Category: HomoDiálogos


Para comemorar o dia dos namorados, adianto aqui uma musica que dedico especialmente ao meu amor e também a todos os enamorados.

Make You Feel My Love – Adele

When the rain
Is blowing in your face
And the whole world
Is on your case
I could offer you
A warm embrace
To make you feel my love

When the evening shadows
And the stars appear
And there is no one there
To dry your tears
I could hold you
For a million years
To make you feel my love

I know you
Haven’t made
Your mind up yet
But I would never
Do you wrong
I’ve known it
From the moment
That we met
No doubt in my mind
Where you belong

I’d go hungry
I’d go black and blue
I’d go crawling
Down the avenue
No, there’s nothing
That I wouldn’t do
To make you feel my love

The storms are raging
On the rolling sea
And on the highway of regret
Though winds of change
Are throwing wild and free
You ain’t seen nothing
Like me yet

I could make you happy
Make your dreams come true
Nothing that I wouldn’t do
Go to the ends
Of the Earth for you
To make you feel my love

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Sim, quem me conhece sabe exatamente o que este depoimento e esta história toda tem a ver com a minha vida. Sim. Eu já estive dentro da ÊXODUS BR. Os motivos que levam uma pessoa a isso vão além dos citados pelo Michael no texto dele. Apresento aqui alguns dos meus e fatos vividos dentro da igreja.

Como muitos eu também fui criado dentro de uma família religiosa com maioria evangélica. Vivia minha vida tranquilamente – apesar dos entraves familiares corriqueiros que vez ou outra aconteciam – até que, em 2001, vivenciei um final de um relacionamento de 11 anos bastante traumático que me desestabilizou por completo.

Motivo? Uma sogra satânica em minha vida.

Uma sogra que tinha na mente o seguinte: o filho dela não era viado. Ele só estava viado por causa da minha companhia. Enquanto ela não sabia de nada, eu era o melhor amigo e pessoa do mundo. Após descobrir, virei o demônio, o anti-cristo encarnado e ela, como boa defensora e protetora da moral cristã, da família e dos bons costumes, tinha o dever de acabar comigo. E foi o que fez.

Três anos enfiada dentro da nossa casa (minha e dele) de onde ela não saia nem para ir na esquina comprar o próprio cigarro. Tudo para estar sempre ao lado do filhinho para defendê-lo do diabão aqui (detalhe: o filhinho tinha mais de 40 anos na época). E assim foi indo dia a dia minando e destruindo algo lindo que existia entre eu e ele. E ele como bom filhinho da mamãe deixou que ela me destruísse sem falar um “a” sequer em minha defesa.

De amigos meus – que ela me humilhava perversamente na frente deles – passando por parentes que ela tocou de minha casa e fazia questão de telefonar e inventar fofocas maldosas – incluindo os meus pais e irmãs – até interferir em meus ambientes profissionais e de estudos, ela fez de tudo um pouco.

Nos separamos e já que ela tinha amaldiçoado tudo o que construímos, que engolisse a própria maldição e convivesse com ela. Abandonei tudo e fui recomeçar a minha vida.

Neste recomeçar, acabei frequentando bares e boates gays. Isso me fez reviver os sentimentos que tomaram conta de mim quando eu ainda era jovem: a frivolidade, falsidade, promiscuidade e jogos de interesses que imperam nos guetos gays, ou seja, tudo e todos são meros objetos descartáveis. Estas coisas me fizeram perceber que aquilo não era a minha praia. Não faz parte de mim esse tipo de vida.

Não consigo ver outra pessoa como um mero objeto sexual, um pedaço de carne exposta numa vitrina onde as pessoas passam, olham, apalpam, julgam a qualidade e decidem se querem levar pra casa ou nao. Também não consigo ver outras pessoas apenas pelo exterior. Dou muito mais valor ao interior que às etiquetas de roupas, idade, beleza externa, ou qualquer coisa que é valorizada no gueto gay. Adoro as marcas da maturidade – os cabelos grizalhando, as marcas de expressão… e por isso só ou por nao valorizar o que o gueto gay acha “normal”, por rejeitar educadamente cantadas de gays mais novos ou fora do biotipo e estilo que eu curto, era constantemente chamado de tia, velha, recalcada e outras coisas que vocês bem conhecem ou podem imaginar.

Óbvio que entrei numa séria crise chegando a ficar uma semana trancado dentro da casinha que eu tinha alugado, sem comer, sem atender telefone nem campainha, sem ligar TV ou a luz. Queria sim morrer. Essa vida não é para mim.

Até que um belo dia ouço a voz de meu pai me chamando na porta e minha mãe batendo na janela do meu quarto. Estavam desesperados pois nem mesmo meus vizinhos nem o único amigo que tinha sobrado tinha alguma noticia de mim. Estavam ha uma semana tentando falar comigo e não conseguiam pois eu tinha tirado o telefone da tomada.

Por estes e outros motivos, eu tinha rompido a minha relação com Deus. Para mim, naquele momento Ele era algo digno de historinhas infantis, criação de mentes perturbadas que viviam uma utopia para sanar ou amenizar suas mazelas e neuroses pessoais. Estava num ponto que Ele existindo ou não era totalmente indiferente para mim. Não agredia ninguém por causa de sua fé, mas que não ousassem vir me falar d’Ele.

Abri a porta e foi como se eu tivesse tirado o mundo de seus ombros. A expressão de alívio, alegria e amor deles tenho gravada até hoje em minha mente.

Mas, eles são evangélicos. Numa tentativa desesperada em me “salvar”, como não encontraram o pastor Elias em Curitiba, acabaram me levando á um templo da Igreja Universal. Lá, no meio da tarde, umas 50 pessoas ouvindo o sermão de um daqueles pastores “estudados”. Mal nos sentamos e ele começa com um papo tipo isso:

“Irmãos, Deus está me pedindo para provar a fé de vocês neste momento. Tenho aqui em mãos alguns CDs do músico de nossa igreja “Fulano de tal”. Se você crê realmente que tudo o que deres a Deus ele lhe dará em dobro, compre agora este CD por R$ 5.000,00.”

Olhei para meus pais com ar de desprezo mas isso foi interrompido por uma senhora que levantou-se, foi lá e preencheu um cheque e comprou o tal CD. Atônito assisti à cena mais bizarra que já presenciei dentro de uma igreja: ele foi negociando a fé daquelas pessoas, abaixando cada vez mais o valor do CD até que a última pessoa comprou-o por meros R$ 0,50. Olhei para meus pais e disse em alto e bom som:

“Se isto for Deus, quero que ele se foda!”

Nisso vieram alguns membros da igreja (diáconos) e perguntaram se precisávamos de oração. Antes que meus pais abrissem a boca lancei:

“Se ousarem orar ou encostar suas mãos imundas sobre mim ou meus pais, a porrada vai rolar aqui dentro.”

Levantei-me e puxei meus pais para fora e fomos embora.

Bom, acabei voltando para a cidade deles, para dentro da casa deles e com uma única condição: “Você vai voltar a frequentar a igreja e vai largar desta vida mundana”.

Amém! Como eu poderia rejeitar se eu estava literalmente fodido? Morando num casebre, passando fome, em depressão profunda, desempregado, com pensamentos suicidas, etc.

Comecei a frequentar a igreja, meio sem jeito pois na cidade pequena, pelo meu passado (a bichinha da escola e do clube), a maioria da congregação sabia que eu era “viado”. Sempre percebia os rabos de olho, o zumzumzum, as risadinhas e podem acreditar: não era mania de perseguição ok?

