando carão na rua entre outras coisas. Tudo bem também que ele seja efeminado. Ninguém tem absolutamente nada a ver com isso a não ser ele mesmo. Só que pera lá: chamar de gay-homofóbico os homossexuais – segundo ele, os gays-machos – que curtem, gostam  e vivem tranquilamente com a sua masculinidade e que admiram e buscam isso nos possíveis parceiros para sexo ou relacionamento afetivo já é pesado demais.

Compara-los aos homofóbicos é de uma sandice e irresponsabilidade que me deixou a tarde toda sem palavraspor isso a insônia e a necessidade de falar agora.

Ele inclusive relata – de forma fútil e jocosa – as “desculpas” que nós, gays-machos, damos quando somos paquerados ou cantados por gays que não fazem o nosso tipo.  Como se não bastasse, ele ainda afirma categoricamente que esse tipo de atitude é típica de gays que não foram machos o suficiente para assumir a sua homossexualidade e continuam lá, trancafiados dentro do armário, recalcados e infelizes. Para ele, sair do armário é virar – queira ou nao, goste ou não – em efeminado. Só assim – sendo como ele – a pessoa será completamente feliz.

Diz ainda que, historicamente, é graças às “beeessss” mais abusadas “que dão a cara a tapa diariamente” que estamos conseguindo avançar nas questões dos nossos direitos. Que os gays-machos adoram ficar na deles quietos, sem mexer uma palha sequer enquanto eles – os prováveis futuros mártires do movimento LGBTSxyz – estão pelas ruas empunhando bandeiras, levando porrada, etc mas que depois vem exigir os direitos conquistados por elas. Que as caricaturas gays da TV tem mais valor que nós, gays-machos.

Bom, o texto segue por essa linha de raciocínio. Isso tudo foi apenas uma amostra geral.

Agora me digam: é ou não é de “cair o cú da bunda” uma coisa dessas?

Quer dizer: o cara escreve um texto para um blog – com bastante visibilidade na comunidade gay – exigindo respeito da sociedade e demonstra claramente que é incapaz de respeitar seus próprios “irmãos”?

Pior foi perceber nos comentários do texto que muitos gays pensam como ele. Apoiavam a visão dele e esculhambavam mais ainda a coisa toda.

Em resumo: ele tem o direito de ser como quiser mas eu não! Ele é melhor que eu só porque o seu “outing” foi numa praça pública empunhando uma bandeira do arco-íris ao som de “I will survive” e o meu apenas para aqueles que eu julguei necessário!

Ele se esquece, comodamente claro, que muitos gays-machos como eu trabalham em grandes empresas, ou são profissionais renomados e reconhecidos em suas áreas, outros são políticos ou assessores destes, e que tais gays-machos tem poder nas mãos para ajudar a causa LGBTSxyz de outra forma, nos bastidores. Se esquece também que muitos gays-machos como eu tem um canal direto com políticos – inclusive os mais resistentes – e que conseguem, numa conversa tranquila  e apolitizada, mudar aos poucos a visão deles em favor da causa LGBTSxyz.

Se esquece também que, historicamente falando, muitos gays-machos davam a cara pra bater e enfrentavam situações bem piores que as que os gays – ele inclusive – enfrentam hoje. Junto com a comunidade gay, de mãos dadas quando necessário, estes gays-machos marcharam no passado em defesa de direitos primários e que eles também tiveram o seu mérito nas conquistas. E que hoje, se necessário for, estraremos em campo  (dar a cara pra bater publicamente) sim na defesa dos direitos da comunidade LGBTSxyz, porém, sem vestir uma fantasia do que não somos ou nos travestirmos. Estaremos ali marchando, sem negar o que e como somos: gays-machos.

Observem a foto. Tem muito gay-macho e gay-fêmea aí. Todos lutando juntos.

Talvez a visão distorcida desse cara – e de tantos outros gays que pensam assim – tenha fundamento na sua vida social, seu círculo social. Talvez, por não conviver – por puro preconceito apesar de morrerem de tesão por estes – com gays-machos, preferindo estar sempre na companhia de iguais, ele desconheça esta realidade, este estilo de vida gay,  onde estes gays-machos podem estar “infiltrados” e o que podem fazer em favor da causa LGBTSxyz. Quem sabe também esta revolta não está fincada num “NÃO” que recebeu após dar uma cantada chula em algum gay-macho? Então ele sai livremente por aí vomitando o seu ódio contra o seu semelhante.