Claro que tive de conversar com o corpo pastoral da igreja e falar absolutamente tudo sobre minha vida. Um deles, ao me receber para os discipulados, sentava-se em sua cadeira e, enquanto conversavamos, ficava lá do outro lado da mesa patolando-se (quem não sabe o que é isso, é aquele ato de ficar pegando no cacete, juntando gostoso com as mãos, oferecendo-o a quem está observando). Sim, ele estava excitado em todas as vezes. Ele não estava apenas me testando, ele queria sim é entrar na putaria ou ter alguns momentos de putaria comigo ali dentro da sala dele com a porta devidamente trancada. Busquei então outro pastor.

Passei a ser discipulado por um pastor maravilhoso (D.) que assim como eu, tinha uma vida “mundana” pregressa (no caso dele, drogas). Mas infelizmente não percebi os toques sutis que ele tentava me dar. Ele foi mandado para outra igreja e me jogaram nas mãos de um outro pastor, fundamentalista de primeira grandeza.

Tudo o que o Michael coloca no texto dele, eu vivenciei por longos 3 anos. Nada de masturbação, nada de internet, nada de vida noturna ou social – a nao ser que estivesse junto com membros da igreja e apenas com estes. E dá-lhe rejeição, repressão, noites em claro chorando e perguntando a Deus o porque d’Ele nao me tirar a vida já que aquilo nao saía de mim? Que maldição era aquela? O que eu tinha feito de tão ruim para me sentir o pior ser humano da face desta terra? Desprezível? Porque ter de conviver com pais que falavam em alto e bom som que nao deixariam seus filhinhos no berçário porque o pederasta, sodomita estava lá ajudando o departamento infantil naquele dia, e ainda ter de perdoa-los silenciosamente, em oração?

Comecei a frequentar o Exodus por indicação de um membro da igreja pois eu já estava ficando agressivo com algumas pessoas, impaciente e, segundo ele, o ministério poderia me auxiliar.

Foi um encontro, depois outro, e mais outro e ainda muitos outros. Sempre aquela mesma pressão psicológica. Aproveitando as frases do depoimento do Michael para explicar esta fase, fui me afundando ainda mais em culpa, ansiedade e ódio contra mim mesmo. Uma profunda fase de auto-destruição que chegava a picos de auto flagelação quando me deparava diante do espelho do banheiro e me espancava. Só não cometi suicídio pois Deus me fez um homem covarde o suficiente para tal ato. Mas os pensamentos eram exatamente estes:

Eu tenho que me “purificar”. Não há cristão homossexual. Se eu era um cristão de fato, então já não era mais gay aos olhos de Deus. Determine isso em sua vida! Continue orando, pois você não está orando o suficiente e o pecado (inimigo, diabo, etc) está te vencendo. Se você não vencer isso não herdará o reino dos céus. Porque eu não estou mudando? Porque, mesmo depois disso tudo, o Senhor ainda não me apresentou o Espírito Santo? Ainda não bastou tanto sofrimento e angústia? Toma a tua cruz e carregue-a assim como Cristo carregou a dele.

E ainda tinha de ouvir diariamente de diversas pessoas dentro da igreja:

Você pode não ser um cristão verdadeiro. Você não tem fé suficiente. Você não está orando e lendo a Bíblia o suficiente. Talvez você tenha um demônio.Você não é sincero o suficiente. Você não está se esforçando o suficiente. Você não tem fé suficiente. Não caia! Estamos orando muito para que Deus te liberte disso e você encontre a verdadeira felicidade. Você não entregou a sua vida verdadeiramente a Cristo. A Bíblia diz em (…) que o homossexualismo é uma aberração aos olhos de Deus. Você quer ter o mesmo fim dos Sodomitas? Por mais que você mude, jamais será digno e puro como a minha família que nasceu dentro da igreja.

Sim, eles conseguem fazer você se sentir a pessoa mais imunda do mundo. E em momento algum pedem desculpas por isso.

Além disso tudo, arranjaram uma mulher para mim. V. é uma pessoa doce, amiga, cristã verdadeira, digna, ética, tranquila em sua fé. Mas ela me foi apresentada para que eu casasse afim de provar para a sociedade e para a igreja que eu tinha virado hétero. Provar a obra de Deus em minha vida. Porém ela tinha um filho ainda bebê. Perfeito não é mesmo? Caso eu falhasse sexualmente, já teria um filho para apresentar como meu.

Neste mesmo momento, comecei a ser treinado como lider para um futuro ministério de minha igreja de cura da homossexualidade. Tudo isso com acompanhamento e cobranças de um psicólogo evangélico, uma igreja inteira e a família.

V. foi a pessoa mais incrível que eu conheci neste período. Me acompanhou em diversos encontros da Exodus, foi a acampamentos, conversavamos por horas a fio sem nunca nos tocarmos além dos carinhos de amigos (abraços e beijos no rosto). Ela tinha plena consciência de todo o processo pelo qual eu estava passando, de minha vida anterior e respeitava isso. Percebeu que eu não estava “pronto” e soube respeitar. Vivenciou várias de minhas crises existenciais onde eu implorava a Deus para me tirar a vida pois eu nao estava mais suportando tudo aquilo tudo. O fardo que Ele tinha me dado, era grande e pesado demais e eu estava a ponto de arriar a qualquer momento.

A minha depressão de 3 anos atras não só estava latente ainda como tinha piorado muito mais. Só que eu tinha uma válvula de escape: o louvor, o coral da igreja. Era o único momento em que eu me sentia bem dentro da igreja. Digo com convicção que a minha conversão não foi pela Palavra e sim pelo louvor. Foi a música que me reaproximou de Deus. Eu literalmente ligava o fôda-se e me entregava completamente ao louvor e adoração. De mim para Ele, sem me importar com quem estivesse ao lado ou assistindo as apresentações do coral. Como 1° tenor (e dramático ainda), não tinha quem não ouvisse a voz do “eterno viado agora cantante” que buscava desesperadamente a sua salvação.

Finalizava isso, voltava a escuridão. Meu deserto – ou inferno como queiram chamar – se redesenhava à minha frente.

No último encontro da Exodus que participei V. estava comigo. Passei os 3 primeiros dias do encontro chorando copiosamente em alguns momentos e como uma estátua fria e dura em outros. Lembro-me de em determinado momento do sábado a tarde, durante uma das pregações pensar: é hoje.

À noite, um grupo foi para o culto na igreja e outro permaneceu na chácara para fazer uma vigília. Fiquei e fui pro meio da mata com o pessoal. Acendemos a fogueira, começaram o louvor e eu não abri a boca. Fiquei ali estático, sentado, olhando para as chamas da fogueira. Lembro-me que em determinado momento me levantar e começar a orar silenciosamente. Orar não, na verdade eu estava indo pelo mesmo caminho que me fez afastar de Deus no passado: estava em guerra declarada com Deus.

Comecei a questionar tudo aquilo, toda a minha vida pregressa, onde haveria um pecado tão grande que eu tivesse feito que merecesse pagar daquela forma? Se fosse maldição familiar, que diabos eu tinha a ver ou que contas eu tinha a acertar por uma coisa pela qual EU nao tenho culpa alguma? O que é que Ele queria de mim afinal? Ou Ele me libertava ali, naquele momento ou que se esquecesse de mim em definitivo pois eu nao suportava mais aquilo. E caí de joelhos num berreiro (choro) que acabei assustando a todos. Vieram correndo ver o que estava acontecendo comigo.

Nesse momento emudeci por alguns instantes. Quando “voltei” comecei a chorar novamente mas me falaram que era um choro diferente, era um choro de alegria, leve, puro.

Saí dali e fui tomar um banho pois eu estava ensopado de tanto suor e lágrimas e ainda fedendo fumaça por causa da fogueira. Foi um banho restaurador e de limpeza profunda. Conforme a água ia escorrendo por meu corpo fui sentindo todo aquele peso, desespero, agonia, depressão indo pelo ralo, literalmente. Quando saí do quarto os líderes vieram conversar em particular comigo para tentar entender o que tinha sido aquilo tudo. Minha resposta foi seca e direta:

“Vocês já estiveram face a face com Deus? Pois é, acabei de ter com Ele.”

“E o que Ele te falou?”, perguntaram.

“Vá em paz meu filho. Eu te coloquei no mundo para ser feliz. Eu te amo e te aceito exatamente como você é. Estarei sempre com você.”

V. estava ao meu lado, me abraçou, me deu um beijo em minha testa e disse: “Eu sempre soube disso mas você estava tão vendado pelo desespero de sua fé que eu não conseguia brecha para te avisar. Te acompanhei porque em minha orações Deus me falou para te amparar e apoiar. Fique tranquilo, pois eu nunca me iludi com relação a nós.”

Ali eu rompi em definitivo com a Exodus e com essa tentativa estúpida de “cura”.

Mas ainda continuei na Igreja por causa do Coral. Porém não frequentava os cultos com a mesma assiduidade e, quando ia, ficava do lado de fora da igreja conversando com amigos, cristãos verdadeiros. Mas isso não durou muito tempo, apenas mais uns 2 ou 3 meses.

De certo modo comecei a observar quantos homens e mulheres homossexuais tem lá dentro. Muitos mesmo. Vários casados, a familia perfeita aos olhos da igreja, porém, percebia-se em seus olhares o tesao recalcado. Em alguns homens que chegavam perto de mim para conversar sentia aquele cheiro delicioso masculino que o corpo exala nos momentos de tesao. Muitos jovens que eu percebia que só estavam ali por imposição dos pais entre tantas outras coisas.

Bom, durante todo este período conheci vários gays que estavam na mesma situação que a minha. Desesperados, desamparados, rejeitados pelas suas famílias, pela sociedade, sofrendo e passando pelas mesmas coisas que eu estava passando. Ouvi relatos e histórias de vidas pregressas que chocariam até o mais abusado e promíscuo ser humano.

Com tudo isso, chego à conclusão de que sim, Deus enviou um anjo (V.) para cuidar de mim, me amparar durante todo este processo. Depois me presenteou com um companheiro lindo. Um homem digno, íntegro, ético, religioso, carinhoso, atencioso. Depois de um deserto infernal em minha vida, voltei a gozar a plenitude do amor, a vida e claro, literalmente falando.

Muitos daqueles que conheci na ápoca da Exodus se afastaram e voltaram para a sua vida anterior – ou “caíram” como dizem na igreja. Alguns mantiveram a sua fé, a sua religiosidade. Outros, a negaram por completo em revolta por toda a opressão que sofreram enquanto fizeram parte dos seus ministérios.

Não posso tacar pedras na Exodus irresponsavelmente. Tem seus erros e abusos? Tem sim e estes merecem tais pedradas para serem desmascarados. Mas um detalhe eu respeito muito: a verdadeira reaproximação com Deus que ela promove – ao menos no meu caso.

Eu?

Vivo tendo de – tentar – explicar o inexplicável para aqueles que não passaram por isso tudo e por isso só, não conseguem entender: que eu sou sim um gay que professa uma fé protestante. Que vivo em plena paz comigo mesmo e, principalmente, tenho uma linda relação com Deus. Não oro (ou rezo) mais e tampouco frequento templos, mas sempre o louvo cantando, seja na alegria ou na dor.

Aos irmãos em Cristo só digo uma coisa: não orem nunca mais – para ninguém – por este tipo de cura. Orem sim para que Deus os faça pessoas felizes, realizadas e capaz de amar ao próximo assim como Jesus o fez. Orem para que Deus apazigue seus corações e mentes ao ponto em que consigam ouvir a voz d’Ele. Nada além disso.

Não permitam, jamais, que pastores – ou alguém – façam outras pessoas passar por tudo isso que passei.

Por Márcio Retamero* em 26/05/2011

O dia de ontem foi amargo para a população LGBT brasileira, mas não é um dia para ser esquecido, pelo contrário, é dia para se lembrar e trazer à memória fatos políticos antes acontecidos, como no tempo da campanha eleitoral.

A Frente Parlamentar Evangélica, numa manobra política suja e equivocada, foi ao balcão de negócios no Palácio do Planalto e disse: “Troco minha homofobia pela sua corrupção”. A presidente Dilma Rousseff aceitou de bom grado, afinal, a Frente Parlamentar Evangélica estava ameaçando não votar projetos do governo, trancar a pauta no Congresso, além de engrossar as fileiras da oposição que pedem as contas sobre o enriquecimento meteórico do ministro Antonio Palocci. Para blindar seu ministro, Dilma aceitou de bom grado, vender, mais uma vez, por muitas moedas de prata, as pessoas LGBT.

O deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) confirmou em seguida à reunião no balcão de negócios do Palácio do Planalto que “a preocupação do governo com o risco de Palocci ser convocado a prestar esclarecimentos no Congresso foi usada pela bancada religiosa para cobrar a suspensão da distribuição do kit anti-homofobia do MEC”.

O líder da Frente Parlamentar Evangélica, o deputado federal João Campos (PSDB-CE), também confirmou a barganha da homofobia pela corrupção. Declarou: “Nós reunimos, nesta terça-feira (24), a bancada evangélica e a católica, decidimos impor uma série de condições. Se o governo insistisse em manter o kit, bloquearíamos a votação na Câmara e apoiaríamos a convocação do ministro Palocci para dar explicações.”

A presidente Dilma até foi elogiada pelo deputado representante da ditadura militar no Brasil, regime contra o qual lutou, inclusive pegando em armas! Jair Bolsonaro declarou: “sou obrigado a elogiar a presidente Dilma Rousseff”.

Alguns militantes do movimento LGBT foram ao Twitter, Facebook e nas listas de debates dos grupos de militância LGBT no Yahoo para declararem que estavam surpresos, abatidos, enojados, decepcionados! Alguns se contentaram em referendar o “jogo político”, dizendo que “as coisas são assim mesmo”. Outros pediram “muita calma nessa hora, pois tem muitos equívocos no episódio”; outros pediam que os militantes se unissem contra nosso inimigo em comum, o fundamentalismo religioso, mas “o governo é nosso amigo” (?). Mui amigo!

Quanto vale a homofobia que faz sofrer e leva ao suicídio, além do assassinato de milhares de jovens e adolescentes LGBT? Para o governo Dilma, vale o ministro Antonio Palocci! Para os deputados da Frente Parlamentar Evangélica, vale a suspensão do kit anti-homofobia em troca do apoio à corrupção, sujando ainda mais suas mãos já sujas das porcarias que sabem produzir muito bem!

Quando eu soube da notícia, fiquei com raiva, muita raiva, mas esta logo passou depois que eu me lembrei: 1) a carta compromisso que a presidente, então candidata, assinou com os evangélicos fundamentalistas, se comprometendo em vetar tudo que fosse projeto que ia de encontro “à liberdade religiosa, à liberdade de expressão e aos valores da família brasileira”; 2) da sua aparição para comemorar a vitória ao lado do senador Magno Malta, posando para as câmeras dos fotógrafos e cinegrafistas e; 3) no dia de sua posse, o cumprimento caloroso do bispo Edir Macedo e outros líderes religiosos, convidados para o ato.

Não, eu não me esqueci desses pequenos “detalhes” da campanha eleitoral e dos dias que se seguiram à vitória de Dilma Rousseff.

O dia de ontem foi amargo e abateu a todos e todas que sonham com uma escola sem homofobia, com uma sociedade curada da homofobia, com adolescentes e jovens libertos da homofobia internalizada e dos seus algozes homofóbicos. Se existe um caminho seguro para a cura da nossa sociedade da homofobia que nela reina, tal é o caminho da educação, da democratização do conhecimento, da aquisição de valores dos Direitos Humanos.