São meras suposições minhas sobre este cara? Sim. Mas estão baseadas na realidade de muitos gays que conheço. Na cabeça destes, apenas por eu ser gay, tenho obrigação de trepar com quem quer que seja e se eu não for “mulher” tou negando a minha sexualidade. Pera lá: eu gosto de gay-macho, já maduro, discreto como eu. É pecado isso agora? É crime ter um biotipo específico que te atrai fisicamente e te deixa de pau duro só de olhar?

Ou seja, o pipi dele fica em riste quando me olha e me deseja, então o meu caralho tem a obrigação de ficar em riste mesmo não sentindo tesão pelo cara, apenas para satisfazer a vaidade e os desejos DELE? Alguém aí me mostra onde é que fica esse botão liga/desliga???

Isso nem de longe quer dizer que os gays-machos sejam incapazes de conviver socialmente, na boa, com aqueles que são diferentes. No entanto, os mais abusados tem de ter em mente o seguinte: quando cruzarem com um gay-macho na rua ou onde for, lembre-se que vocês são iguais, mas diferentes. Sejam discretos em respeito ao outro. Não digo apresentar-se como um gay-macho, mas ao menos evite dar bafão.

Nesse ponto admiro muito o André – drag Brigitte Beaulieu de Curitiba. Nos conhecemos desde a época em que ele ainda era um jovenzinho, iniciando – e já arrazando nos shows – a sua vida. Sempre me tratou com muito respeito e NUNCA fez qualquer coisa que me colocasse numa situação constrangedora. Claro que quando nos encontrávamos sozinhos na rua ou em alguma boate ou bar, ele tinha a liberdade de ferver e brincar comigo. É um amigo que, apesar da distancia e da falta de contato, tem um lugarzinho só dele em meu coração. Respeito-o demais pela pessoa linda que ele é.

Já enfrentei vários problemas por causa de gays sem noção: eu andando na rua com alguém (chefe, familiares, amigos que não sabiam, etc) e chega uma loka não sei de onde fervendo, com seu palavreado típico e lindamente educado, sem se tocar ou querer saber quem é que estava ao meu lado. Numa das vezes, era um ex-governador que eu estava acompanhando num 1° de dezembro, numa ação pública de conscientização sobre a AIDS/HIV em Curitiba-PR.

Um cara difícil de lidar, bastante resistente a qualquer assunto sobre homossexualidade e que, depois de mais de 3 horas de conversa, diálogo, onde consegui mostrar o lado “bom e normal” que a homossexualidade tem assim como a heterossexualidade. Do nada, me chega uma beeee fazendo um mega bafão histérico e fechativo, e joga tudo por terra.

Ou melhor, enterra e bate a pá em cima e sai rindo equilibrando-se na sua plataforma.

Repito o que já escrevi aqui neste blog e no Twitter, e prestem bastante atenção:

Enquanto a comunidade LGBTSxyz – incluindo as associações – não aceitar e assumir a diversidade dentro dela mesma, não tem o menor direito – e nem sentido – de exigir respeito de quem for.

Sim, me senti bastante ofendido pelas colocações deste cara. Meu compenheiro, um gay-macho lindo e tesudo,  também. Vários amigos – gays-machos – que mostrei o texto também.

Respeito é bom, todos nós gostamos, merecemos e estamos correndo atrás disso.

JUNTOS!

Se for continuar como está, não reclamem das pedradas recebidas.

Primeiro vamos arrumar a nossa casa pra depois arrumar a sociedade?

Pode ser?

O vídeo abaixo mostra uma manifestação pró-Bolsonaro realizada no Rio de Janeiro dias atrás.

Percebam como estes que colocam-se contra os nossos direitos conseguem se trair em suas próprias palavras.

Num ponto diz que todo homossexual tem o direito de viver dignamente como pessoa humana, que não tem qualquer tipo de preconceito e não é homofóbico.

Em outro, cita uma lista de aberrações, absurdos e hipocrisias. Porém não se dá conta que esta lista é a mesma de direitos que ele, como heterossexual, tem garantidos.

Também vale destacar como eles distorcem a verdade em benefício próprio. Reclamam de uma suposta “ditadura gay” mas esconde que vivemos sob uma ditadura heterossexual e machista.

O vídeo fala por si.