O outro caminho, o caminho da criminalização da homofobia, poderá até colocar muita gente na cadeia (eu não creio nisso!), pode gerar muitas multas, mas jamais vai tratar o mal pela raiz a fim de extirpá-lo do tecido social.

Alguns líderes do movimento LGBT nesta altura do campeonato se apegam à semântica:suspenso não é o mesmo que cancelado”. Pois é, mas eu não acredito, e faz tempo, em coelhos de páscoa e papai Noel; até porque a Frente Parlamentar Evangélica pode ser fundamentalista, viver quase que na Idade Média, mas burra ela não é! Os que fazem parte dela sabem se organizar e jogar o sujo jogo da política, tanto que conseguiram!

No VIII Congresso LGBT do Congresso Nacional, participei da Mesa 01 de debates sobre o direito LGBT ao casamento civil. Ao meu lado, estava Preta Gil, a deputada Erika Kokai (PT/DF), dentre outros. Ouvi ali a senadora Marta Suplicy (PT/SP) dizer que se passaram 16 anos desde seu primeiro projeto de lei visando a ampliação dos direitos civis para a população LGBT e que até o presente momento, nada, nenhum projeto sequer foi aprovado pelo Congresso Nacional em prol dos direitos civis LGBT.

O motivo da inatividade do Congresso Nacional em relação á população LGBT é o mesmo desde então: a luta renhida dos fundamentalistas religiosos contra o avanço da cidadania LGBT no Brasil. A pergunta que não quer calar é: até quando, povo LGBT, continuaremos derrotados por eles? Até quando ABGLT e demais associações da militância, seremos derrotados por eles? Quando que daremos início ao nosso “Bash Back”? Quando enfrentaremos frente a frente o fundamentalismo religioso no Brasil?

As lésbicas e os gays cristãos, cansados de tanta sujeita e de ser massa de manobra, além de moeda de troca no balcão das negociatas politiqueiras, abatidos com a decisão da presidente Dilma de nos vender, mas não derrotados, se uniram no Rio de Janeiro. A Igreja da Comunidade Metropolitana do RJ e o Diversidade Católica convocam o povo cristão LGBT e todos e todas que, neste momento estão indignados, para juntos realizarmos uma passeata-protesto no calçadão da praia de Ipanema, no posto 09, no próximo domingo, dia 29 de maio, às 10h.

Combateremos o bom combate e juntos rogaremos: caia sobre a Frente Parlamentar Evangélica, sobre o Palácio do Planalto, sobre os corruptos, sobre o fundamentalismo e fundamentalistas religiosos, o sangue das vítimas de homofobia no Brasil!

“Porque o grito existe; então eu grito!” (Clarice Lispector). Gritemos!

* Márcio Retamero, 37 anos, é teólogo e historiador, mestre em História Moderna pela UFF/Niterói. É pastor da Comunidade Betel/ICM RJ e da Igreja Presbiteriana da Praia de Botafogo. É autor de “O Banquete dos Excluídos” e “Pode a Bíblia Incluir?”, ambos publicados pela Editora Metanoia. E-mail: marcio.retamero@gmail.com.

Fonte: A Capa

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Nota deste blogueiro:

Estava escrevendo um post sobre isso e outro sobre política LGBT quando encontrei esta carta do Marcio. Resolvi então publica-la aqui no blog, destacando partes fundamentais e acrescentando alguns comentários:

1 – tenho sido constantemente agredido por miliTONTOS apenas por eu não ser da esquerda, apenas por cobrar do governo explicações sérias (e não as manobras e falácias) sobre o caso Palocci, passaportes, Mensalão, etc. Não faço parte de nenhuma ONG ou entidade beneficiada por recursos públicos e, como cidadão QUE NÃO DEVE NADA A NINGUÉM E TAMPOUCO TEM O RABO PRESO, estou no meu direito de cobrar tais explicações e punição dos envolvidos.

2 – Não defendo nem nunca defendi projetos de governo que aparecem e desaparecem ao gosto de quem entra ou sai. Defendo sim, Políticas Públicas.

3 – NUNCA acreditei na seriedade do PT nem da extrema esquerda (assim como abomino a extrema direita). Um grupo que para um país através de greves impondo as suas vontades e não aceitando o diálogo não merece qualquer respeito.  Pior é saber que estes que agitavam tudo, na hora do pau com a polícia ou estavam sentados em cima dos muros assistindo os trabalhadores (massa de manobra) levando porrada, ou estavam dentro de carros recebendo gordas quantias para acabar com a greve. Mas esse FATO claro, é mera “intriga da oposição”.

4 – Já passei por situações deploráveis promovidas por este grupo quando usaram a MINHA SEXUALIDADE COMO ARMA PARA ME ATACAR, ME HUMILHAR E DENEGRIR PUBLICAMENTE durante a campanha da reeleição do Lula. Não conseguiam me derrubar em argumentos pegaram meu ponto fraco pois, infelizmente, sabiam que profissionalmente isso iria me prejudicar já que moro numa cidade “grande, mas pequena”. Além de familiares, tive amigos, alunos e clientes que foram “informados” deste fato através de um perfil fake, sujo, promíscuo que montaram usando minhas fotos pessoais. Fizeram isso para me calar. Isso aconteceu no orkut e tenho aqui as provas e também testemunhas, caso alguém duvide.

5 – Talvez por conhecer algumas lideranças dos LGBTS e saber quais as suas intenções reais, não me vejo representado por tais. O único que reconheço hoje é o Jean Wyllys, apesar de vê-lo nestes dias tentando “botar panos quentes” sobre essa manobra suja que o PT fez. Se insistir nessa linha, já era. Vai perder a credibilidade e respeito de muitos e, podem acreditar que a comunidade LGBT fora dos partidos é bem maior que a de militantes.

6 – O PT NUNCA viu na comunidade LGBTS um grupo que merecesse real atenção além daquela para mantê-los ali amarrados e cegos, como massa de manobra. Lembro-me da vitória do Lula, a festança promovida pelas associações e grupos gays festejando o “agora vai”. Pois é, 8 anos se passaram e Lula não fez absolutamente nada além de repetir suas promessas demagógicas para manter a comunidade ali, no curral quietinha. Entra Dilma, que como descrito no texto acima SÓ NÃO VIU OS SINAIS QUEM NÃO QUIS, e logo de cara já senta uma patada dessas na cara dos LGBTS. O desespero dela em provar que era religiosa e, quando levantou-se a suspeita dela ser lésbica, aparecer uma filha prestes à dar à luz mostrando ao mundo que ela era mãe e agora avó.

Não sei dizer com relação à Marta. Pra mim é mais um cachorro latindo só para fazer barulho que qualquer outra coisa. Amigos (sérios e dignos) meus de SP dizem que Serra fez muito mais pelos gays que a tropa de choque do PT. Outro fato que pode comprovar esses latidos é o palanque gratuito que é dado a ela nas paradas e a agressividade dos militantes ao governo e prefeitura de SP quando estas não são do PT.

7 – Muitos amigos meus (heteros e religiosos) dizem que não suportam a militancia gay pois tudo o que aparece sobre ela é apelativo, forçado, etc. Não tiro a razão deles na totalidade. A Parada virou um grande circo dos horrores. Não vemos a comunidade se mexendo para coibir as personagens grotescas e caricatas que povoam a TV e reforçam estereótipos ridículos na mente da população. Percebe-se a militância cega defendendo raivosamente o PT e seus aliados e atacando com mentiras descaradas a oposição entre várias outras coisas que podem ser citadas aqui. Muitos dizem que, se não fosse essa ligação cega com o PT, não teriam absolutamente nada contra os gays. Fato este que pode ser comprovado pelas pesquisas feitas tempos atras dentro das igrejas onde a comunidade religiosa, para espanto da igreja, disse que não se importa com a sexualidade de outras pessoas, que os padres e pastores deveriam deixar os Gays em paz.

Então, é isso.

Ou a comunidade LGBTS sai das garras desse grupo cego ou não iremos avançar em nada.

É, sempre digo que dependendo da forma como o problema é exposto, a aceitação pela sociedade é melhor.

O Governo do RJ lançou a campanha Rio sem Homofobia recentemente e o primeiro vídeo que tive acesso é este aqui:

Excelente iniciativa, sutil, inteligente e sensata. Nada de ações que agridam ainda mais a sociedade que já está se sentindo ameaçada, agredida. Isso convida a população à reflexão sobre o assunto.

O material impresso também está excelente!!!

Discretos, não chocam ainda mais uma sociedade que já está se sentindo agredida, não reforçam estereótipos negativos sobre os LGBTSxyz.

Outro vídeo que vi também (confesso que inicialmente fiquei receoso, até assisti-lo) é o que mostra o RJ como ponto de turismo para a comunidade LGBTSxyz. Pensei que veria coisas como as que vemos mas para minha surpresa, o vídeo é excelente, sem putaria ou baixaria, como deve ser. Está no MixBrasil mas não encontrei-o em outro lugar que o wordpress aceite o compartilhamento para coloca-lo aqui neste post. Vale a pena ver.

Outra ação que eu vi pela web (facebook) é o Ato com Velas pelo Dia Internacional de Combate a Homofobia, que será realizado em São Paulo (capital) no dia 22 de maio a partir das  18:00, no Largo do Arouche (prainha) -Rua Vieira de Carvalho.

Uma excelente ação e só espero que os participantes respeitem o significado espiritual das velas e não transformem este ato em mais um circo dos horrores como é a Parada. As velas denotam meditação, oração, homenagem e como tal, merecem respeito.

Isso me lembrou um projeto que infelizmente não encontrou eco junto à sociedade aqui em Londrina: Uma Chama Pela Vida. Quem sabe a comunidade LGBTSxyz possa assumir este projeto e concretiza-lo. Criatividade, energia e coragem para tal, temos de sobra.

Já sobre o material do MEC, vi hoje um vídeo bastante interessante chamado “Medo de Que?”, dividido em 2 partes:

Tirando o áudio que poderia ser mais “adulto”, está ótima a iniciativa.

Já o vídeo “Encontrando Bianca”, que supostamente vazou na internet ou que não faz (ou faz?) parte do kit e o da “Boneca na mochila”, acredito serem totalmente dispensáveis.

O fato é que, assim como o vídeo do Rio sem Homofobia quanto o “Medo de quê?” não reforçam estereótipos e sim visam mostrar o quanto a heteronormatividade só é considerada “normal” por imposição e não por ser realmente algo “normal”.

Estas sim dóem muito mais no ego da sociedade do que as outras mostrando o que para eles o que eles vêem como uma caricatura bizarra de um ser humano ou reforçando os seus “argumentos”.

Todo pai não deseja que seu filho seja homossexual exatamente porque a imagem que ele foi condicionado a ter dos gays são aquelas caricaturaz da TV, reforçadas pelas piadinhas das rodinhas de machos. Lembro-me que, assim que assumi para minha família, minhas mochilas e armários eram constantemente revirados pela minha mãe atras de estojos de maquiagem, vestidos, saltos, etc. E, assim como aconteceu com minha mãe, acontece com praticamente todas as outras.

Para meu pai, era visível a análise diaria dele em meus gestos e modo de falar em busca de algum traço que o lembrasse daquelas caricaturas que ele foi condicionado a ver como exemplo do “ser gay”.

Na cabeça deles, não se cogitava a hipotese de um homem ser gay e continuar agindo e comportando-se como homem. Era algo impossível.

Sobre a boneca, não, nunca brinquei com bonecas além do normal que qualquer hetero tenha brincado em sua tenra infância junto às suas irmãs e/ou primos.

Então, como bem escreveu o Leandro Colling aqui neste texto, vejo que as ações do RJ e do video “Medo de Que?” são muito mais úteis e acertadas que outras que tenho visto.

Eles não reforçam nada além do fato de que um gay é também uma pessoa, um ser humano como qualquer outro.

Só me faltava essa agora!

Em resposta ao que você havia publicado recentemente em seu site, escrevi um texto enorme. Sim,  reconheço que nele havia impropérios tremendos, mas fui me dando conta de que tudo aquilo que escrevi não merecia ser publicado, não por você ser quem é, mas pelo fato de que todas aquelas palavras poderiam “sujar” meu blog.

Pois bem, durante estes dias, desde que você publicou o texto, venho refletindo e conversando muito com Deus até que ontem à noite, no banho – nas águas purificadoras – ocorreu-me uma coisa: para que darei munição ao inimigo?

Deleta tudo!

Não vou mais dissecar item por item de seu texto no qual se gaba por ser autor do neologismo (WAWW!!!) Homodiafonia. Acho que vou lançar alguns também: cristãocafonia, talvez cristãobabaquice ou ainda, o melhor,  CristãoDuCapeta.

Bom, brincadeiras à parte, o papo é o seguinte: de nada adianta você, outros pastores e tantos outros autodenominados “cristãos” ficarem berrando em seus templos ou publicando textos lixos como esse na web. Incluem aqui também os livros e panfletinhos estúpidos feitos por vocês que só servem para doentese isso, nós gays, definitivamente não somos.

Esta igreja sabe de todo o calvário a que fui submetido por longos três anos, tentando “me curar”, tentando tratar como doença o que para mim hoje é virtude do coração, do corpo e da alma, uma forma de amar e desejar que me realiza como homem e como ser humano. Uma dimensão erótico-afetiva da sexualidade – a forma como naturalmente minha sexualidade se realiza erótica e afetivamente – dentre tantas formas que todo e qualquer ser humano vivencia seja hetero, homo, bi, pansexual ou tomatesexual.

Em vão tive que enfrentar um “deserto” no qual fui lançado e lá, no final das contas, numa experiência que tenho certeza que poucos cristãos já tiveram, Deus veio ao meu encontro, tomou a minha mão para me libertar exatamente do lugar onde vocês tinham me mandado para me curar: um encontro da Exodus. Não vou entrar em detalhes pois até imagino como você vai interpretar demoniacamente esta manifestação tão marcante de Deus em minha vida: por seu olhar obscurecido e coração empedernido certamente vai afirmar que não foi Deus, foi o capeta; você entendeu errado, Ele estava te provando e você entendeu errado; e por aí vai. Não vale a pena ouvir tudo isso de novo.

O que quero dizer, pastor, é que hoje vivo plenamente em paz com Deus. Uma paz profunda, revigoradora, revitalizante. Mantenho hoje uma relação com Deus, imensa e profunda, que não consegui atingir enquanto estava sendo policiado dentro da igreja.

Hoje posso dizer conscientemente que sim: eu tenho uma relação sólida, íntima, fiel e leal com Deus.

Outra coisa pastor, é que eu não fui convertido pela palavra distorcida dos pastores. Quem me acompanhou de perto reconhece que fui quebrantado, convertido pelo louvor. Louvor este que carrego até hoje e certamente carregarei por toda a eternidade em meu coração. É a chama que arde em meu peito, é a forma que me aproximo d’Ele, que converso com Ele diariamente.