Tirem suas conclusões e percebam a multidão homofóbica que eles tanto arrotam existir no Brasil.

Fonte: Texto: William De Lucca Martinez – www.peganomeu.wordpress.com Salvador, 23/04/2010

Entre a extensa lista de citações do filósofo grego Aristóteles, uma é essencial para que todo este texto faça sentido: “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”. Ser gay não é o único motivo que me faz acreditar que o projeto de lei substitutivo 122, de 2006, adiciona a discriminação aos homossexuais a lista de crimes da lei º 7.716 seja benéfico para toda a sociedade. O que me faz acreditar neste projeto é seu texto, claro, conciso e objetivo.

Ao contrário do que vociferam pastores evangélicos Brasil afora, como Silas Malafaia e o senador Magno Malta (PR/ES), a PL122 não torna os gays uma ‘categoria intocável’. A discriminação por orientação sexual (homo/bi/trans e hetero) passa a incorporar o texto de uma lei já existente, que pune o preconceito por raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero e sexo. Aprovada a modificação, a lei ganha o texto ‘orientação sexual e identidade de gênero’ como complemento.

A lei, que já cita uma extensa lista de crimes contra estas fatias da sociedade, adiciona ainda impedir ou proibir o acesso a qualquer estabelecimento, negar ou impedir o acesso ao sistema educacional, recusar ou impedir a compra ou aluguel de imóveis ou impedir participação em processos seletivos ou promoções profissionais para as pessoas negras, brancas, evangélicas, budistas, mulheres, nordestinos, gaúchos, índios, homens heterossexuais, mulheres homossexuais, travestis, transexuais… pra TODO MUNDO! Ou seja, a lei não cria artifícios para beneficiar apenas os gays, mas para dar mais garantias de defesa de seus direitos para toda a sociedade, da qual a comunidade gay está inserida.

O único artigo que cita diretamente novos direitos constituídos a homossexuais é o oitavo, que torna crime “proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãos”, deixando claro que os direitos são de TODOS, e não apenas de um grupo seleto de pessoas.

Mas e a liberdade de expressão?

O ponto mais criticado por evangélicos, especificamente, é a perda da liberdade de expressão. Ora, onde um deputado em sã consciência faria um projeto desta magnitude e não estudaria a fundo a constituição para evitar incompatibilidades? O PL122 apenas torna crime atos VIOLENTOS contra a moral e honra de homossexuais, o que não muda em nada o comportamento das igrejas neo-pentecostais em relação a crítica. Uma igreja pode dizer que ser gay é pecado? Pode. Assim como pode dizer que ser prostituta é pecado, ser promiscuo é pecado, ser qualquer coisa é pecado. A igreja pode dizer que gays podem deixar o comportamento homossexual de lado e entrar para a vida em comunhão com Jesus Cristo? Pode, claro! Tudo isso é permitido, se há homossexuais descontentes com sua orientação sexual, eles devem procurar um jeito de ser felizes, ou aceitando sua sexualidade ou tentando outro caminho, como a igreja, por exemplo.

Agora, uma igreja pode falar que negros são sujos, são uma sub-raça e que merecem voltar a condição de escravos? Pode dizer que mulheres são seres inferiores, que não podem trabalhar e estudar, e que devem ser propriedade dos maridos? Pode dizer que pessoas com deficiência física são incapazes e por isto devem ser afastadas do convívio social por não serem ‘normais’? Não, não podem. Da mesma forma, que igrejas não poderão dizer (mesmo porque é mentira) que ser gay é uma doença mental, que tem tratamento, que uma pessoa gay nunca poderá ser feliz e que tem de se ‘regenerar’. Isto é uma violência contra a moral e a honra dos homossexuais, e este tipo de conduta ofensiva será passiva de punição assim que a lei for aprovada.

O que a PL 122 faz é incluir. Ela não cria um ‘império Gay’, como quer inadvertidamente propagar um ou outro parlapatão no Senado. A PL 122 não deixa os homossexuais nem acima, nem abaixo da lei. Deixa dentro da lei. Quem prega contra a lei tem medo de perder o direito de ofender, de humilhar, de destruir seu objeto de ódio. Quem prega contra a PL 122 quer disseminar a intolerância. E tudo que nossa sociedade precisa hoje é aprender respeito e tolerância, e descobrir de uma vez por todas que é a pluralidade que torna nossas breves existências em algo tão extraordinário.