Por isso pastor, o que eu quero dizer é que se você pensa que atinge a qualquer um de nós – gays – , que já passaram ou não por algum tipo de terapia diabólica de falsa cura, lamento informar: você está perdendo seu tempo, aliás, tempo que deveria ser melhor dedicado para ser instrumento, neste mundo, da Misericórdia e do Amor d’Aquele que nos amou até o fim, do Amor que se derrama infinitamente em nosso coração. É uma perda de tempo especialmente para nós que já trilhamos o caminho da palavra falada e hoje conseguimos nos regozijar na Palavra VIVA, PURA – aquela que vem diretamente d’Ele nos momentos de oração e louvor pessoal. E é perda de tempo pois esse tipo de atitude apenas afasta mais ainda de Jesus aqueles que se sentem rejeitados por Ele por causa de discursos preconceituosos de  pessoas como você.

A única coisa que tantos como você conseguem com isso, pastor, é atingir aqueles que não tem culpa alguma. Mas vocês, em sua ira insana na sodomização do mundo fora da igreja, não percebem que ferem profundamente aqueles a quem vocês dizem proteger: o rebanho da igreja.

Meus pais são uma prova disso. Carregam uma culpa imensa imposta e reafirmada constantemente por vocês, como se eles fossem os culpados por eu ser homossexual. Apesar de convivermos pacificamente e eles se sentirem confortáveis na minha casa que divido com meu companheiro há cerca de oito anos (sim, é um lar cheio de amor, respeito e carinho), percebo de vez em quando certa instabilidade nessa relação. E, sempre que isso vem à tona, aparece alguma coisa que você – ou alguém da igreja – falou em algum culto, reunião ou conversa formal ou informal. Vocês semeiam a cizânia! Quando penso que eles estão bem, lá vem você e seu rebanho nefasto com o rodo traiçoeiro “em nome de Deus”.

Ou seja: a igreja não quer um rebanho sadio, feliz e comungando de uma relação pura e plena com Deus. Tampouco com o verdadeiro Deus. Ela quer sim, é um bando de pessoas cada vez mais doentes, neuróticas, necessitadas e algemadas nas migalhas da redenção por causa de seus pecados ou pagando por coisas que não lhes dizem respeito – como é o caso aqui. Vocês vivenciam uma relação doente e suja com o próprio corpo e com a própria sexualidade e projetam esta doença e sujeira naqueles que buscam vivenciar o amor em todas suas formas no Amor de Deus.

É isso que você prega pastor? É nisso que você crê pastor? Precisa manter os membros de sua igreja numa eterna culpa, carregando uma cruz que não lhes diz respeito? Um rebanho de eternos doentes nas garras de um “deus” traiçoeiro? De um “deus” forjado à imagem e semelhança de suas próprias amarguras e preconceitos?

É este “deus” que você representa pastor?

Um “deus” opressor, intolerante, violento, preconceituoso, incapaz de amar? Um “deus” que só faz humilhar seus filhos? Um “deus” que entregou seu filho em vão, pois o diabo e suas artimanhas tem mais poder que o sangue vertido na cruz?

Um “deus” que só serve para alguns poucos nascidos dentro da igreja, e que lançará sua espada sobre os iniciados? (E não venha dizer que não há essa divisão pois a vivenciei diariamente por longos 3 anos).

Não pastor, não é nesse “seu deus” que eu creio.

O Deus que creio e conheci é o Deus de Amor. Que nos amou tanto que nos deu seu Filho.

Então pastor, faço um desafio a você – e a todos os outros pastores, padres e cristãos – que creio não ser tão difícil já que se arrogam como “legítimos mensageiros de Deus” aqui na terra:

Durante um ano, o desafio você a falar apenas sobre o Amor de Deus.

Mas terá de ser sobre o Amor Ágape: aquele amor puro, limpo, que não vê defeitos ou diferenças.

Aquele que não superestima a culpa, o pecado.

Aquele que não supervaloriza o poder do diabo menosprezando a dor, o sofrimento, o sangue derramado e a verdade que representa a cruz.

Aquele que estendeu a mão à prostituta não para convertê-la, mas sim por simplesmente amá-la e respeitá-la como era.

Assim pastor, a partir de hoje, em todas as reuniões, cultos e conversas que você participar, não poderá falar de outra forma. Nem mesmo com seus filhos ou com sua esposa.

Isso vale para pensamentos também. Incluindo as orações: quando perceber algum pensamento que vá contra este desafio, lance-os nas mãos de Deus e desvie o pensamento para outra coisa: cante, louve ao Senhor. “Não temas, crê somente” – diz a Palavra.

Se és mesmo um homem de Deus, isso não será difícil afinal, “O meu Deus, é o Deus do impossível” não é mesmo?

Se fraquejar diante do desafio cante com o Kleber Lucas:

“Ó Deus tu és o meu Deus forte
O Grande El-Shaddai
Todo poderoso, Adonai
Teu nome é Maravilhoso
Conselheiro, Príncipe da Paz
Yeshua Hamashia, Deus Emanuel

O Pastor de Israel, o Guarda de Sião
A Brilhante Estrela da Manhã
Jesus teu nome é precioso
Meu Senhor e Cristo
O nome sobre todos pelo qual existo

Jireh, o Deus da minha provisão
Shalom, o Senhor é a minha paz
Shamah, Deus presente sempre está
El-Elion, outro igual não há

Jeovah Rafa meu Senhor
Que cura toda dor
Tsidkenu Yaveh minha justiça é
Elohim, Elohim Deus
No controle está meu Deus
Tudo governa (2x)

O Pastor de Israel, o Guarda de Sião
A Brilhante Estrela da Manhã
Jesus teu nome é precioso
Meu Senhor e Cristo
O nome sobre todos pelo qual existo

Jireh, o Deus da minha provisão
Shalom, o Senhor é a minha paz
Shamar, Deus presente sempre está
El-elion, outro igual não há

Jeovah Rafa meu Senhor
Que cura toda dor
Tsekenu Yaveh minha justiça é
Elohim, Elohim Deus
No controle está meu Deus
Tudo governa (3x)”

Sim pastor, foi essa a música que me libertou das amarras, mordaças e vendas da igreja no ultimo encontro da Exodus que participei. Foi nesse louvor que senti o poder de Deus agindo sobre mim e tirando as travas de meus olhos, de minha mente e meu coração para a verdade pura d’Ele, me libertando de todo aquele inferno que eu estava vivendo, prestes a cometer suicídio por não suportar mais tamanha angústia, desespero e rejeição.

Então é isso pastor. Está lançado o desafio a você e a todos os outros que falam “in nomine Domini“.

Cumpra-o se o seu “deus” for realmente o Deus Vivo proclamado na Boa Nova que Jesus nos anuncia!

Vi a pouco pelo meu Twitter que o @renatomucoucah está com uma ação contra o homofóbico mor destas terras tupiniquins. Pela sentença do juiz a alegação/acusação está correta e é grave, porém encontra um empecilho para que surta algum efeito real: a imunidade parlamentar.

Porém, ao ler os twittes do Renato, percebi que ele entrou com uma ação por improbidade administrativa. É óbvio que isso nao vai dar em nada por causa da imunidade parlamentar. O fato é que ninguem se entende sobre até onde vai esta imunidade. Já conversei com advogados e juristas e, de um modo geral, a impressão que fica é que se o parlamentar meter um tiro na boca de alguma pessoa sem motivo algum, pelo que parece nada vai acontecer a ele pois está protegido.

O Renato disse ainda que vai entrar com um Recurso Extraordinario no STF crendo que lá as coisas serão diferentes. Mas arrisco-me a dizer, mesmo sendo leigo em questões juridicas, que não vai dar em nada. Os Ministros irão interpretar as Leis como fizeram no caso da união homoafetiva. E nas Leis está a maldita imunidade.

Porém, como leigo mas com algum conhecimento e experiência sobre os meandros da politica, creio que seria mais interessante o Renato tomar outro caminho.

Com a vida aprendi que quanto mais você bate de frente com o inimigo, mais munição você dá a ele. Entãoo melhor caminho é jogar com as regras dele forçando-o à contradição e destruindo a sua moral. Assim, você não agride a sociedade – estarrecida com a mordaça à força numa ação agressiva – e acaba ganhando-a pois ela se sentirá perdida e perceberá que os monstros não somos exatamente nós.

É, tou mega cansado hoje mas acho que deu para vocês entenderem bem o que eu coloquei acima. Mas vou “desenhar” para facilitar.

Na Constituição Federal temos logo no Preâmbulo o seguinte:

“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.”

Logo a seguir temos que:

“Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
(…)
II – a cidadania;
III – a dignidade da pessoa humana;
(…)
V – o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”

Pois bem, observando meus grifos, percebe-se que os conservadores e fundamentalistas religiosos já começam a cuspir na CF bem em seu início. Estado Democrático de Direito é o mesmo que Estado LAICO! Portanto, ao nos negarem direitos, são canalhas. Acusam o STF de ter “passado por cima do legislativo” mas desrespeitam a CF.

Continuando:

“Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;
(…)
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Meus grifos também deixam claro outros detalhes que estes mesmos conservadores e fundamentalistas desrespeitam na maior cara dura.

Agora vejamos outro elemento bastante importante neste debate e que, no meu ponto de vista é a peça chave nisso tudo e que não está na CF, mas tão importante quanto no caso de parlamentares: o Juramento dos parlamentares no momento de sua posse.

“Prometo manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro e sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”.

Uma simples frase, coisinha de nada como podem ver e muitos ali a desrespeitam. São homens de palavra(podre). Não tem honra, dignidade, ética.

Especialmente a bancada dita “cristã” – que para  mim está mais para demoníaca ao pregar e defender ferrenhamente o ódio – é a campeã em cuspir, rasgar, pisar, limpar seus >*<‘s com a CF. Seus discursos pseudo-moralistas servem apenas como máscaras para esconder o ranço religioso, obscuro, hipócrita de cada um deles.

Muitos se mostraram publicamente, especialmente nestes dias pós decisão do STF,  enfurecidos e, em sua ira insana, ficaram claras as suas bases e fundamentos: suas igrejas, suas religiões e que se foda a tal Constituição Federal. São cães raivosos.

Outros que não tem um discurso tão conservador assim, também acabaram embarcando no disse-me-disse, tornando-se “achistas” (Morin) e reforçando o coro diabólico.

São pessoas que usam o nome de Deus para promover o ódio, segregar e humilhar.

Em meio a tudo isso vimos de tudo um pouco mas devemos nos atentar a algumas coisas. Muitos destes insanos parlamentares, com suas frases de efeito conseguiram a proeza e o descuido (tudo bem que alguns de forma escancarada) de:

– ligar a homossexualidade à pedofilia

– ligar a homossexualidade à destruição da família

Além de várias outras aberrações que vimos, lemos e ouvimos. Ligaram a homossexualidade a mais um monte de coisas imprestáveis, como se só os heterossexuais fossem um belo exemplo de coisa boa, só produzissem coisas boas para a humanidade.

Tá, e o que isso tudo tem a ver com a ação do Renato?

Não sei se este é o termo correto, mas creio que um AGRAVO alegando exatamente a Quebra de Decoro Parlamentar seja bem mais pesado judicialmente.

Eles estão quebrando a cada ataque o juramento que fizeram no ato de sua posse que basicamente é: RESPEITAR E CUMPRIR A CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

A acusação deve primar não pelo preconceito aos homossexuais (homofobia), mas sim por não honrar o juramento prestado, descumprir o papel para o qual foi eleito (legislar por e para todos e não para interesses escusos ou seus porcos eleitores) e, principalmente, desrespeitar a Constituição Federal.

O que isso vai gerar?

Uma sociedade, eleitores percebendo o quanto aqueles que foram eleitos usam e abusam de seus poderes. Eleitores destes pulhas questionando até onde podem levar a sério a palavra por eles ditas já que claramente um juramento foi quebrado. Onde está a honra, a ética destes parlamentares? E também uma sociedade que vai percebendo aos poucos que não somos nós os bandidos nessa historia toda. As “travas dos olhos” vão caindo aos poucos sem precisar de ninguem tentando tira-las no grito, tapa, bafon ou esculaxo.

Uma mídia que será forçada a esclarecer corretamente o porque da cassação do mandato do parlamentar.

Um Congresso Nacional que ficará mais atento e não terá coragem de tolerar mais abusos livrando canalhas no Conselho de Ética.

Ponto para a inteligência, para a discrição e para quem conseguiu derrotar o inimigo fazendo-o provar do proprio veneno, fazendo-o agonizar em sua própria insanidade e demência.

O melhor de tudo isso?

Ele, o inimigo derrotado, jamais poderá te acusar de qualquer coisa. As regras foram claras, ele as conhecia muito bem, as cartas estavam todas sobre a mesa.

Nas regras dele nao consta a imunidade parlamentar?

Sim, consta.

Mas nelas consta também a quebra de decoro parlamentar.

O que a comunidade LGBTSxyz tem de se dar conta é que não cabe mais hoje em dia a militancia no estilo dos metalurgicos grevistas da época da ditadura militar. São ações que geram repulsa na maioria da sociedade – vide MST.

Então pessoal, vamos à luta, mas de cabeça erguida, com discrição, sem ataques agressivos e com classe.

Só nós vamos ganhar!

Vale também compartilhar aqui os votos dos Ministros.

Não estão todos disponíveis, mas vou completando o post à medida em que forem sendo liberados.

– Voto do relator Ministro Carlos Ayres Britto

– Voto da Ministra Carmem Lúcia

– Voto do Ministro Marco Aurelio Mello

– Voto do Ministro Ricardo Lewandowski

– Voto do ministro Luiz Fux

– Voto do Ministro Joaquim Barbosa

– Voto do Ministro Gilmar Mendes

– Voto da Ministra Ellen Gracie

– Voto do Ministro Celso Mello

– Voto do ministro Cezar Peluso

É sempre bom guardar estas frases que marcaram esse fato histórico. Como reconhecimento e agradecimento a estes nobres defensores do Estado Democrático de Direito, o STF:

Fonte: O Globo

Abaixo, segue um modelo de escritura pública para casais homoafetivos.

A escritura abaixo deve ser adaptada à realidade e necessidade do casal homoafetivo.

Esta deve servir apenas como uma base.

Lembramos também que, assim como nós, procurem a assistência de um advogado antes de ir para o Cartório – super importante para ajustar este instrumento.

ESCRITURA PÚBLICA DECLARATÓRIA DE UNIÃO HOMOAFETIVA ESTÁVEL

                 S A I B A M quantos esta pública escritura de RECONHECIMENTO DE SOCIEDADE CONJUGAL E UNIÃO HOMOAFETIVA ESTÁVEL virem que aos … dias do mês de … do ano de … (…/…/20…), às ……………….., neste CARTÓRIO DE REGISTRO CIVIL DE PESSOAS NATURAIS E TABELIONATO DE NOTAS, localizado na ………………………………………, cidade …………………….., Estado …………………………… [endereço do cartório], República Federativa do Brasil, inscrito no CNPJ-MF sob nº ……………………………………., cujos serviços me foram regularmente delegados pelo Poder Público Estatal, perante mim, Registrador Civil e Notário, em pleno e estável exercício da titularidade nesta Serventia, compareceram como OUTORGANTES E RECIPROCAMENTE OUTORGADOS, Sr …………………………………., brasileiro, nascido aos ……………………… na cidade de ………………….., Estado de …………………….., solteiro,  ………………………… (profissão), portador da carteira de identidade nº. ………………….., expedida pelo…………..em ………………….. (cidade), e inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas sob nº. …………………………, residente na ……………………………………………… (endereço), na cidade de ………………………., Estado ………………………..; e o Sr. …………………………………., brasileiro, nascido aos ……………………….., na cidade de ………………………, Estado ……………………….., solteiro, …………………, portador  da carteira de identidade nº. ………………… expedida pelo … em …………………… e inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas sob nº. ……………………….., residente na ………………………………. (endereço), na cidade de ………………….., Estado do ………………………., os presentes reconhecidos como os próprios, através da documentação acima referida, juridicamente capazes para este ato, do que dou fé.  Então, perante mim ……………………….. (nome do notário/tabelião), a pedido dos OUTORGANTES E RECIPROCAMENTE OUTORGADOS, acima nominados e abaixo assinados, a fim de consubstanciar esta pública declaratória, que os mesmos fazem, lavro este instrumento, na melhor  forma do direito nos termos seguintes:

PRIMEIRO: Os OUTORGANTES E RECIPROCAMENTE OUTORGADOS DECLARANTES, …………………………………. e …………………………………., ambos em pleno gozo de suas faculdades mentais, desejando regular e definir os reflexos patrimoniais de seu convívio em união homoafetiva estável, declaram que coabitam em convívio consorcial, com a comunhão de vidas e de interesse patrimonial, como entidade familiar e convivência duradoura ininterruptamente desde ……………………….., constituindo vínculo homoafetivo de conjugalidade, público e não eventual.  Por este vínculo, de prazo indeterminado, afirmam que, ao longo do período acima informado, até a presente data, e para o período vindouro, ambos se comprometem, enquanto durar a convivência, a continuar observando fielmente os termos que assumiram desde o início do convívio e que agora ratificam neste pacto: vida em comum no mesmo domicílio; mútua assistência com base no cuidado, apoio e sustento recíprocos; respeito à individualidade; compreensão, cumplicidade, intimidade e afeto conjugal; solidariedade fundada na lealdade, na confiança e na consideração de um para com outro, como pilares do amor e do companheirismo que compartilham no dia a dia.

SEGUNDO: Que os OUTORGANTES E RECIPROCAMENTE OUTORGADOS declaram como sendo o desejo de ambos que cada um goze de todos os benefícios que tenha direito ou venha a ter, inclusive em relação sucessão de bens e a quaisquer planos de saúde e previdenciários, sejam eles relativos ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), previdência privada e outros análogos ou correlatos.

TERCEIRO: Os OUTORGANTES E RECIPROCAMENTE OUTORGADOS DECLARANTES, declaram e reafirmam sua associação de fato e de direito, de mútua assistência e de segurança, como titulares de direitos e deveres morais e patrimoniais, imbuídos do nobre propósito da organização e administração de seu lar, combinando seus esforços e recursos para lograrem fins comuns, análogos à união de direito, ex vi do artigo 1725 do Novo Código Civil. Declaram que ambos possuem atividades econômicas próprias, mas estas são complementares, ficando clara, desde o início de sua coabitação, a dependência econômico-financeiro um do outro e que ambos, por sua vez, mantém conjuntamente uma administração do lar comum, com uma divisão harmônica dos encargos financeiros na proporção que melhor atender os Interesses mútuos e de cada um.

QUARTO: Os OUTORGANTES E RECIPROCAMENTE OUTORGADOS DECLARANTES declaram, salvo estipulação contrária expressa em termo aditivo, que pertencem a ambos, em condomínio e em partes iguais, todos os bens e direitos adquiridos antes e durante a união, presente ou futuros, sendo esta aquisição onerosa ou gratuita, por um, por outro ou por ambos, caso não conste no título aquisitivo o percentual de cada.

QUINTO: O imóvel onde ambos residem, localizado ……………………………………. (endereço), na cidade de……………….., Estado …………………….., devidamente registrado no ____ Ofício de Registro de Imóveis, em nome do Sr. …………………………………., cabendo ressaltar que sua posse, manutenção e suas melhorias tornaram-se viáveis devido a esforços e recursos de ambos, ficando entendido que este imóvel pertence em condomínio aos mesmos. Incluem-se, na pertença em condomínio, todos os bens móveis e utensílios que guarnecem o lar que compartilham nesta coabitação e, por extensão, os veículos automotores e todos os demais bens.

SEXTO: Neste ato, o outorgante Sr. …………………………………. declara ser de sua vontade soberana, em caso de sua morte e por reconhecer a inexistência de qualquer descendente, que seu companheiro Sr. …………………………………., enquanto viver, tenha real direito de habitação reconhecendo-lhe tanto a plena propriedade e usufruto do imóvel e de todos os bens móveis e utensílios e dos veículos automotores, independente do nome de quem esteja registrado, como o pleno direito sucessório sobre todo acervo patrimonial sem que sofra qualquer constrangimento das partes familiares ou qualquer concorrência com parentes colaterais. Neste ato, o outorgante Sr. …………………………………. declara ser de sua vontade soberana, em caso de sua morte e por reconhecer a inexistência de qualquer descendente, que seu companheiro Sr. …………………………………., enquanto viver, tenha real direito de habitação reconhecendo-lhe tanto a plena propriedade e usufruto do imóvel e de todos os bens móveis e utensílios e dos veículos automotores, independente do nome de quem esteja registrado, como o pleno direito sucessório sobre todo acervo patrimonial sem que sofra qualquer constrangimento das partes familiares ou qualquer concorrência com parentes colaterais. Declaram ambos que estes bens comuns não poderão ser comunicados, em caso da morte de um dos parceiros, para outra pessoa em caso de uma nova união estável do parceiro viúvo. Com a morte deste, e somente neste caso, desejam que todos os bens sejam partilhados entre aqueles que de direito pertencem como herdeiros legítimos e testamentários, de ambas as famílias.

SÉTIMO: Os OUTORGANTES E RECIPROCAMENTE OUTORGADOS DECLARANTES estabelecem que os saldos bancários, as aplicações financeiras e os créditos e débitos de qualquer natureza, presente ou futuros, não se comunicarão em hipótese alguma, ficando cada um dos outorgantes com a responsabilidade individual de movimentação e administração de seus respectivos negócios financeiros.

OITAVO: Fica estabelecido, também, que os bens e direitos futuros adquiridos exclusivamente por herança de família por qualquer um dos outorgantes não se comunicarão em nenhuma hipótese, razão pela qual cada um administrará, individualmente, o que lhe couber.

NONO: As disposições do presente pacto registradas nesta escritura pública retroagem ao início da união estável entre os outorgantes e permanecerão vigentes até sua rescisão, se houver, ou dissolução natural, salvo a hipótese de aditamento ou alteração de suas cláusulas mediante instrumento escrito e devidamente registrado e, da mesma forma, livre e reciprocamente estipulado e aceito consensualmente pelos outorgantes.

DÉCIMO: Os OUTORGANTES E RECIPROCAMENTE OUTORGADOS DECLARANTES convencionam que, quaisquer conflitos decorrentes deste instrumento serão solucionados por meio da arbitragem, conforme Lei 9.307/96, cabendo a ambos, por meio do consenso, a eleição de uma Câmara Arbitral que melhor lhes convir, submetendo-se aos seus regulamentos internos.

FINALMENTE, pelas partes contratantes me foi dito que pactuam este contrato de união homoafetiva estável, sem qualquer coação, constrangimento ou induzimento e no pleno uso e gozo de suas faculdades físicas e mentais, como se inferiu do acerto e segurança com que responderam as perguntas que lhe foram feitas por mim, Registrador Civil e Notário, do que certifico e dou fé.

ASSIM, a pedido das partes lavrei esta escritura, que feita e lhes sendo lida em voz alta em tudo foi achada conforme outorgam, aceitam e assinam:

Em testemunho da verdade.

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NOTARIO

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TESTEMUNHAS
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